A guerra chega aos herdeiros políticos da disputa pelo Planalto

A campanha presidencial começa a abrir uma nova frente de batalha. Nos bastidores, a avaliação é que filhos e familiares dos principais presidenciáveis serão incorporados ao embate como ativos eleitorais e, ao mesmo tempo, como alvos preferenciais de desgaste. O risco é que a política das narrativas ocupe o espaço reservado ao debate sobre os desafios econômicos do país.
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Com o acirramento da disputa nacional, a relação entre os filhos dos principais presidenciáveis tende a se tornar um dos eixos da campanha. A indicação de Alfredo Gaspar como vice na chapa de Flávio Bolsonaro carrega um significado que vai além do arranjo regional. Relator da CPMI do INSS, Gaspar assina o relatório que indiciou Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por quatro crimes. A escolha funciona como ponte simbólica entre o mandato de Lula e o escândalo que mais desgastou o Planalto neste ciclo.

Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Foto: Reprodução

Os pontos sensíveis do campo bolsonarista

A manobra também opera como cortina de fumaça para desviar o foco de dois pontos sensíveis do próprio campo bolsonarista. O primeiro é Eduardo Bolsonaro, apontado por setores da oposição como protagonista da articulação que levou os Estados Unidos a escalar tarifas comerciais contra produtos brasileiros, com efeito direto sobre exportadores e cadeias produtivas do país.

O segundo é a proximidade entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, banqueiro à frente do colapso do Banco Master, hoje preso e investigado pelo que se tornou um dos maiores rombos financeiros da história recente do sistema bancário nacional.

Flávio e Eduardo Bolsonaro nos EUA — Foto: Reprodução redes sociais

O debate sobre a economia

Se os marqueteiros de ambos os grupos mantiverem esse roteiro, o debate sobre soluções concretas tende a perder espaço. A taxa Selic, que pesa diretamente no bolso do eleitor, arrisca ficar em segundo plano diante de uma disputa cada vez mais movida por escândalos pessoais e embates morais amplificados nas redes.

É um padrão que se repete a cada ciclo eleitoral mais digitalizado: quanto mais a política se desloca para o ambiente virtual, menos espaço sobra para o debate estrutural sobre emprego, renda e poder de compra.

O impacto para a eleição

A economia, no entanto, segue como variável decisiva em qualquer eleição brasileira, e ninguém sabe disso melhor que Jair Bolsonaro, que sentiu esse efeito na própria pele.

Resta observar até onde vai essa estratégia e se o eleitorado vai aceitar que a campanha seja pautada pelos filhos, e não pelas propostas, enquanto os bastidores de Brasília seguem esquentando.

https://youtu.be/mE7ZdzG-c_o

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