O senador norte-americano Bernie Sanders afirmou que pretende convidar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para falar sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) no Senado dos Estados Unidos. A intenção foi manifestada após uma reunião entre os dois nesta segunda-feira (21), em Nova York, onde o presidente brasileiro cumpre agenda antes da abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas.
A possibilidade de um convite está condicionada ao cenário político após as eleições nos dois países. Sanders indicou que pretende avançar com a iniciativa caso os democratas conquistem o controle do Senado nas eleições legislativas norte-americanas e Lula seja reeleito no Brasil. Durante o encontro, o senador também demonstrou interesse em conhecer pessoalmente o funcionamento do SUS.
Sanders quer ouvir Lula sobre experiência do SUS
A saúde pública ganhou espaço na conversa entre Lula e Bernie Sanders. O senador de Vermont demonstrou interesse na experiência brasileira com um sistema universal de atendimento e indicou que gostaria de levar essa discussão ao Congresso norte-americano.
Sanders afirmou que pretende convidar Lula para apresentar a experiência do SUS no Senado caso se concretizem as condições políticas mencionadas por ele após as eleições.
Nos Estados Unidos, o custo da assistência médica e dos planos de saúde ocupa espaço recorrente no debate político. Sanders é um defensor histórico da ampliação da cobertura pública de saúde no país.
O eventual convite ainda não está formalizado e, portanto, não existe neste momento uma data para uma participação de Lula no Senado norte-americano.
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Encontro ocorreu em Nova York
Lula recebeu Bernie Sanders nesta segunda-feira durante sua passagem por Nova York. O presidente brasileiro está na cidade para participar da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas.
A reunião ocorreu na residência do representante permanente do Brasil junto à ONU, onde Lula concentrou boa parte dos compromissos desta segunda.
Antes de conversar com Sanders, o presidente brasileiro também se reuniu com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi.
Sanders foi um dos últimos compromissos políticos de Lula antes do discurso previsto para esta terça-feira (22) na sede das Nações Unidas.
Multilateralismo, democracia e inteligência artificial entraram na conversa
A reunião foi além da discussão sobre saúde pública. Lula e Sanders trataram de temas internacionais e políticos que fazem parte da agenda dos dois.
Entre os assuntos abordados estiveram a defesa do multilateralismo, a paz, a democracia, o crescimento das desigualdades e o aumento dos gastos militares.
Os dois também manifestaram preocupação com o extremismo político e discutiram a necessidade de regras internacionais para lidar com o avanço da inteligência artificial.
A defesa de uma governança multilateral para a inteligência artificial tem aparecido com frequência na agenda internacional brasileira, especialmente diante das discussões sobre os impactos econômicos, políticos e sociais da tecnologia.
Possível interferência eleitoral também foi discutida
Outro assunto abordado na reunião foi a possibilidade de interferência estrangeira nas eleições brasileiras.
Sanders demonstrou preocupação com o tema. Lula afirmou que as autoridades brasileiras permanecem atentas, mas indicou que, até o momento, não há evidências concretas de uma interferência estrangeira de maior alcance no processo eleitoral.
O assunto aparece em um momento no qual soberania nacional e respeito às decisões internas dos países devem ocupar espaço no discurso brasileiro na Assembleia Geral da ONU.
A eleição presidencial brasileira terá o primeiro turno em 4 de outubro, enquanto os Estados Unidos realizam suas eleições legislativas em novembro.
Sanders condiciona iniciativa ao cenário após as eleições
A intenção de levar Lula ao Senado não significa que o convite já esteja confirmado.
Sanders relacionou a possibilidade a dois resultados futuros: uma eventual maioria democrata no Senado norte-americano e uma eventual reeleição de Lula no Brasil.
Por isso, a declaração deve ser entendida como uma intenção política do senador, e não como uma agenda oficial já definida pelo Congresso dos Estados Unidos.
O resultado das eleições em ambos os países determinará se a proposta poderá avançar nos próximos meses.
SUS desperta interesse do senador norte-americano
O Sistema Único de Saúde brasileiro garante acesso universal aos serviços públicos de saúde e reúne atendimento da atenção básica a procedimentos de alta complexidade.
Durante a conversa, Sanders manifestou interesse em conhecer o funcionamento do sistema brasileiro.
O tema dialoga diretamente com uma das principais bandeiras políticas do senador nos Estados Unidos. Sanders defende há anos uma ampliação significativa da participação pública no sistema de saúde norte-americano.
As estruturas dos dois países, no entanto, são diferentes. Uma eventual apresentação de Lula ao Senado serviria para compartilhar a experiência brasileira, sem significar que o modelo do SUS seria automaticamente aplicável aos Estados Unidos.
Lula se prepara para discurso na ONU
A reunião com Sanders aconteceu às vésperas do principal compromisso de Lula durante a viagem a Nova York.
Nesta terça-feira (22), o presidente brasileiro fará o primeiro discurso entre os chefes de Estado no debate geral da Assembleia das Nações Unidas.
A tradição coloca o Brasil na abertura da sequência de pronunciamentos. Logo depois de Lula, será a vez do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A proximidade entre os horários mantém a possibilidade de um contato entre os dois presidentes nos bastidores, embora não haja confirmação de uma reunião bilateral formal.
Soberania e multilateralismo devem aparecer no discurso
Entre os principais temas previstos para a participação brasileira estão soberania nacional, multilateralismo, conflitos internacionais e mudanças na governança global.
Lula também deve abordar questões relacionadas à inteligência artificial, meio ambiente e reforma das instituições multilaterais.
A defesa do multilateralismo, discutida com Sanders, é uma das linhas que o governo brasileiro pretende levar à Assembleia.
O presidente deverá deixar Nova York depois de concluir os compromissos previstos para esta terça-feira.
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Entenda o contexto
Lula chegou a Nova York na noite de domingo (20) para participar da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas. A viagem tem duração curta e concentra compromissos diplomáticos antes do discurso brasileiro no debate geral.
Nesta segunda-feira, o presidente recebeu diferentes lideranças políticas, entre elas Bernie Sanders. Durante a conversa, os dois trataram de saúde pública, democracia, multilateralismo, desigualdade, inteligência artificial e questões internacionais.
Sanders demonstrou interesse especial pelo SUS e sinalizou que pretende convidar Lula para falar sobre a experiência brasileira no Senado dos Estados Unidos caso o cenário político após as eleições permita a iniciativa.
O convite, portanto, ainda não foi formalizado. A declaração representa uma intenção manifestada pelo senador e está condicionada aos resultados eleitorais no Brasil e nos Estados Unidos.
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