Uma enfermeira foi agredida por uma paciente dentro de um hospital público do Distrito Federal na noite deste domingo (9). O caso aconteceu no Hospital Regional de Samambaia (HRSam) e, segundo a profissional, começou depois que ela orientou a mulher a procurar uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
A vítima é Gisella Souza Pereira, enfermeira que trabalha há 19 anos no HRSam e tem 21 anos de atuação na enfermagem. De acordo com o relato da profissional, a paciente havia chegado à unidade com queixas de mal-estar geral, dor abdominal leve e dor ao urinar.
Na ocasião, a clínica médica do hospital estava com a chamada “bandeira vermelha” para atendimento, indicando restrição no fluxo, e a paciente foi classificada como azul, categoria destinada a casos considerados de menor gravidade.
Por isso, Gisella informou que a mulher deveria procurar uma UPA.
Enfermeira diz ter levado vários golpes
Segundo o relato da profissional, após ser orientada a buscar outro serviço de saúde, a paciente pediu um documento que comprovasse sua passagem pelo hospital.
Gisella explicou que não poderia fornecer um atestado porque a mulher havia passado apenas pelo acolhimento e ainda não tinha sido consultada por um médico.
A paciente então pediu para fotografar a tela do computador. A enfermeira permitiu.
Em seguida, segundo Gisella, a mulher começou a filmá-la com o celular. A profissional pediu que não fosse gravada e, nesse momento, teria sido atacada.
A enfermeira afirmou ter recebido vários golpes no rosto, no pescoço, no tórax, nos braços e nas mãos.
“Os vigilantes perceberam tardiamente, porque não houve discussão nenhuma anterior”, relatou a profissional ao Metrópoles.
Polícia foi acionada
Após a agressão, a Polícia Militar foi chamada. A enfermeira e a paciente foram encaminhadas para a 26ª Delegacia de Polícia, em Samambaia.
A paciente foi identificada como Fernanda Rodrigues da Silva. Gisella registrou uma ocorrência sobre o caso.
Sindicato alerta para outros casos de violência
O episódio provocou reação do Sindicato das Enfermeiras e dos Enfermeiros do Distrito Federal (SindEnf-DF).
Em nota divulgada nesta segunda-feira (10), a entidade afirmou que a agressão voltou a acender o alerta sobre a segurança dos profissionais que trabalham no Hospital Regional de Samambaia.
Segundo o sindicato, outras duas profissionais também foram agredidas recentemente na unidade.
A entidade afirmou ainda que o hospital já registrou situações envolvendo a entrada de usuários com armas de fogo e armas brancas.
O SindEnf-DF cobrou providências da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, incluindo o reforço das medidas de segurança e a recomposição das equipes diante do déficit de profissionais de enfermagem na rede pública.
A entidade também informou que Gisella foi acolhida pelo Setorial de Mulheres do sindicato.
Secretaria de Saúde ainda não se manifestou
Procurada sobre a agressão e as medidas de segurança adotadas no hospital, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal ainda não havia se manifestado até a publicação da reportagem.
O espaço permanece aberto para manifestação da pasta.
O caso ocorre em meio a uma preocupação recorrente com episódios de violência contra profissionais da saúde, especialmente em unidades públicas de atendimento, onde enfermeiros, médicos e outros trabalhadores estão na linha de frente do contato com pacientes e acompanhantes.