Oposição protocola pedido de impeachment de Alexandre de Moraes no Senado

Denúncia apresentada pelo líder da oposição na Câmara acusa ministro do STF de crime de responsabilidade por suposta violação ao sigilo da fonte jornalística
Redação NC News
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A oposição na Câmara dos Deputados protocolou nesta quarta-feira (12) um novo pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A denúncia foi apresentada pelo deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), líder da Oposição na Câmara, e encaminhada ao presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre.

No documento, a oposição acusa Moraes de crime de responsabilidade e sustenta que medidas determinadas pelo ministro teriam resultado na identificação de uma fonte jornalística a partir da análise de equipamentos apreendidos de um jornalista. Para os autores da denúncia, a conduta teria atingido garantias constitucionais relacionadas ao sigilo da fonte e à liberdade de imprensa.

A representação pede que o Senado receba a denúncia, instaure o processo e apure a atuação do ministro. Caso a acusação seja julgada procedente, o pedido requer a perda do cargo e a inabilitação para o exercício de função pública por oito anos.

Pedido é baseado em investigação sobre fonte de jornalista

Segundo a denúncia, o caso é um desdobramento de uma operação realizada em março de 2026 contra o jornalista Luís Pablo Conceição Almeida. Na ocasião, equipamentos utilizados pelo jornalista no exercício profissional foram apreendidos. A oposição afirma que o material posteriormente analisado teria permitido aos investigadores identificar Raimundo Soares Cutrim como fonte de informações publicadas pelo jornalista.

A representação afirma que, em agosto, Cutrim passou a ser alvo de uma nova medida de busca e apreensão determinada por Moraes. Segundo o documento, a sequência dos acontecimentos demonstra que informações encontradas nos equipamentos do jornalista foram utilizadas para chegar à pessoa apontada como sua fonte.

A denúncia sustenta que essa atuação teria violado o artigo 5º, inciso XIV, da Constituição Federal, que garante o acesso à informação e resguarda o sigilo da fonte quando necessário ao exercício profissional. O documento também cita entendimentos do próprio Supremo Tribunal Federal sobre a proteção constitucional da atividade jornalística.

Operação envolveu reportagem sobre Flávio Dino

Raimundo Cutrim foi apontado pela Polícia Federal como fonte do jornalista Luís Pablo em reportagens sobre o suposto uso de veículos oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares do ministro Flávio Dino. A operação contra Cutrim foi autorizada por Alexandre de Moraes, após pedido da Polícia Federal e parecer favorável da Procuradoria-Geral da República.

A investigação também alcançou o advogado Diogo Diniz Lima. Segundo a Polícia Federal, foram encontradas conversas entre ele e o jornalista, além de uma transferência de R$ 100 mil que passou a ser investigada para verificar eventual relação com publicações de interesse do grupo ligado a Cutrim.

Moraes determina investigação contra fonte de jornalista em reportagem sobre Flávio Dino

Entidades de imprensa contestam operação

Após a operação, entidades do setor manifestaram preocupação com a preservação do sigilo da fonte. Associações de imprensa afirmaram que medidas judiciais destinadas a identificar fontes jornalísticas podem ameaçar a liberdade de imprensa e defenderam a proteção prevista no artigo 5º da Constituição.

A assessoria de Flávio Dino, por outro lado, negou que tenha ocorrido uso irregular de veículo oficial do Tribunal de Justiça. Segundo a manifestação, o carro blindado utilizado pelo ministro havia sido cedido dentro de um acordo de cooperação, enquanto a investigação apura também um suposto monitoramento clandestino do ministro e de seus familiares.

O que acontece agora

O pedido protocolado pela oposição será encaminhado ao Senado, que tem competência constitucional para processar e julgar ministros do Supremo Tribunal Federal por crimes de responsabilidade. A apresentação da denúncia, entretanto, não significa a abertura automática de um processo de impeachment.

Protocolado impeachment de Moraes por quebra do sigilo da fonte ataque direto a impresa brasileira.

A oposição pede que a denúncia seja recebida e que seja instaurado o procedimento para apurar os fatos, com formação de comissão especial, apresentação de defesa e produção de provas. O resultado dependerá da tramitação e da análise do caso dentro do Senado Federal.

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