Era hora do almoço em uma escola municipal de Ribeirão das Neves, na Grande BH, quando uma situação de emergência interrompeu a rotina dos alunos. Emanuele Martins Soares, de apenas 7 anos, estava à mesa, comendo arroz e feijão tropeiro, quando passou mal. A menina teria se engasgado e, mesmo depois de receber atendimento de funcionários da escola e de equipes de saúde, morreu.
Emanuele tinha autismo nível 1 de suporte. No ambiente escolar, contava com uma profissional de apoio para acompanhá-la durante as atividades pedagógicas. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, porém, ela tinha autonomia para realizar tarefas do cotidiano e conseguia se alimentar sozinha.
A criança não fazia uso de alimentação especial e não precisava de auxílio direto para comer. Mesmo assim, de acordo com a prefeitura, o momento da refeição era acompanhado por diferentes profissionais da escola.
A secretária municipal de Educação, Dolores Kicila Alves Carlos, reforçou que a menina não estava sem supervisão quando passou mal.
“A criança Emanuele era uma criança independente e autônoma, mas ainda assim era acompanhada no momento da refeição por vários profissionais da escola”, afirmou a secretária.
Socorro começou dentro da escola
A situação foi percebida pelos funcionários assim que Emanuele começou a apresentar sinais de que havia algo errado. Os profissionais iniciaram as tentativas de desengasgo e buscaram ajuda médica.
Uma médica que estava de plantão em um posto de saúde localizado nas proximidades da escola também foi chamada para prestar atendimento à criança. Paralelamente, o Samu foi acionado.
Segundo a Prefeitura de Ribeirão das Neves, a equipe do serviço de emergência chegou aproximadamente 15 minutos depois do chamado. Os procedimentos para tentar salvar a menina continuaram por cerca de 40 minutos.
Durante o atendimento, os socorristas conseguiram retirar um fragmento de alimento. O representante técnico da prefeitura, William Silva de Paula, confirmou a existência de algo bloqueando as vias aéreas, mas explicou que não poderia afirmar qual alimento provocou o problema.
“Foi retirado um pedaço de alimento. Provavelmente que o incidente aconteceu foi isso. Agora eu não sei te falar qual o alimento que foi retirado, porque eu não fui eu que prestei o atendimento para criança, mas havia um alimento bloqueando”, disse.
E é justamente esse ponto que ainda precisa ser esclarecido pela investigação. Apesar da suspeita de engasgo, somente a perícia poderá determinar com segurança a causa da morte.
Comoção entre professores
A tragédia provocou forte reação entre os profissionais que conheciam Emanuele. A menina era descrita como uma criança afetuosa e que tinha facilidade para demonstrar carinho.
Uma professora que já havia trabalhado com Emanuele contou que os abraços faziam parte do jeito espontâneo da menina.
“Ela gostava de dar um abraço, é muito carinhosa. (…) Muito triste. Em 20 anos de carreira, eu nunca vi uma situação tão triste como essa.”, conta
A morte de Emanuele deixou a comunidade escolar abalada e levantou questionamentos sobre a sequência de acontecimentos durante o almoço e sobre o atendimento prestado depois que a menina passou mal.
Polícia Civil e prefeitura investigam
A Polícia Civil foi chamada e realizou a perícia para reunir elementos que possam ajudar a esclarecer o caso.
Além do trabalho policial, a Prefeitura de Ribeirão das Neves determinou a abertura de uma sindicância. A apuração administrativa deve analisar as circunstâncias da ocorrência e verificar como foi feito o acompanhamento da criança, quais profissionais estavam no local e quais medidas foram adotadas desde o momento em que Emanuele apresentou os primeiros sinais de emergência.
Por enquanto, a hipótese de engasgo é a principal linha considerada. O fato de um pedaço de alimento ter sido retirado durante o atendimento reforça essa possibilidade, mas não é suficiente, sozinho, para estabelecer a causa oficial da morte.
A resposta definitiva deverá vir dos exames periciais.