Nesta quarta-feira (12), o senador Cleitinho concedeu uma entrevista exclusiva ao NC News e falou sobre o cenário político de Minas Gerais para as eleições de 2026. Em uma conversa direta, o parlamentar comentou a aproximação com Marcelo Aro, revelou detalhes dos bastidores de sua pré-candidatura ao governo do estado, falou sobre o impacto da morte do irmão caçula em sua decisão de disputar a eleição e respondeu às acusações de uma possível tentativa de barrar sua candidatura. Cleitinho também apresentou suas prioridades para Minas e deixou uma mensagem ao eleitor mineiro.
Ao falar sobre o momento pessoal e político que atravessa, o senador afirmou que, mesmo ainda vivendo o luto, decidiu seguir na disputa após receber manifestações de apoio de eleitores mineiros.
Uma nova relação com Marcelo Aro após as disputas de 2022
Um dos temas abordados na entrevista foi a aproximação entre Cleitinho e Marcelo Aro. Em 2022, os dois estiveram em lados opostos na disputa eleitoral e protagonizaram críticas públicas durante a campanha. Quatro anos depois, Aro passou a apoiar a candidatura de Cleitinho ao governo de Minas.
Questionado sobre o que mudou na relação entre os dois e se houve uma mudança de opinião de alguma das partes, Cleitinho afirmou que não vê problema em rever posições.
Segundo o senador, as críticas de Aro foram constantes durante a campanha de 2022, mas ele decidiu perdoar depois que o adversário pediu desculpas.
“Eu não tenho problema nenhum de mudar de opinião”, afirmou Cleitinho. Segundo ele, a aproximação aconteceu depois de um pedido de perdão feito por Marcelo Aro. “Eu sigo o mandamento que Jesus ensinou, de perdoar. Ele me pediu perdão, eu perdoei. Segue o jogo”, declarou.
Cleitinho também afirmou que está disposto a construir alianças com quem estiver disposto a defender os interesses de Minas Gerais.
“Se for a favor de Minas, quem quiser alinhar comigo aqui para defender o povo, eu estou à disposição”, disse.
Luto pela morte do irmão mudou os planos da pré-campanha
A entrevista também foi marcada pelo relato de Cleitinho sobre a morte de seu irmão caçula, ocorrida recentemente. O episódio coincidiu justamente com o período em que o senador planejava apresentar oficialmente sua pré-candidatura ao governo de Minas.
Segundo Cleitinho, a estratégia inicial era fazer o anúncio após a Copa do Mundo. Ele havia combinado com o partido que apresentaria a candidatura depois da final do torneio, prevista para um domingo.
O planejamento, porém, foi interrompido pela morte do irmão no sábado anterior à final. O enterro aconteceu no domingo.
“Não tinha clima nenhum para eu poder lançar minha candidatura”, afirmou.
O senador contou ainda que, durante a convenção partidária realizada na mesma semana, havia combinado que não participaria presencialmente do evento, mas que deixaria a ata aberta.
Na sequência, integrantes da estrutura partidária avaliaram que Cleitinho havia perdido o momento político para apresentar a candidatura. O senador, entretanto, decidiu reagir publicamente e apresentar sua própria versão.
“Eu fui para a praça, fui também mostrar o meu lado, a minha defesa também”, relatou. “eu sou um soldado ferido, mas vou para a guerra assim mesmo”
A perda familiar também fez Cleitinho questionar a própria disposição para entrar em uma disputa eleitoral de grande porte.
O senador afirmou que chegou a se perguntar se estava emocionalmente preparado para enfrentar uma campanha ao governo de Minas naquele momento.
“Qualquer ser humano tem sentimento, tem emoção”, afirmou. “Às vezes eu prefiro chorar do que roubar.”
Cleitinho disse que, diante do luto, chegou a considerar se estava “100%” para disputar a eleição. Foi nesse contexto que publicou um vídeo colocando em dúvida a continuidade da candidatura.
A reação da família e, principalmente, de eleitores, segundo o senador, contribuiu para que ele mudasse de posição.
