Papa Leão XIV envia condolências às vítimas do Terremoto e convoca jovens à reconstruírem a Igreja

Papa Leão XIV expressa solidariedade às vítimas do terremoto e incentiva a juventude a fortalecer a Igreja.
Redação NC News
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Papa Leão XIV envia condolências às vítimas do terremoto na Colômbia e, quase ao mesmo tempo, pede aos jovens em Assis que assumam um papel ativo na reconstrução da Igreja. A resposta ao desastre natural e o apelo espiritual se cruzam e dão o tom da atuação do pontífice nesta semana.

Telegrama após 132 mortos e catedral ferida

O terremoto de magnitude 7,4 que atinge o oeste da Colômbia mata ao menos 132 pessoas, fere 570 e devasta cidades inteiras. Entre os símbolos atingidos está a Catedral Basílica de Nossa Senhora do Rosário, em Manizales, com 119 metros de altura, que sofre rachaduras e o colapso parcial de uma torre lateral.

Diante do cenário, o Papa envia um telegrama de condolências, assinado pelo secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, ao arcebispo de Cartagena e presidente da conferência episcopal colombiana, dom Francisco Javier Múnera Correa. Na mensagem, o pontífice expressa luto, proximidade e oração pelas vítimas e por quem trabalha nos resgates.

“O Santo Padre está profundamente entristecido ao saber da dolorosa notícia do terremoto que afetou gravemente várias áreas da Colômbia, causando vítimas fatais e numerosos feridos, bem como graves danos materiais, incluindo a muitas igrejas”, diz o texto. O papa pede que suas condolências cheguem “às famílias que, nesta hora de profunda dor, lamentam a perda de seus entes queridos”.

Papa envia condolências à vítimas do terremoto

Autoridades locais concentram as buscas no município de San José del Palmar, no departamento de Chocó, na costa do Pacífico. Equipes civis e eclesiais avaliam, em paralelo, o impacto sobre paróquias e santuários que funcionam como centros de assistência social e cultural.

Assis: juventude franciscana e um chamado à reconstrução

Enquanto a Colômbia contabiliza mortos, feridos e desabrigados, o Papa participa do Encontro da Juventude Franciscana em Assis. Em um dos momentos mais aguardados, responde à pergunta do jovem italiano Luigi, 22, que o questiona sobre como amar a Igreja diante de suas feridas, contradições e crises.

Leão XIV recorre à figura de São Francisco de Assis, que recebe de Cristo o chamado para “restaurar” uma Igreja em ruínas. Para o pontífice, a frase continua atual e descreve o tempo presente. Ele insiste que a tarefa não cabe só a hierarcas e especialistas, mas a todo batizado, em qualquer estado de vida.

Papa convoca jovens à reconstruírem a igreja

“Cada um de nós tem um papel neste canteiro de obras sempre aberto; temos diferentes responsabilidades e vocações. Mas caminhemos juntos, inspirando-nos uns aos outros, ajudando-nos e corrigindo-nos mutuamente. É importante fazermos a nossa parte”, afirma, diante de milhares de jovens.

O papa contrapõe modelos de poder à lógica do serviço. “Não dominar, mas servir; não agarrar, mas receber; não reter, mas retribuir. É a vida de Deus que restaura a Igreja e a torna um povo livre, um lugar de respiro e salvação”, diz, ao descrever o que espera de quem permanece na instituição apesar dos escândalos.

Tragédia colombiana vira metáfora de feridas espirituais

A sobreposição de eventos — o luto colombiano e o encontro com jovens em Assis — amplia o alcance das palavras do Papa. A destruição física de igrejas, como a catedral de Manizales, ganha imediata leitura simbólica: assim como templos desabam, a própria Igreja sofre rachaduras internas, de credibilidade e confiança.

Leão XIV insiste que a reconstrução passa por duas frentes inseparáveis. Na Colômbia, fala em oração e consolo, mas respalda a ação das dioceses que já organizam arrecadações, frentes de acolhida e planos de restauração de templos. Em Assis, lembra que a comunidade cristã precisa também refazer laços partidos por abusos, omissões e polarizações.

O impacto social do terremoto atinge em cheio regiões pobres, como o departamento de Chocó, onde a presença da Igreja costuma suprir a falta de Estado com escolas, postos de saúde improvisados e projetos de solidariedade. A perda de prédios paroquiais não é apenas estética: desestrutura redes locais de proteção e apoio.

Em seu discurso, o papa aponta exatamente para esse tipo de presença. Fala de uma Igreja menos preocupada em mandar e mais empenhada em servir, sobretudo em áreas vulneráveis da América Latina. A ideia de “canteiro de obras sempre aberto” mira tanto as paredes rachadas de Manizales quanto as feridas morais que afastam fiéis em todo o continente.

Convocação global e eco no mundo lusófono

As mensagens desta semana reforçam o perfil de Leão XIV como um líder jovem, de linha conservadora em doutrina, mas disposto a se aproximar de periferias e de quem fala português, especialmente no Brasil. O pontífice cita com frequência comunidades brasileiras em encontros públicos e estimula católicos do país a se engajarem em campanhas de ajuda.

A partir das palavras de Assis, pastorais sociais, organismos humanitários e grupos de juventude tendem a ganhar protagonismo tanto na resposta imediata ao terremoto quanto na lenta reconstrução das cidades colombianas. A presença de franciscanos e leigos engajados na região já oferece uma base para ações de médio e longo prazo.

O papa projeta uma saída que combina solidariedade concreta, reconhecimento de erros e compromisso com reformas internas. Ao chamar jovens como Luigi a amar uma Igreja ferida, sem ingenuidade, ele aposta na capacidade de uma nova geração de cristãos de transformar luto em responsabilidade compartilhada, na Colômbia, no Brasil e além.

Os próximos meses devem mostrar até que ponto a convocação se traduz em recursos, voluntariado e mudanças reais na vida das comunidades atingidas. Em Assis, o recado está dado: a reconstrução não será obra de um único pontífice, mas de um povo inteiro disposto a servir.

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