Taxa das blusinhas pode voltar em setembro; entenda o que muda

Imposto de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 pode ser retomado se Congresso não aprovar medida provisória até 8 de setembro
Redação NC News
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Quem costuma fazer compras em sites internacionais precisa ficar atento: a “taxa das blusinhas” pode voltar a ser cobrada no Brasil em pouco mais de um mês.

O imposto de importação de 20% sobre compras de até US$ 50 foi zerado por uma medida provisória publicada em maio. A MP, porém, tem prazo para ser aprovada pelo Congresso e perde a validade em 8 de setembro.

Se o texto não for aprovado ou substituído por outra medida, a cobrança de 20% poderá voltar automaticamente a partir de 9 de setembro.

O que acontece se a MP não for aprovada?

A medida provisória ainda nem começou a ser analisada pelo Congresso. A comissão mista responsável por avaliar o texto não foi instalada.

Depois dessa etapa, a proposta ainda precisará passar pela Câmara dos Deputados e pelo Senado.

O calendário também aperta o prazo para a votação. Em agosto e setembro, o Senado terá períodos específicos de esforço concentrado entre os dias 10 e 14 de agosto e 31 de agosto e 3 de setembro.

Com isso, o governo terá pouco tempo para garantir a votação antes do fim da validade da medida.

Por que a indústria quer a volta do imposto?

Entidades como Fiemg, Fiesp e CNI defendem a retomada da cobrança.

O argumento é que a isenção do imposto federal deixa produtos vendidos por empresas estrangeiras em uma situação mais vantajosa em relação aos produtos fabricados no Brasil.

Segundo a Fiemg, as importações de produtos de baixo valor chegaram a R$ 2,6 bilhões em junho, primeiro mês completo sem a cobrança do imposto federal. O valor representa mais que o dobro do registrado no mesmo período de 2025.

As entidades defendem que produtos nacionais e importados tenham condições semelhantes de tributação.

Governo acompanha aumento das importações

O governo federal afirma que está monitorando o comportamento das compras internacionais e admite rever a política caso os números mostrem prejuízos para a indústria brasileira.

A equipe econômica também avalia os efeitos da medida sobre o mercado nacional e sobre a arrecadação.

Do outro lado, empresas de tecnologia e plataformas de comércio eletrônico defendem a manutenção da isenção. O argumento é que a medida aumenta a concorrência e permite que consumidores tenham acesso a uma variedade maior de produtos.

ICMS continua sendo cobrado

Mesmo com o imposto federal zerado, as compras internacionais não ficaram totalmente livres de impostos.

Os consumidores continuam sujeitos ao ICMS, cobrado pelos estados. As alíquotas variam entre 17% e 20%, dependendo do estado e das regras aplicáveis à compra.

Ou seja, mesmo durante o período de isenção do imposto de importação, uma compra internacional pode ter cobrança de tributos.

O que pode acontecer com as compras?

Se a MP perder a validade sem que outra medida mantenha a isenção, compras internacionais de até US$ 50 poderão voltar a pagar os 20% de imposto de importação a partir de 9 de setembro.

Na prática, uma compra de US$ 50, por exemplo, poderá ter US$ 10 de imposto de importação, além dos demais tributos aplicáveis.

O impacto final no preço depende também do ICMS e das regras da plataforma ou empresa responsável pela venda.

E depois de 2026?

Mesmo que a isenção seja mantida agora, existe outra mudança prevista para os próximos anos.

A partir de 2027, as compras internacionais de pequeno valor deverão voltar a ter tributação federal por meio do novo sistema criado pela reforma tributária sobre o consumo. A alíquota específica ainda será definida.

Por enquanto, a principal data para o consumidor é 9 de setembro.

Se o Congresso não aprovar a medida até 8 de setembro e nenhuma nova regra mantiver o benefício, a chamada “taxa das blusinhas” poderá voltar ao preço das compras internacionais.

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