As equipes de emergência da Colômbia correm contra o tempo para localizar pessoas que ainda podem estar vivas sob os escombros deixados pelo terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o país na segunda-feira (10). O tremor é considerado o mais intenso registrado na Colômbia na última década e provocou uma onda de destruição em diferentes regiões.
Até a manhã desta quarta-feira (12), pelo menos 224 mortes haviam sido registradas. O número de vítimas, porém, ainda pode aumentar à medida que os socorristas avançam sobre prédios e estruturas que desabaram.
A prioridade das equipes neste momento é localizar sinais de vida antes que as condições dos escombros e o tempo reduzam ainda mais as possibilidades de resgate.

Como os microfones ajudam nas buscas?
Uma das estratégias utilizadas pelos socorristas é o emprego de microfones especiais introduzidos nos escombros.
Os equipamentos permitem que as equipes tentem identificar sons que dificilmente seriam percebidos em meio ao concreto, ao aço retorcido e à movimentação das operações.
Em Cali, o jornalista Wilson Barco, da CNN, relatou que os equipamentos conseguiram captar gemidos e pancadas vindos debaixo dos destroços. O silêncio passa a ser fundamental para que esses sinais sejam identificados.
Na prática, os socorristas precisam reduzir o barulho de máquinas, veículos e pessoas para aumentar a possibilidade de detectar qualquer som produzido por alguém preso.
Quando um possível sinal é identificado, a operação muda de ritmo. A retirada dos escombros passa a ser feita com extremo cuidado para evitar novos desabamentos e impedir que a própria operação coloque a vítima em risco.
Buscas acontecem dia e noite
Os trabalhos de resgate estão concentrados principalmente em Cali e Pereira, duas das áreas afetadas pelo terremoto.
Equipes dos Corpos de Bombeiros de Cali, Jamundí e Bogotá trabalham em turnos permanentes, mantendo as buscas durante o dia e a noite. Equipamentos especializados são utilizados para monitorar estruturas e tentar encontrar pessoas que possam estar presas.
Além dos equipamentos eletrônicos, os socorristas contam com métodos tradicionais, como cães farejadores, ferramentas para remoção de concreto e escavação manual em pontos considerados mais delicados.

A operação exige cuidado porque as estruturas atingidas podem continuar instáveis. Uma movimentação aparentemente pequena pode provocar o deslocamento de toneladas de concreto.
Por isso, localizar uma vítima é apenas o primeiro passo. Depois de identificar um possível sobrevivente, os profissionais precisam determinar a melhor maneira de chegar até ele sem provocar um novo desabamento.
Mulher é encontrada viva após 36 horas
Em meio à tragédia, as equipes já conseguiram realizar resgates que renovam a esperança de encontrar outras pessoas com vida.
Em Pereira, Daniela Largo Sanchez foi retirada dos escombros após passar 36 horas soterrada. Ela estava em um hotel que desabou durante o terremoto.
O resgate contou com a atuação conjunta do Corpo de Bombeiros e de uma unidade especializada em operações de emergência e desastres. Depois de retirada dos destroços, Daniela foi encaminhada para atendimento médico em um hospital da cidade.
O caso mostra por que as equipes continuam procurando possíveis sobreviventes mesmo depois de horas ou dias do terremoto.
Segundo informações divulgadas no decorrer das operações, mais de 40 pessoas ainda eram procuradas em Pereira.
Por que o silêncio é tão importante?
Durante uma busca convencional, o barulho das máquinas pode ajudar a retirar grandes volumes de entulho rapidamente. Em uma operação para encontrar sobreviventes, porém, o excesso de ruído pode dificultar a identificação de uma pessoa presa.
Por isso, quando existe a possibilidade de alguém estar vivo em determinado ponto, os socorristas podem interromper temporariamente máquinas e pedir silêncio às pessoas próximas.
Nesse momento, os microfones especializados entram em ação.
