Senado dos EUA aprova indicado de Trump para embaixada no Brasil, mas decisão agora está com Lula

Daniel Perez recebeu 51 votos a favor e 47 contra, mas ainda depende do chamado agrément do governo brasileiro para assumir o posto em Brasília
Redação NC News
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O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta sexta-feira (7) a indicação de Daniel Perez, político republicano da Flórida escolhido pelo presidente Donald Trump para ser o novo embaixador americano no Brasil. A aprovação, porém, não significa que Perez já possa assumir o cargo em Brasília.

Agora, o processo depende do governo brasileiro, que ainda precisa conceder o chamado agrément, documento pelo qual o país confirma formalmente que aceita o diplomata indicado por outro governo. O impasse acontece em meio a uma escalada de tensão entre Brasil e Estados Unidos.

Indicação foi aprovada por 51 votos

A nomeação de Daniel Perez foi votada junto com um pacote de 74 indicações feitas pelo governo Trump para diferentes cargos, incluindo postos diplomáticos e 17 embaixadas.

O bloco recebeu 51 votos favoráveis e 47 contrários no Senado americano.

A votação estava prevista para quinta-feira (6), mas acabou adiada durante um impasse entre os senadores sobre quais propostas seriam analisadas antes do início do recesso parlamentar de cinco semanas.

Perez já havia passado por uma etapa importante do processo. Ele foi sabatinado em 16 de julho e teve sua indicação aprovada pelo Comitê de Relações Exteriores do Senado americano no dia 22.

Por que Daniel Perez ainda não pode assumir?

Apesar da aprovação em Washington, o processo ainda não está concluído.

O Brasil não concedeu o agrément para Daniel Perez. Na prática, isso significa que o governo brasileiro ainda não confirmou formalmente que aceita o nome indicado pelos Estados Unidos para representar o país em Brasília.

O aval é uma etapa importante das relações diplomáticas e precisa ocorrer antes de o novo embaixador assumir oficialmente.

Depois disso, ainda existem outras formalidades previstas nas regras internacionais, como a comunicação da chegada do diplomata e a apresentação das cartas credenciais.

O que é o agrément?

O agrément é a anuência dada pelo país que receberá um embaixador indicado por outra nação.

É como uma confirmação diplomática de que aquele nome é aceito para ocupar o posto.

No caso de Daniel Perez, essa etapa ainda não foi concluída pelo Brasil.

Segundo o governo brasileiro, o pedido americano continua em análise e não existe, na Convenção de Viena, um prazo determinado para a concessão do agrément.

Crise entre Brasil e EUA aumentou a pressão

A aprovação de Perez ocorre em um momento delicado da relação entre Brasília e Washington.

Na terça-feira (4), o governo Trump anunciou a revogação do visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti.

A medida foi apresentada por Washington como uma ação de reciprocidade diante da demora brasileira em conceder o agrément para Daniel Perez.

Os Estados Unidos afirmaram que o visto da embaixadora poderá ser restabelecido caso o Brasil conceda o aval ao indicado de Trump.

O governo brasileiro, por sua vez, reagiu dizendo que o processo diplomático é confidencial e que os Estados Unidos divulgaram o nome de Perez antes de apresentar formalmente o pedido de agrément.

O Palácio do Planalto também afirmou que o pedido ainda está sendo analisado.

Quem é Daniel Perez?

Daniel Perez é um político republicano da Flórida e atualmente ocupa a presidência da Câmara de Representantes do estado.

Ele nasceu em Nova York e se mudou ainda criança com a família para a Flórida. Perez é filho de cubanos e construiu sua carreira política no estado.

Ele estudou na Florida State University e cursou Direito na Loyola University New Orleans.

Perez foi eleito deputado estadual pela primeira vez em 2017 e passou a ocupar um espaço de destaque dentro da política da Flórida.

Sua atuação política é marcada por pautas como redução de impostos, menor intervenção do governo e segurança das comunidades.

Perez também enfrentou Ron DeSantis
Antes de ser escolhido por Trump para representar os Estados Unidos no Brasil, Daniel Perez ganhou notoriedade por um confronto político dentro do próprio Partido Republicano.

Ele travou uma disputa pública com Ron DeSantis, governador da Flórida e antigo rival de Donald Trump.

Os dois protagonizaram embates sobre temas como imigração, ensino superior, exploração de petróleo em alto-mar e financiamento de serviços legislativos.

O conflito chegou a um nível elevado e fez Perez se tornar um dos principais críticos de DeSantis dentro da política estadual.

A relação chamou atenção justamente porque DeSantis já foi um dos nomes mais fortes do Partido Republicano e chegou a disputar a indicação presidencial da legenda contra Trump.

DANIEL PEREZ E RON DESANTIS

O que Perez falou sobre o Brasil?

Durante a sabatina no Senado americano, Daniel Perez afirmou que os Estados Unidos enfrentam “desafios de segurança reais” no Brasil.

Ele citou organizações criminosas transnacionais que, segundo sua avaliação, representam ameaça a comunidades americanas.

Perez também mencionou a presença crescente de potências estrangeiras disputando influência na região. Embora não tenha citado diretamente a China, a declaração foi feita no contexto da crescente disputa geopolítica entre Washington e Pequim.

A fala ajuda a indicar alguns dos temas que podem fazer parte da atuação de Perez caso ele consiga assumir a embaixada em Brasília.

O que acontece agora?

A aprovação pelo Senado americano encerra uma etapa do processo nos Estados Unidos, mas não resolve o impasse diplomático.

Agora, o foco volta para o governo brasileiro, que precisa decidir se concede ou não o agrément a Daniel Perez.

Caso o aval seja concedido, ainda haverá outras formalidades antes da chegada oficial do novo embaixador.

Enquanto isso, permanece o cenário de tensão entre os dois governos.

A situação ganhou ainda mais peso depois da revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, medida que o governo Lula classificou como parte de uma escalada de ações hostis contra o Brasil.

Entenda o contexto

A indicação de Daniel Perez acontece em um momento de relação delicada entre os governos de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva.

Perez foi escolhido por Trump, passou pela sabatina e recebeu aprovação do Comitê de Relações Exteriores antes de ter o nome confirmado pelo plenário do Senado americano.

Agora, porém, o processo depende do Brasil.

O governo Lula ainda analisa o pedido de agrément, enquanto Washington cobra uma decisão e já adotou medidas de pressão diplomática.

Com a aprovação no Senado dos Estados Unidos, o próximo capítulo da disputa passa diretamente por Brasília.

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