Grupo neonazista planejava explodir Palácio do Planalto

Investigação da Polícia Civil do Distrito Federal identificou grupos com centenas de integrantes que compartilhavam instruções sobre explosivos e discutiam ataques durante o segundo turno das eleições.
Redação NC News
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Uma investigação da Polícia Civil do Distrito Federal identificou grupos que planejavam, pela internet, atentados contra políticos e prédios públicos em Brasília. Entre os alvos citados nas conversas estava o Palácio do Planalto.

Os integrantes também discutiam a fabricação de explosivos, ataques contra instituições e ações violentas que poderiam ocorrer durante o debate entre candidatos do segundo turno das eleições.

As conversas foram monitoradas com apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Os investigadores identificaram dois grupos no Telegram, sendo um deles com mais de 600 integrantes.

Palácio do Planalto era alvo de atentato terrorista de grupo neonazista

Grupo restrito reunia integrantes radicalizados

Segundo a investigação, os participantes que demonstravam maior disposição para ações violentas eram direcionados a um grupo mais restrito, formado por 46 pessoas.

Nesse espaço, de acordo com as autoridades, as conversas deixavam de tratar apenas de discursos e passaram a incluir instruções sobre a fabricação de artefatos explosivos e coquetéis Molotov.

Alessandro Barreto, coordenador da Ciberlab

Os integrantes também discutiam quantidades de materiais e custos necessários para realizar os ataques. Uma das mensagens monitoradas afirmava que os participantes deveriam listar os principais alvos para garantir o que chamavam de “sucesso da revolução”.

Em outra conversa, os integrantes mencionaram a intenção de explodir o local onde seria realizado o debate entre os candidatos do segundo turno.

Planta do Palácio do Planalto foi compartilhada

O Palácio do Planalto aparece como um dos principais alvos identificados pelos investigadores.

Segundo o delegado responsável pelo caso, os integrantes chegaram a compartilhar mapas de ministérios, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal.

A investigação também identificou o compartilhamento de uma planta baixa do Palácio do Planalto, usada nas conversas para discutir possíveis formas de entrada e saída do edifício.

De acordo com as autoridades, o objetivo não seria apenas provocar danos materiais, mas realizar ataques em Brasília para transmitir uma mensagem de caráter antidemocrático ao restante do país.

Grupos disseminavam conteúdo neonazista

Além do planejamento de atos violentos, os investigadores encontraram mensagens de ideologia neonazista, misoginia e incentivo à violência.

Um dos grupos utilizava uma imagem de Adolf Hitler como foto de perfil.

Grupo que planejou atentado ao Planalto tinha caráter neonazista – imagem ilustrativa

Um relatório do Ciberlab, laboratório especializado em crimes cibernéticos do Ministério da Justiça, classificou o conteúdo como de elevado grau de periculosidade, apontando planejamento de ataques com explosivos e disseminação de discursos extremistas.

Segundo o Ministério da Justiça, o laboratório produziu 103 relatórios sobre mais de 50 grupos de ódio somente em 2026.

Oito cidades tiveram buscas

Na terça-feira (4), a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão em oito cidades de cinco estados.

Computadores e celulares foram apreendidos e serão analisados pelos investigadores.

Os suspeitos são investigados pelos crimes de associação criminosa, apologia e distribuição de material nazista e incitação ao crime.

As autoridades afirmam que a investigação continua para identificar todos os envolvidos e verificar até que ponto os planos discutidos na internet poderiam ser efetivamente executados.

“O sentimento do extremismo será sempre contra o pluralismo. E nós todos, democratas, cidadãos, temos que estar vigilantes em relação a isso”, afirmou o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva.

Entenda o contexto

A investigação ocorre em meio ao aumento da preocupação das autoridades brasileiras com grupos extremistas que utilizam plataformas digitais para radicalização, organização e disseminação de discursos de ódio. Segundo o Ministério da Justiça, o monitoramento desses ambientes busca identificar quando manifestações virtuais ultrapassam o discurso e passam a envolver planejamento concreto de crimes.

No caso investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal, a apuração deverá avançar principalmente a partir da análise dos dispositivos apreendidos. O objetivo é verificar a identidade e a participação de cada investigado, além de determinar se houve aquisição de materiais, preparação logística ou outras medidas para colocar os ataques discutidos nas conversas em prática.

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