A intenção é captar pequenos sinais que indiquem que existe alguém naquele local.
Uma pancada, um gemido ou outro ruído pode ser suficiente para que a equipe delimite uma área de busca e comece uma retirada mais cuidadosa dos materiais.
Corrida contra o tempo aumenta
A passagem das horas torna o trabalho ainda mais complexo.
Pessoas presas sob estruturas destruídas podem enfrentar ferimentos, falta de água, dificuldade para respirar, poeira, temperaturas extremas e outras condições perigosas. Ainda assim, resgates com vida podem ocorrer mesmo depois de períodos prolongados.
Especialistas em desastres destacam que as chances de sobrevivência variam muito de acordo com a situação de cada vítima, incluindo a gravidade dos ferimentos, a existência de espaços protegidos entre os destroços e o acesso a ar e água.
Por isso, cada sinal detectado pelos equipamentos pode representar uma nova oportunidade de salvamento.
Terremoto provocou centenas de mortes
O terremoto de magnitude 7,4 atingiu a Colômbia na segunda-feira (10) e provocou graves danos estruturais.
Os números divulgados pelas autoridades ainda são atualizados conforme as equipes conseguem acessar regiões atingidas. Além das mortes, milhares de pessoas ficaram feridas e centenas de estruturas foram destruídas ou danificadas.
Pereira e Cali estão entre as cidades que concentram operações de emergência.
A dimensão do desastre também levou o governo colombiano a organizar uma resposta nacional, enquanto equipes trabalham para atender feridos, localizar desaparecidos e fornecer abrigo às pessoas que perderam suas casas.
Ajuda internacional chega à Colômbia
A operação de emergência também recebeu apoio de outros países.
A União Europeia anunciou € 2 milhões para ajudar as comunidades afetadas pelo terremoto. Estados Unidos e Peru também enviaram assistência à Colômbia.
A Organização das Nações Unidas alertou ainda para a importância da distribuição de alimentos nos próximos dias, principalmente para comunidades que ficaram isoladas ou tiveram suas casas destruídas.
Moradores de áreas próximas ao epicentro relataram dificuldades para receber ajuda e encontrar locais seguros para dormir.
O que acontece agora?
As buscas continuam enquanto houver possibilidade de localizar sobreviventes.
Os socorristas devem manter o trabalho nos locais onde existem indícios de pessoas desaparecidas, utilizando equipamentos especializados, cães, máquinas e escavação manual.
O desafio é equilibrar velocidade e segurança.
Quanto mais rapidamente uma vítima é localizada, maiores podem ser as possibilidades de atendimento. Ao mesmo tempo, a retirada dos escombros precisa ser feita com cautela para evitar que novas estruturas desabem sobre os próprios resgatistas ou sobre pessoas que ainda estejam vivas.
A operação deve continuar nos próximos dias, principalmente nas áreas onde ainda existem pessoas desaparecidas.
ENTENDA O CONTEXTO
O terremoto de magnitude 7,4 atingiu a Colômbia na segunda-feira (10) e desencadeou uma grande operação de emergência. O tremor deixou centenas de mortos e milhares de feridos, além de provocar o desabamento de prédios e outras estruturas.
Em Cali e Pereira, equipes especializadas trabalham na tentativa de localizar pessoas que possam ter ficado presas sob os destroços.
Uma das ferramentas utilizadas são microfones especiais capazes de captar sons em meio aos escombros. Gemidos e pancadas podem indicar a presença de sobreviventes e orientar os socorristas sobre onde concentrar os esforços.
O resgate de Daniela Largo Sanchez, encontrada viva após 36 horas soterrada, aumentou a esperança das equipes e das famílias que continuam aguardando notícias de parentes desaparecidos.
Enquanto as buscas prosseguem, a Colômbia recebe apoio internacional e enfrenta o desafio de atender milhares de pessoas afetadas pelo desastre.