Uma miniantena da Starlink foi apreendida por policiais penais dentro do Complexo de Gericinó, no Rio de Janeiro, em uma ação contra a entrada de equipamentos e materiais proibidos em presídios. O dispositivo estava escondido dentro de um rádio enviado pelos Correios para um detento do Bangu 4.
A apreensão aconteceu na quarta-feira (12), durante uma inspeção com scanner de raio X. Segundo a Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen), imagens do equipamento chamaram a atenção dos agentes, que realizaram uma verificação mais detalhada da encomenda.
O Bangu 4 é uma das unidades do complexo e abriga integrantes do Comando Vermelho. O detento que receberia a antena foi transferido para o Bangu 1 e colocado em isolamento.
Como a Starlink foi encontrada?
A antena chegou ao presídio dentro de um rádio encaminhado pelos Correios.
Durante a passagem da encomenda pelo scanner, os policiais identificaram elementos que levantaram suspeitas. A embalagem foi então aberta na presença do preso que aparecia como destinatário.
Dentro do equipamento estava escondida uma miniantena Starlink.
A Seppen informou que utiliza scanners e outros recursos tecnológicos para reforçar a fiscalização de encomendas e visitantes nas unidades prisionais.
A tentativa de entrada do equipamento foi impedida antes que ele chegasse às mãos do detento.

Por que uma antena Starlink dentro de um presídio chama atenção?
A Starlink é um serviço de internet via satélite. O equipamento encontrado no presídio poderia permitir uma conexão independente da infraestrutura convencional de telecomunicações disponível no local.
No contexto de uma unidade prisional, a apreensão ganha importância porque a comunicação clandestina pode dificultar o controle das atividades dos internos e facilitar contatos externos.
A Secretaria de Polícia Penal afirma que as ações de fiscalização têm justamente o objetivo de impedir que itens proibidos entrem nas unidades e sejam utilizados para atividades ilícitas ou para facilitar a comunicação de organizações criminosas.
Preso que receberia equipamento foi levado para isolamento
Após a descoberta da antena, o interno que receberia a encomenda foi transferido para a Penitenciária Laércio da Costa Pellegrino, o Bangu 1.
Segundo a Seppen, ele permaneceu em isolamento.
A medida faz parte da resposta das autoridades à tentativa de entrada do equipamento e permite que o caso seja investigado com maior controle dentro do sistema prisional.
Drogas também foram encontradas no Bangu 4
A operação de fiscalização encontrou ainda aproximadamente 160 gramas de entorpecentes no Bangu 4.
A droga estava escondida nas partes íntimas de uma visitante e foi localizada durante a passagem pelo scanner corporal.
A mulher foi encaminhada para a 34ª Delegacia de Polícia, em Bangu, e autuada em flagrante por tráfico de drogas.
O preso que receberia o material também foi levado para o Bangu 1, onde ficou em isolamento.
Polícia apreende 31 celulares no Bangu 2
As apreensões não ficaram restritas ao Bangu 4.
No Presídio Alfredo Tranjan, o Bangu 2, os agentes encontraram 31 celulares e aproximadamente 300 papelotes de drogas.
A unidade é destinada à custódia de presos ligados ao Terceiro Comando Puro (TCP).
As ocorrências foram registradas na 34ª DP.
O que a operação revela sobre o controle dos presídios?
O volume e a variedade dos materiais apreendidos mostram um dos principais desafios enfrentados pelas autoridades penitenciárias: impedir que tecnologia, celulares e drogas cheguem aos presos.
Além da fiscalização de visitantes, os agentes precisam controlar encomendas e correspondências destinadas aos internos.
No caso da Starlink, a tentativa chamou atenção pela forma utilizada para esconder o equipamento dentro de um objeto aparentemente comum.
A Seppen afirma que vem ampliando o uso de tecnologia e procedimentos de fiscalização para dificultar a entrada de itens proibidos nas unidades.
Bangu 4 e Bangu 2 abrigam integrantes de facções diferentes
As duas unidades envolvidas nas apreensões fazem parte do Complexo de Gericinó, mas recebem integrantes de diferentes organizações criminosas.
O Bangu 4 abriga presos ligados ao Comando Vermelho, enquanto o Bangu 2 é destinado a integrantes do Terceiro Comando Puro.
Por isso, as apreensões realizadas nas duas unidades também estão inseridas em uma estratégia mais ampla de combate à atuação de organizações criminosas dentro do sistema penitenciário.
O que acontece agora?
As ocorrências foram encaminhadas para investigação policial.
O caso envolvendo a antena Starlink deverá esclarecer quem enviou o equipamento, qual seria sua finalidade e se havia outras pessoas envolvidas na tentativa de entrada no presídio.
As demais apreensões também serão investigadas pelas autoridades responsáveis.
A Secretaria de Polícia Penal informou que mantém fiscalização constante nas unidades para impedir irregularidades praticadas por internos, visitantes ou servidores.
ENTENDA O CONTEXTO
A Polícia Penal do Rio de Janeiro interceptou uma miniantena Starlink que seria entregue a um detento do Bangu 4, no Complexo de Gericinó.
O equipamento estava escondido dentro de um rádio enviado pelos Correios e foi identificado durante uma inspeção com scanner.
No mesmo conjunto de ações, agentes apreenderam cerca de 160 gramas de drogas no Bangu 4 e encontraram 31 celulares e aproximadamente 300 papelotes de drogas no Bangu 2.
As duas unidades abrigam presos ligados a diferentes facções criminosas.
A apreensão da antena chama atenção porque envolve uma tecnologia de internet via satélite dentro de uma unidade prisional, em um contexto no qual as autoridades tentam impedir comunicações clandestinas e outras atividades ilícitas.