Apurações de interlocutores próximos disseram que a confirmação de Alfredo Gaspar como vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro fechou um processo que se arrastou por semanas. A ideia inicial, dentro do PL, era colocar uma mulher na vaga, movimento pensado para ampliar o diálogo com o eleitorado feminino. Nomes como o da senadora Tereza Cristina e o da ex-presidente da Caixa Daniella Marques chegaram a ser avaliados, mas perderam força quando PP e Republicanos optaram pela neutralidade na disputa presidencial, encerrando qualquer chance de aliança formal de centro-direita.
Diante do impasse, o PL decidiu fechar chapa pura, com Gaspar assumindo a vaga.
Trajetória de Alfredo Gaspar

O deputado alagoano migrou para a legenda ainda neste ano, vindo do União Brasil, e construiu trajetória como promotor de Justiça e secretário de Segurança Pública de Alagoas antes de se firmar como um dos nomes de maior visibilidade da oposição na Câmara.
Atuação na CPMI do INSS
Essa visibilidade tem relação direta com a CPMI do INSS. Como relator da comissão, Gaspar apresentou parecer que recomendava o indiciamento de mais de duzentas pessoas, entre elas Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, o ex-ministro Carlos Lupi e o senador Weverton Rocha.
Vale o registro de que o núcleo central do esquema, batizado de Careca do INSS, tinha no empresário Antônio Camilo Antunes sua principal referência, e que o parecer de Gaspar acabou derrubado pela maioria governista do colegiado, sem produzir indiciamento formal.
Ainda assim, o episódio consolidou o deputado como voz de peso na pauta de segurança pública e combate à corrupção, bandeiras centrais do discurso de Flávio.
Peso regional da escolha
A dimensão regional da escolha também pesa. Gaspar é de Alagoas, estado onde o bolsonarismo historicamente enfrenta dificuldade para disputar espaço com o lulismo. Colocar um nome nordestino na chapa é lido como tentativa de romper essa barreira, num momento em que o campo aliado de Flávio também lida com o desgaste da crise do Banco Master, que atinge nomes ligados tanto à base governista quanto a setores do Centrão.
O desafio no Nordeste
Resta saber se a aposta em um nome da região é suficiente para alterar um cenário historicamente desfavorável ao bolsonarismo no Nordeste, ou se funciona apenas como reforço simbólico em torno da pauta de segurança pública. Essa resposta só virá com o avanço da corrida presidencial.