DF já fez 319 transplantes em 2026, mas quase 2 mil pessoas ainda aguardam na fila

No Dia Nacional da Doação de Órgãos, dados mostram que rim e córnea concentram a maior demanda; 38 pacientes esperam atualmente por um novo coração.
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Enquanto o Distrito Federal celebra centenas de transplantes realizados neste ano, 1.902 pessoas ainda aguardavam por um órgão ou uma córnea até 31 de agosto. A maior demanda está entre pacientes que precisam de um rim, mas a lista também reúne dezenas de pessoas à espera de um novo coração. Os números ganham destaque neste domingo (27), Dia Nacional da Doação de Órgãos. De janeiro a maio, 319 transplantes foram realizados na rede pública do DF, segundo o Painel InfoSaúde. A continuidade dos procedimentos depende, entre outros fatores, da disponibilidade de doadores e da compatibilidade com quem aguarda na lista.
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Rim concentra maior fila por transplante no DF

Dados da Secretaria de Saúde mostram que 991 pessoas aguardavam por um transplante de rim no Distrito Federal. Outras 830 estavam na fila por uma córnea, 43 esperavam por um fígado e 38 precisavam de um novo coração. A espera não é determinada apenas pela ordem de entrada na lista. Na distribuição dos órgãos, são considerados fatores como urgência clínica, compatibilidade sanguínea, tamanho adequado do órgão e tempo de espera.

Família tem papel decisivo na doação

Para quem deseja ser doador, uma das atitudes mais importantes é comunicar essa vontade à família. No Brasil, a doação de órgãos após a morte depende da autorização familiar. O cardiologista Hugo Faria destaca que conversar sobre o assunto antecipadamente pode facilitar uma decisão que acontece em um momento de luto. Para o médico, os familiares precisam receber informações, ter suas dúvidas esclarecidas e ser respeitados durante todo o processo. A autorização pode permitir que órgãos de uma pessoa beneficiem pacientes que aguardam por transplantes. Ainda assim, cada caso passa por avaliação médica para determinar quais órgãos podem ser doados e quais receptores apresentam compatibilidade.

Um ano internado até receber um novo coração

A dimensão da espera aparece na história de Adalberto Souza da Anunciação, hoje com 33 anos. Ele recebeu um transplante de coração em 5 de fevereiro de 2025, depois de passar cerca de um ano internado à espera de um órgão compatível. Os primeiros sinais do problema surgiram com mal-estar e fraqueza. Após procurar atendimento e realizar exames, Adalberto foi orientado a buscar um cardiologista porque seu coração estava aumentado. Ele passou por diferentes internações até receber a informação de que seu coração estava muito fraco e que não poderia voltar para casa antes de passar pelo transplante. A cirurgia foi realizada no Instituto de Cardiologia e Transplantes do Distrito Federal (ICTDF). Segundo Adalberto, a recuperação tem evoluído bem. Ele continua utilizando medicamentos, voltou ao trabalho e retomou planos interrompidos durante a doença.

Vida após o transplante exige acompanhamento

Receber um órgão não encerra o tratamento. Depois da cirurgia, o paciente precisa manter acompanhamento médico regular e utilizar medicamentos para reduzir o risco de rejeição. Também são necessários cuidados para prevenir infecções. Com a recuperação e a liberação da equipe responsável pelo tratamento, muitos transplantados conseguem retomar o trabalho, atividades físicas e outras tarefas do cotidiano. Em 2025, a rede pública do Distrito Federal realizou 38 transplantes de coração. Neste ano, enquanto novos procedimentos continuam sendo realizados, outras 38 pessoas permaneciam na lista à espera do órgão até o levantamento mais recente.

Como manifestar o desejo de ser doador

Não basta apenas ter o desejo de doar. Como a autorização da família é necessária após a morte, especialistas recomendam que a decisão seja conversada previamente com parentes próximos. O Dia Nacional da Doação de Órgãos busca justamente ampliar essa discussão. Para as 1.902 pessoas que aguardavam por órgãos e córneas no Distrito Federal, a autorização de uma família pode representar a possibilidade de deixar a fila e começar uma nova etapa da vida.
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