Entenda as cobranças judiciais e operações que afetam Nelson Wilians

Escritório enfrenta ações por débitos de aluguel e investigações por irregularidades fiscais em grandes cidades.
Redação NC News
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O escritório Nelson Wilians Advogados, um dos maiores do país, enfrenta nesta semana cobrança judicial por aluguéis atrasados em Campinas e em São Paulo, ao mesmo tempo em que segue na mira de operações policiais por suspeitas de fraudes financeiras e sonegação de impostos.

As ações de despejo e cobrança, somadas às investigações criminais, expõem a gestão financeira e a reputação da banca, que administra centenas de milhares de processos e mantém estrutura espalhada por todos os estados.

Disputa milionária em Campinas e cobrança em São Paulo

Em Campinas, o Nelson Wilians Advogados firma contratos para quatro conjuntos no Galleria Corporate, mas deixa de pagar o primeiro aluguel devido, de R$ 63,1 mil, além de IPTU e condomínio. A inadimplência leva a uma ação de despejo e posterior condenação ao pagamento de custas e honorários, com valor de causa que ultrapassa R$ 1,5 milhão.

Embora o processo de despejo seja extinto após a devolução das chaves ainda no fim do ano passado, a discussão sobre quanto o escritório deve em honorários continua em tramitação. Em paralelo, os aluguéis atrasados são discutidos em ações específicas, e o débito total com as locadoras em Campinas chega a R$ 378 mil.

Galleria Corporate

Na capital paulista, o impasse envolve o 17º andar do Centro Empresarial Nações Unidas, na zona sul, parte do complexo onde está a sede nacional da banca. Seis empresas proprietárias das salas alegam falta de pagamento de aluguéis e despesas condominiais, em contrato com aluguel mensal de R$ 38,3 mil.

As locadoras apontam atrasos em vários meses, com acúmulo de dívida superior a R$ 148,6 mil. Após negociação recente, as partes fecham acordo, e o escritório paga cerca de R$ 150 mil para encerrar a disputa, segundo pessoas envolvidas nas tratativas.

Reorganização de espaços e pressão sobre a imagem

O sócio-diretor Santiago Schunck afirma que a desocupação do 17º andar integra um redesenho dos espaços físicos do escritório, iniciado no ano passado e ainda em andamento. A matriz continua instalada no 25º andar do mesmo prédio, na zona sul de São Paulo, onde o atendimento a clientes segue normalmente.

Em nota, Schunck sustenta que os conflitos com os locadores decorrem de divergências pontuais sobre cláusulas contratuais e não de crise estrutural. “Nesse processo, algumas situações específicas exigiram ajustes pontuais, que estão sendo tratados individualmente, com cuidado e responsabilidade, na busca pelas soluções mais adequadas em cada caso”, afirma.

Santiago Andre Schunck é sócio e head do Núcleo de Direito Penal Estratégico do Nelson Wilians Advogados.

O advogado insiste na imagem de regularidade institucional da banca. “NWADV reafirma seu compromisso com a legalidade, a ética, a transparência, a conformidade e a segurança jurídica em todas as suas relações”, diz, ao comentar os litígios e as investigações que cercam o grupo.

Apesar da tentativa de controle de danos, os números pesam sobre a percepção de mercado. Somados, os valores em disputa por aluguéis atrasados em Campinas e São Paulo superam R$ 526 mil, sem contar a conta de custas processuais e honorários, que já ultrapassa R$ 1,5 milhão no interior paulista.

Escritório na mira da PF por fraudes bilionárias

Enquanto briga com locadores, o Nelson Wilians Advogados também responde ao cerco de autoridades federais. O escritório é alvo de operações que investigam supostos descontos indevidos em benefícios do INSS e um amplo esquema de sonegação de ICMS, ambos com cifras bilionárias.

Em uma das frentes, a Polícia Federal apura um conjunto de operações financeiras consideradas suspeitas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf. Entre 2019 e 2024, o órgão identifica movimentações que somam R$ 4,3 bilhões ligadas ao entorno do escritório, associadas à investigação sobre fraudes contra aposentados e pensionistas.

Outra operação, deflagrada no mês passado, mira um esquema de sonegação de ICMS que, segundo as autoridades, pode ultrapassar R$ 3,8 bilhões. Os investigadores suspeitam do uso de estruturas jurídicas e empresariais para reduzir artificialmente o pagamento do imposto em diferentes estados.

Nelson Wilians é investigado por fraude e é envolvido em apostas

Mandados de busca e apreensão são cumpridos em endereços ligados ao escritório e ao fundador, com recolhimento de documentos, equipamentos e bens de alto valor. Em depoimento a uma comissão parlamentar que investiga fraudes no INSS, Nelson Wilians nega ter participado de qualquer esquema ilícito e diz colaborar com todas as apurações.

Impacto sobre mercado jurídico e próximos passos

Os casos de inadimplência em aluguéis e as operações policiais colocam o Nelson Wilians Advogados sob um nível de escrutínio raro para um escritório de grande porte. Locadores e fornecedores passam a olhar com mais cautela para contratos com a banca, enquanto a exposição pública pressiona a relação com clientes corporativos e instituições financeiras.

Na prática, os litígios por aluguéis devem elevar ainda mais o custo fixo do escritório, com a soma de juros, custas e honorários e a necessidade de renegociar contratos imobiliários. No campo criminal e administrativo, as investigações podem resultar em bloqueio de bens, novas medidas cautelares e ações penais contra pessoas físicas e jurídicas ligadas ao grupo.

O setor jurídico observa o caso como um teste para os mecanismos de controle interno em escritórios de grande escala. Práticas de compliance, governança e transparência em honorários e contratos passam a ser cobradas com mais rigor, tanto por autoridades quanto por clientes que administram grandes volumes de processos.

O escritório, por sua vez, tenta mostrar normalidade operacional, mantém sua estrutura nacional e aposta em acordos pontuais para reduzir o passivo imediato. O desfecho das disputas por aluguéis e das operações policiais, porém, ainda é incerto e tende a se arrastar nos próximos meses, com potencial de redefinir o peso da banca no mercado jurídico brasileiro.

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