“Deus foi mais forte, tocou o coração, meu coração, da população mineira, que me pediu para eu ser candidato”, declarou.
Na entrevista, Cleitinho resumiu o atual momento político e pessoal com uma frase que se tornou um dos principais pontos de sua fala:
“Eu estou um soldado ferido, mas eu vou para a guerra assim mesmo.”
Propostas para Minas Gerais e a tentativa de barrar sua candidatura
O senador também afirmou que prefere apresentar ao eleitor um político que demonstra sentimentos e transparência.
“A população prefere um homem que tem sentimento, que é verdadeiro, que é transparente, como eu sou, do que um político corrupto e ladrão”, afirmou.
Outro ponto da entrevista foi a denúncia feita pelo senador sobre uma possível tentativa de impedir sua candidatura por meio do chamado “tapetão”.
Cleitinho afirmou ter tomado conhecimento, por meio de informações divulgadas pela imprensa, de que adversários poderiam recorrer à Justiça para tentar questionar sua elegibilidade depois da oficialização da candidatura.
O senador, porém, ressaltou que não sabe exatamente quem estaria por trás de uma eventual iniciativa.
“Eu queria muito que esses homens fossem homens de verdade e falassem por qual motivo”, afirmou.
Cleitinho disse ainda que não poderia apontar nomes porque as informações chegaram por meio de relatos de bastidores publicados na imprensa.
“Não tem como eu te falar quem que é, porque isso veio pela imprensa”, explicou.
Segundo ele, o processo de elaboração do plano de governo está em andamento e a expectativa é avançar para a oficialização da candidatura.
Saúde, segurança e educação são tratadas como obrigação de governo
Ao falar sobre as prioridades para Minas Gerais, Cleitinho evitou escolher apenas uma área entre saúde, segurança, educação e infraestrutura.
Para o senador, esses setores representam o básico que qualquer governo deveria garantir à população.
“Em campanha, gente, o que mais você vai ouvir o político falar é isso: saúde, segurança e educação, que é o básico”, afirmou.
Na avaliação apresentada por Cleitinho, o principal problema estaria na forma como os recursos públicos são administrados.
Ele citou impostos estaduais, como ICMS e IPVA, e defendeu que o dinheiro arrecadado seja direcionado efetivamente para os serviços públicos.
“Cabe a mim pegar o orçamento desse dinheiro e cuidar desse dinheiro”, afirmou.
O senador também prometeu escolher uma equipe técnica para ajudá-lo na administração estadual.
“Eu vou colocar as melhores pessoas do meu lado, os melhores secretários, para a gente poder administrar esse Estado”, declarou.
A proposta apresentada durante a entrevista é concentrada na fiscalização dos recursos públicos e na defesa de que o dinheiro arrecadado retorne à população por meio de serviços.
Ao final da entrevista exclusiva ao NC News, Cleitinho deixou uma mensagem diretamente ao eleitor de Minas Gerais.
O senador afirmou que não pretende se apresentar como alguém capaz de resolver sozinho os problemas do estado e colocou a responsabilidade também sobre a própria população.
“Eu não sou o salvador. O salvador foi só Jesus Cristo”, declarou.
Na sequência, afirmou que o papel de um governante deve ser administrar os recursos públicos de maneira justa e evitar que o Estado se torne um obstáculo para a vida dos cidadãos.
“Quem vai mudar a sua vida não é o político, quem vai mudar a sua vida é você. Eu, como político, tenho que fazer é não atrapalhar a sua vida”, afirmou.
Cleitinho afirmou que, caso chegue ao governo de Minas, pretende concentrar sua atuação na administração do orçamento e na distribuição dos recursos para áreas como saúde, segurança, educação e infraestrutura.
Ao encerrar, o senador resumiu o projeto que pretende apresentar ao eleitor mineiro em 2026:
“Um governo justo, o povo se alegra. É isso que eu vou ser, um governo justo.”
Assista a entrevista na íntegra: