A piscicultura vem ganhando cada vez mais espaço no Amazonas, mas os produtores precisam enfrentar um inimigo que muitas vezes não é percebido a olho nu: os parasitas que podem comprometer o desenvolvimento dos peixes e causar prejuízos à produção. Uma estratégia desenvolvida pela Embrapa utiliza probióticos para ajudar a controlar esse problema de forma segura e sustentável.
Na piscicultura Sagrada Família, em Rio Preto da Eva, no interior do Amazonas, são 14 tanques distribuídos em 11 hectares de lâmina d’água. A propriedade produz cerca de 250 toneladas de tambaqui por ano e aposta em cuidados constantes com a qualidade da água e o desenvolvimento dos animais.
Entre as medidas adotadas está o uso de probióticos, que ajudam a melhorar o ambiente onde os peixes vivem. Segundo os produtores, a estratégia trouxe mudanças perceptíveis no manejo e também contribuiu para o ganho de peso dos tambaquis.
Como funciona o controle dos parasitas?
O acompanhamento dos peixes é feito mensalmente por meio da biometria. O procedimento permite avaliar o tamanho e o peso dos animais e verificar se o desenvolvimento está dentro do esperado.
Quando o crescimento fica abaixo do esperado durante um período de dois ou três meses, alguns peixes são analisados para identificar possíveis problemas, como a presença de parasitas.
Um dos principais desafios é o acantocéfalo, um verme que se instala no intestino do tambaqui. A infestação pode prejudicar a absorção dos nutrientes, afetar o crescimento e, em casos mais graves, levar o peixe à morte.
Probiótico ajuda a melhorar o ambiente dos peixes
A estratégia desenvolvida pela Embrapa utiliza um probiótico aplicado diretamente na água dos viveiros. O produto se espalha pelo ambiente e atua sobre a matéria orgânica presente na água, contribuindo para melhorar as condições do local onde os peixes vivem.
A qualidade da água é considerada um dos principais pontos para manter a saúde dos animais e garantir uma produção adequada.
Além do controle ambiental, o monitoramento constante permite identificar mais rapidamente sinais de doenças ou alterações no desenvolvimento dos peixes.
Parasita oferece risco para quem come o peixe?
Apesar de prejudicar a criação, o acantocéfalo não é considerado uma zoonose e não é transmitido para os seres humanos pelo consumo do peixe.
O principal impacto está relacionado à produção. A presença do parasita pode comprometer o desenvolvimento do tambaqui e gerar prejuízos econômicos para os produtores.
Por isso, a identificação precoce e o cuidado com o ambiente dos viveiros são importantes para manter a produtividade e a qualidade dos animais destinados ao mercado.
Tecnologia ajuda a fortalecer a piscicultura no Amazonas
A experiência mostra como pesquisa, manejo e tecnologia podem trabalhar juntos para enfrentar desafios da produção de peixes.
Com o acompanhamento do crescimento, cuidados com a água e uso de novas estratégias, os produtores buscam reduzir os impactos dos parasitas e garantir que os tambaquis cheguem ao peso adequado para comercialização.
A reportagem sobre a piscicultura foi exibida no NC News Acontece, dentro do NC Agro, apresentado por Carol Brazil.
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ENTENDA O CONTEXTO
A piscicultura é uma atividade importante para a economia do Amazonas e tem o tambaqui entre as principais espécies produzidas na região. Para manter a produtividade, os criadores precisam controlar fatores como qualidade da água, alimentação, crescimento e ocorrência de parasitas.
Nesse cenário, o uso de probióticos aparece como uma estratégia de manejo voltada à melhoria do ambiente dos viveiros. Aliado ao monitoramento periódico dos peixes, o método pode ajudar os produtores a identificar problemas mais cedo e reduzir impactos na produção.