Polícia prende suspeito de financiar envio de fuzis para a Rocinha; investigação aponta esquema interestadual

Homem foi localizado no Rio Grande do Sul durante operação conjunta das polícias do Rio de Janeiro e gaúcha. Segundo a investigação, ele integrava a estrutura financeira e logística responsável por levar armamentos de alto poder para traficantes da comunidade da Rocinha
Redação NC News
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Um homem investigado por financiar o transporte de fuzis para traficantes da Rocinha, na Zona Sul do Rio de Janeiro, foi preso nesta quarta-feira (5) em uma operação conjunta das Polícias Civis do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul. Segundo as investigações, ele exercia um papel estratégico dentro da organização criminosa, ajudando a custear o envio de armas de guerra que saíam do território gaúcho com destino à comunidade carioca.

O preso foi identificado como Alexandre Albara. Contra ele havia um mandado de prisão preventiva expedido pela 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Rio de Janeiro pelos crimes de organização criminosa armada e comércio ilegal de armas de fogo. De acordo com a Polícia Civil, não há condenação definitiva relacionada a este caso até o momento.

Como a investigação começou
As apurações tiveram início após uma apreensão realizada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), em abril de 2024, na cidade de Seropédica, na Região Metropolitana do Rio.

Na ocasião, os agentes localizaram:

dois fuzis calibre 7,62;
uma espingarda calibre 12;
15 carregadores de fuzil;
dois carregadores de espingarda;
50 munições calibre 7,62.
Segundo a investigação, todo esse armamento havia saído do Rio Grande do Sul e seria entregue a criminosos ligados ao Comando Vermelho que atuam na Rocinha.

Esquema tinha divisão de funções
Com o avanço das investigações, policiais analisaram dados telemáticos, comunicações digitais, movimentações financeiras, registros bancários e o trajeto percorrido pelos investigados.

As apurações apontaram que a organização possuía uma estrutura organizada, com funções específicas para cada integrante.

Segundo a Polícia Civil, havia pessoas responsáveis por:

financiar a compra e o transporte das armas;
intermediar negociações;
organizar a logística;
transportar os armamentos;
ocultar os fuzis em veículos adaptados;
monitorar possíveis barreiras policiais durante o trajeto.
Ainda de acordo com os investigadores, o grupo utilizava linguagem cifrada, pagamentos fracionados e contas de terceiros para dificultar o rastreamento das operações.

Quatro investigados continuam foragidos
Apesar da prisão desta quarta-feira, a investigação ainda busca outros integrantes do grupo.

Segundo a Polícia Civil, permanecem foragidos:

Deivisson Nunes Gonçalves (“Fê” ou “Têta”);
Renato de Souza Ferreira (“Renatinho”);
Marcelo Ferreira Lima (“Cabelinho”);
Felipe de Souza dos Santos (“Paquito”).
Todos possuem mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça e são considerados investigados no mesmo inquérito.

Operação faz parte do combate às armas destinadas às facções
A prisão ocorre em um momento de intensificação das ações contra o tráfico de armas que abastece organizações criminosas no Rio de Janeiro.

Também nesta quarta-feira, a Polícia Federal deflagrou a Operação Trama de Aço, que investiga uma organização suspeita de importar e distribuir armamentos para facções criminosas, utilizando o Paraná como centro logístico. As investigações indicam que grupos criminosos mantêm rotas interestaduais para abastecer comunidades dominadas por facções com armas de alto poder destrutivo.

O que acontece agora
Com a prisão de Alexandre Albara, a Polícia Civil pretende aprofundar a identificação da cadeia financeira da organização criminosa e localizar os demais investigados.

Os materiais e informações obtidos durante a operação poderão ajudar a esclarecer a origem dos armamentos, identificar outros participantes do esquema e interromper novas rotas de abastecimento para facções criminosas que atuam no Rio de Janeiro.

ENTENDA O CONTEXTO
A investigação começou após a apreensão de armas em uma rodovia do Rio de Janeiro, em abril de 2024. A partir desse flagrante, policiais reconstruíram a rota percorrida pelo armamento e identificaram uma organização suspeita de financiar, transportar e distribuir fuzis destinados ao crime organizado.

Segundo as autoridades, o grupo utilizava uma estrutura dividida entre financiadores, operadores logísticos, transportadores e intermediários para dificultar a ação policial. A prisão realizada nesta quarta-feira representa um avanço nas investigações, mas a operação continua para localizar outros suspeitos e desarticular completamente o esquema.

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