Tarifaço: Brasil entra na lista dos países mais sobretaxados pelos EUA após nova tarifa de 37,5%

Governo norte-americano aplica alíquota adicional de 12,5% sob a alegação de falhas no combate ao trabalho forçado. Acúmulo de sanções atinge mais de US$ 10 bilhões em exportações do Brasil.
Redação NC News
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Entra em vigor nesta sexta-feira (24) a nova tarifa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A medida, anunciada ontem pela Casa Branca, soma-se à sobretaxa de 25% que já havia entrado em vigor na última quarta-feira (22).

Com a cumulatividade das sanções, milhares de itens fabricados no Brasil passarão a enfrentar uma tributação recorde de 37,5% para acessar o mercado norte-americano, colocando o país atrás apenas da China no ranking de parceiros comerciais mais sobretaxados por Washington.

O impacto na balança comercial

Segundo levantamento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), a nova alíquota afeta diretamente cerca de 3 mil produtos, o que representa US$ 12,5 bilhões anuais em exportações. Desse montante, a grande maioria (85,3%, ou US$ 10,7 bilhões) sofrerá a taxação máxima acumulada de 37,5%.

O etanol desponta como um dos principais alvos da ofensiva americana. Produtores dos EUA pressionaram o governo alegando perda de competitividade frente ao combustível brasileiro. Como o produto não entrou em nenhuma lista de exceção, arcará com a taxa cheia.

Outros produtos duramente afetados:

  • Polpa solúvel de alta pureza (celulose para fins têxteis);
  • Máquinas agrícolas e de mineração (tratores, escavadeiras);
  • Calçados, roupas novas e móveis de madeira;
  • Equipamentos eletrônicos e transformadores industriais.

O que escapou da sobretaxa (Lista de Exceção)

O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) poupou itens considerados estratégicos ou que já sofriam outro tipo de taxação, incluindo: aeronaves civis e componentes aeronáuticos, aço e alumínio, carne bovina, café, suco de laranja, petróleo bruto, minerais críticos, açúcar e itens de celulose comum.

O argumento do “Trabalho Forçado” e as reações

A nova taxação deriva de uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O governo dos EUA alega que o Brasil e outras dezenas de países falham ao não proibir efetivamente a importação de itens produzidos com trabalho escravo moderno, o que geraria concorrência desleal. O Brasil, no entanto, foi enquadrado na faixa mais alta da punição (12,5%), enquanto nações como Canadá e Reino Unido receberam alíquotas de 10%.

Durante as consultas públicas, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, contestou veementemente a decisão, argumentando que o Brasil possui leis rígidas e compromissos internacionais ativos para erradicar o trabalho análogo à escravidão.

Diante do risco de uma guerra comercial, a Amcham Brasil emitiu um alerta recomendando cautela ao governo brasileiro. A entidade defende a retomada de negociações diplomáticas e critica abertamente a possível adoção de medidas de “reciprocidade” (retaliação) por parte do Brasil, alertando que isso apenas agravaria o cenário para empresas e consumidores de ambos os países.

Não foi só o Brasil

Além do Brasil, outras dezenas de países também receberam a taxação extra. Confira a seguir, a lista completa de tarifas anunciadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).

Tarifa de 10%

  • Argentina
  • Bangladesh
  • Camboja
  • Canadá
  • Equador
  • El Salvador
  • União Europeia*
  • Guatemala
  • Honduras
  • Índia
  • Indonésia
  • Jordânia
  • Malásia
  • México
  • Paquistão
  • Sri Lanka
  • Taiwan*
  • Trinidad e Tobago
  • Reino Unido

Tarifa de 12,5%

  •  Argélia
  • Angola
  • Austrália
  • Bahrein
  • Brasil
  • Chile
  • China
  • Colômbia
  • Costa Rica
  • República Dominicana
  • Egito
  • Guiana
  • Hong Kong
  • Iraque
  • Israel
  • Japão*
  • Cazaquistão
  • Kuwait
  • Líbia
  • Marrocos
  • Nova Zelândia
  • Nicarágua
  • Nigéria
  • Noruega
  • Omã
  • Peru
  • Filipinas
  • Catar
  • Rússia
  • Coreia do Sul*
  • Arábia Saudita
  • Singapura
  • África do Sul
  • Suíça*
  • Tailândia
  • Bahamas
  • Turquia
  • Emirados Árabes Unidos
  • Uruguai
  • Venezuela
  • Vietnã

* Na tarifa de nação mais favorecida (NMF), o percentual anunciado já inclui a taxa padrão dos EUA. Nos demais casos, a nova tarifa é acrescentada ao imposto que já era cobrado.

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