Itau (ITUB4) corta projeção de dividendos 2026 e gera alerta: “Cautela”

Itaú Unibanco revisa para baixo suas expectativas de dividendos em 2026, apesar do lucro sólido no segundo trimestre.
Redação NC News
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O Itaú Unibanco (ITUB4) divulga um segundo trimestre de 2026 robusto, com alta rentabilidade e carteira de crédito sob controle, mas põe o pé no freio nas projeções e no discurso. Ao comentar os números, o CEO Milton Maluhy Filho fala em cenário desafiador e revisa para baixo as estimativas de receitas de serviços e seguros para o ano.

Crescimento menor e foco no relacionamento com o cliente

O banco reduz o guidance para receitas de prestação de serviços e seguros, que antes apontava alta entre 5% e 9%, para um intervalo mais modesto, de 2% a 5%. A nova faixa vale para 2026 e indica que, mesmo em boa fase operacional, a instituição prefere trabalhar com um cenário mais frio.

O diretor financeiro, Gabriel Moura, atribui a revisão principalmente a dois fatores: mercados de capitais menos aquecidos e atividade mais fraca dos clientes corporativos e de varejo. Em linguagem direta, há menos emissões, menos operações estruturadas e menor apetite por transações que geram tarifas.

Parte do movimento, porém, é deliberada. O Itaú vem abrindo mão de receitas tradicionais de tarifas, como pacotes de conta corrente, anuidades de cartão e cobranças de serviços para empresas. A estratégia busca reduzir atritos com os correntistas e tentar ocupar um espaço mais central na vida financeira dos clientes.

“Para que você seja o principal banco na vida do cliente, precisa tirar da frente aquilo que gera atrito no relacionamento”, afirma Maluhy. Segundo o executivo, essas linhas de tarifas hoje representam menos da metade do que geravam há dois anos, numa mudança relevante no modelo de negócios.

Ao mesmo tempo, o banco amplia fontes alternativas de rentabilidade, concentradas na margem financeira. Ganham peso as operações de financiamento ao consumo, como o Pix Parcelado, que embutem juros e se encaixam mais na receita de crédito do que em serviços. O recado aos investidores é que a pressão sobre tarifas não significa abrir mão de retorno, mas deslocar sua origem.

Cenário global pesa mais que resultados domésticos

Apesar do lucro forte e de indicadores saudáveis, Maluhy usa quase todo o espaço da coletiva para falar de riscos, dentro e fora do país. “O olhar é de cautela, não só pelo cenário local, mas especialmente pelo cenário global”, diz. Conflitos no Oriente Médio e juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos compõem o pano de fundo que mais preocupa o comando do banco.

Na visão do CEO, a combinação de guerra e política monetária dura alimenta pressões inflacionárias globais que acabam chegando ao Brasil, mesmo com a inflação de curto prazo mais comportada. Juros altos em dólar encarecem o financiamento externo, pressionam moedas emergentes e podem forçar o Banco Central brasileiro a manter a taxa básica em patamar elevado por mais tempo.

“Juros muito altos por tempos prolongados geram, sem dúvida, pressão sobre a atividade econômica e sobre o endividamento, tanto das empresas quanto das famílias”, afirma. Ele lembra que o aperto monetário ainda não mostra todos os seus efeitos e pode bater com mais força ao longo dos próximos trimestres, em especial em setores mais alavancados.

No front doméstico, a desaceleração da economia já aparece em dados de consumo e investimento. A proximidade das eleições nacionais contribui para aumentar a volatilidade dos mercados, mas Maluhy insiste que essa não é sua maior fonte de inquietação. Para ele, o centro do problema está nas contas públicas.

“O social e o fiscal têm que andar juntos. Tão importante quanto o social é um fiscal organizado, porque, se ele anda desordenado, traz inflação, reduz o poder de compra das famílias e limita a capacidade do próprio governo de investir”, afirma. O recado mira Brasília: expansão de gastos sem contrapartida de receita ou corte em outras áreas tende a cobrar a conta via juros mais altos e crescimento menor.

Crédito segue resiliente, apesar dos juros altos

No balanço do 2º trimestre, a carteira de crédito do Itaú continua a mostrar resiliência, mesmo num ambiente de juros elevados e renda pressionada. Nos empréstimos à pessoa física, os atrasos de curto prazo, entre 15 e 90 dias, permanecem estáveis em 3% no período, patamar que o banco considera confortável.

Maluhy afasta o risco de deterioração generalizada nessa frente. “Não há nenhuma perspectiva de piora”, diz, ao comentar a carteira de pessoa física. Segundo ele, o crescimento recente do crédito ao consumidor se concentra em segmentos mais resilientes, com menor probabilidade de inadimplência, o que ajuda a segurar o risco mesmo numa economia mais lenta.

Na pessoa jurídica, há aumento dos atrasos de curto prazo, mas o CEO classifica o movimento como pontual e ligado ao fim de carências em programas públicos de crédito. “Não é, em hipótese alguma, um sinal de deterioração do portfólio”, afirma. Parte relevante dessas operações tem garantias, o que limita o impacto sobre o custo de risco e evita um salto nas provisões.

O programa de renegociação de dívidas Desenrola aparece como tema recorrente na coletiva. O Itaú já renegocia R$ 1,1 bilhão em dívidas de 371 mil clientes, número expressivo em termos de alcance social. Para o balanço, porém, o efeito é pequeno. “O impacto do programa Desenrola é absolutamente imaterial para os indicadores do banco”, diz Maluhy.

Ele destaca que a segunda fase do programa tem adesão maior que a primeira e funciona como gatilho para renegociações que extrapolam o escopo oficial do Desenrola. Mesmo assim, o volume renegociado representa uma fração pequena da carteira total do banco, o que explica o impacto limitado nos índices de inadimplência e no lucro.

Investidor de ITUB4 ganha visibilidade, mas enfrenta mais risco

Para quem acompanha ITUB4 em plataformas como a B3 e o TradingView, a mensagem é de um banco sólido, mas mais sensível a fatores externos e à política econômica. Os resultados do 2T26 tendem a sustentar o interesse em ITUB4 Notícias, em análises de ITUB4 gráfico e em projeções de ITUB4 dividendos 2026, mas sob um guarda-chuva de maior incerteza.

Com a revisão do guidance, o mercado ajusta expectativas sobre crescimento das receitas de serviços, tradicionalmente mais estáveis que o crédito. A sinalização do Itaú de reduzir tarifas para priorizar relacionamento indica que parte da pressão sobre receitas é estrutural, não apenas conjuntural. O investidor passa a olhar com mais atenção para a evolução da margem financeira e da inadimplência.

Os próximos meses devem ser marcados por um teste duplo: a capacidade do banco de continuar entregando retorno elevado enquanto o ciclo de juros segue pesado e a forma como o governo lidará com o desafio fiscal às vésperas da eleição. Se o ambiente global piorar ou o fiscal doméstico se desorganizar, a cautela do maior banco privado do país pode se transformar em alerta para todo o sistema financeiro.

 

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