Guerra de narrativas: Lindbergh busca interlocução com o PL após acusar vice de Flávio Bolsonaro de estupro

Após procurar Sóstenes Cavalcante, Lindbergh Farias afirma que apenas encaminhou a denúncia às autoridades e nega qualquer retratação; aliados de Alfredo Gaspar dizem que houve tentativa de acordo para encerrar o embate.
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) procurou o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), na noite de quarta-feira (5), para tratar da acusação de estupro de vulnerável enviada por ele contra o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL).

O movimento ocorreu no mesmo dia em que Gaspar foi anunciado formalmente como pré-candidato a vice-presidente na chapa encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL).

A acusação contra o parlamentar alagoano teve origem em março, após um acalorado embate entre Lindbergh e Gaspar durante os trabalhos da CPMI do INSS. O petista formalizou a denúncia no Supremo Tribunal Federal (STF), que virou uma representação sob relatoria do ministro Gilmar Mendes.

O caso atualmente aguarda manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que solicitou novas diligências antes de emitir um parecer.

Recuo técnico ou busca por trégua?

Durante o encontro com Sóstenes, Lindbergh afirmou que pretendia divulgar uma nota pública para esclarecer que não pretende explorar o episódio politicamente. O petista argumentou que apenas cumpriu o dever institucional de repassar um relato que chegou ao seu conhecimento aos órgãos de investigação.

“Eu disse ao Sóstenes que o que eu fiz foi motivado por uma denúncia e que agora cabe à Polícia Federal e ao STF. A minha nota vem nesse sentido. Vamos soltar a nota dizendo que a parte que cabia a mim eu fiz, que é encaminhar a denúncia quando ela chega”, afirmou Lindbergh à imprensa.

No entanto, a versão apresentada por Sóstenes Cavalcante aponta para uma tentativa de pacificação e recuo por parte do parlamentar do PT. De acordo com o deputado do PL, Lindbergh sinalizou que gostaria de um acordo para que Gaspar retirasse os processos movidos contra ele em troca da publicação do comunicado.

Sóstenes relatou que o petista admitiu ter agido com base em informações rasas fornecidas por uma profissional da imprensa:

“Ele me disse que possuía apenas informações superficiais e que levou isso à Polícia Federal. E que depois, quando foi buscar as provas, a jornalista não apresentou nenhuma prova contra o Gaspar”.

Impasse sobre a nota e reação de Lindbergh

A nota pública chegou a ser redigida, mas não foi publicada. Enquanto o grupo ligado a Gaspar afirma que o texto foi rejeitado por não satisfazer o parlamentar acusado, Lindbergh nega categoricamente que vá se retratar e atribuiu o atraso a compromissos de agenda no estado do Rio de Janeiro.

“Não se trata de se retratar. Vou me retratar do quê? Recebi uma denúncia e a encaminhei. É minha obrigação fazer isso inclusive”, sustentou o deputado petista, refutando a tese de retratação.

Contraofensiva jurídica e coleta de DNA

Do outro lado, a reação de Alfredo Gaspar foi imediata e ostensiva nas frentes judicial e parlamentar. A defesa do pré-candidato a vice acionou diferentes instâncias contra Lindbergh Farias e a senadora Soraya Thronicke:

  • Ações no STF e PGR: Apresentação de notícia-crime por coação no curso do processo, calúnia e injúria, além de representação por denunciação caluniosa.
  • Processos Cíveis e Disciplinares: Pedido de abertura de processo no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados e ação de indenização por danos morais.
  • Coleta de Material Genético: A defesa obteve uma liminar em ação cautelar antecipatória de prova. Com a decisão, Gaspar realizou a coleta voluntária do próprio DNA e solicitou formalmente a comparação do seu perfil genético com o da criança vítima do suposto crime.
Carregar Comentários