As campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) vêm recorrendo a economistas com experiência em governos anteriores de seus respectivos campos políticos para formular as propostas econômicas das eleições de 2026.
No caso de Lula, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, foi escalado como porta-voz econômico da campanha e tem participado de conversas com investidores para apresentar as linhas da política econômica de um eventual novo mandato. Já Flávio montou um núcleo coordenado pela ex-presidente da Caixa Daniella Marques, com a participação de nomes que integraram o governo Jair Bolsonaro.
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Entenda o que aconteceu
A formação das equipes econômicas ocorre em meio à preparação dos programas de governo dos dois candidatos. Embora os grupos tenham perfis diferentes, há um ponto em comum: a presença de profissionais que já ocuparam cargos relevantes na administração federal ou participaram da formulação de políticas econômicas.
No grupo de Flávio, por exemplo, estão o ex-ministro de Minas e Energia Adolfo Sachsida e Daniella Marques, que presidiu a Caixa durante o governo Bolsonaro. Em agosto, a campanha anunciou outros sete integrantes para o núcleo econômico, entre eles Alexandre Messa, Alexandre Ywata, Myrian Prado e Vladimir Kühl Teles, todos com passagens pelo governo anterior.
Dario Durigan ganha espaço na campanha de Lula
Dario Durigan passou a exercer papel de destaque na apresentação da agenda econômica de Lula. Ministro da Fazenda, ele foi escalado pela campanha para conversar com representantes do mercado financeiro e apresentar as linhas econômicas de um eventual quarto mandato.
Em agosto, Durigan confirmou uma nova rodada de reuniões com investidores em São Paulo. A estratégia inclui apresentar medidas e prioridades econômicas da candidatura e reduzir dúvidas sobre a condução das contas públicas.
O ministro também tem defendido mudanças na política fiscal. Em setembro, afirmou que um eventual novo governo Lula deveria avaliar outro corte linear de benefícios fiscais e defendeu a manutenção e o aperfeiçoamento do arcabouço fiscal, além da redução de gastos obrigatórios.
Flávio reúne ex-integrantes do governo Bolsonaro
A equipe econômica de Flávio Bolsonaro tem uma presença significativa de profissionais que participaram do governo Jair Bolsonaro.
Daniella Marques coordena o núcleo econômico, enquanto Adolfo Sachsida atua na coordenação geral do plano. Entre os integrantes anunciados estão Alexandre Messa, que foi secretário de Acompanhamento Econômico; Alexandre Ywata, que ocupou cargos no Ministério da Economia; Myrian Prado, que trabalhou na área de desestatização; e Vladimir Kühl Teles, ex-secretário-adjunto de Política Econômica.
Também integram o grupo profissionais com experiência no mercado financeiro e na academia, como Andrei Spacov, Arilton Teixeira e Eduardo Cavendish Carvalho.
A equipe afirma trabalhar na elaboração de propostas para alterar a trajetória da economia, com foco em temas como contas públicas, produtividade e ambiente de negócios.
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Equipe de Flávio também recebe contribuições da Fiesp
Estudos do Conselho Superior de Economia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), presidido pelo ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, vêm sendo considerados na elaboração das propostas econômicas de Flávio.
Daniella Marques integra o conselho e tem destacado a importância dos estudos produzidos pelo grupo. A estrutura reúne outros ex-integrantes do governo Bolsonaro, como a ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina, além de ex-diretores do Banco Central.
Campos Neto, porém, nega colaboração formal com candidaturas. Segundo sua assessoria, sua participação na Fiesp está relacionada à elaboração de estudos técnicos públicos e não envolve projetos de composição de governo ou apoio a campanhas.
Quais são as propostas econômicas em discussão
No campo de Flávio, integrantes da equipe têm defendido medidas de desregulamentação e desburocratização. Adolfo Sachsida afirmou que o grupo prepara propostas para aumentar a produtividade e destravar a atividade econômica.
Daniella Marques também tem defendido mudanças na estrutura tributária e regulatória. Em declaração recente, a coordenadora econômica afirmou que a equipe mapeou mais de mil normas que poderiam ser revogadas e defendeu maior autonomia para o Banco Central.
Na campanha de Lula, Durigan tem defendido a continuidade do arcabouço fiscal e medidas para reduzir despesas obrigatórias e benefícios tributários. O ministro também tem apresentado propostas relacionadas a crédito, indústria e programas sociais.
O que acontece agora
As equipes ainda podem ser ampliadas e modificadas durante a campanha. A definição dos grupos econômicos acompanha a elaboração dos programas de governo e a apresentação de propostas para temas como contas públicas, juros, investimentos, impostos, crédito e crescimento.
No caso de Flávio, a campanha já anunciou diferentes grupos de especialistas desde o início do ano. Em agosto, sete novos integrantes foram incorporados ao núcleo coordenado por Daniella Marques.
No entorno de Lula, Dario Durigan assumiu a função de interlocutor econômico da candidatura, enquanto integrantes do governo e aliados participam da formulação e defesa das propostas.
Entenda o contexto
A economia deve ocupar espaço importante na campanha presidencial de 2026, com as candidaturas apresentando diferentes propostas para questões como equilíbrio das contas públicas, juros, impostos, investimentos e programas sociais.
A equipe de Flávio reúne diversos nomes ligados ao governo Bolsonaro, enquanto Lula conta com integrantes de sua atual administração na apresentação das propostas. As escolhas permitem identificar parte das referências técnicas e políticas que orientam os programas econômicos das duas campanhas.
A composição dos grupos, porém, não significa que todos os integrantes ocuparão cargos em um eventual governo. No caso de Roberto Campos Neto, por exemplo, a assessoria do ex-presidente do Banco Central afirmou que ele não presta colaboração a candidaturas, embora participe do Conselho Superior de Economia da Fiesp.
Com a aproximação do primeiro turno, as campanhas devem detalhar propostas, metas e medidas para áreas como política fiscal, tributação, crédito, investimentos e programas sociais.
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