Uma família de missionários entrou na mira da Polícia Civil de Mato Grosso após investigadores apontarem que visitas religiosas a presídios teriam sido utilizadas para manter contatos com integrantes do Comando Vermelho (CV).
Rhavenna Barcelos de Almeida e os pais, os pastores Nivaldo e Orminda de Almeida, são investigados por suposta ligação com a organização criminosa. Segundo a polícia, o grupo teria se aproveitado da autorização para prestar assistência religiosa dentro de unidades prisionais para se aproximar de detentos apontados como integrantes ou lideranças da facção.
A investigação aponta ainda que os suspeitos teriam transmitido mensagens, cedido contas bancárias para movimentações financeiras e ajudado a ocultar recursos que, segundo os investigadores, estariam relacionados ao tráfico de drogas.
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Visitas religiosas entram no centro da investigação
A família fazia parte de um grupo autorizado pelo governo de Mato Grosso a prestar assistência religiosa dentro de unidades prisionais.
Foi justamente a utilização desse acesso que chamou a atenção dos investigadores. A Polícia Civil passou a apurar uma denúncia sobre uma possível ligação dos três familiares com o Comando Vermelho.
De acordo com a investigação, as visitas à Penitenciária Central do Estado, em Cuiabá, teriam permitido que os suspeitos mantivessem contato com detentos apontados como integrantes da organização criminosa.
A apuração faz parte da chamada Operação Fariseus, que investiga o uso da atividade religiosa como possível instrumento de comunicação e apoio a integrantes da facção.
Polícia encontrou registros de dinheiro e armas
Materiais obtidos durante a investigação, com autorização judicial, incluem conversas, imagens, vídeos e áudios.
Segundo os investigadores, parte desse material indicaria proximidade entre Rhavenna e integrantes do Comando Vermelho. A polícia também afirma ter encontrado registros em que a investigada aparece com armas, dinheiro, joias e veículos de luxo.
A suspeita é de que a estrutura financeira também tenha sido utilizada para movimentações relacionadas ao grupo criminoso.
Os investigadores afirmam que os pais de Rhavenna também teriam participado das atividades sob apuração, principalmente por meio do acesso aos estabelecimentos prisionais e de movimentações financeiras.
As responsabilidades individuais de cada investigado ainda são objeto da apuração.
Investigação cita liderança conhecida como Batman
Um dos nomes que aparecem no inquérito é Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como Batman.
Segundo a Polícia Civil, ele é apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso e cumpria pena na mesma penitenciária frequentada pela família.
Em setembro de 2024, Batman recebeu autorização para cumprir a pena no regime semiaberto. Dias depois, porém, teria rompido a tornozeleira eletrônica e fugido para o Rio de Janeiro.
A investigação afirma que Rhavenna mantinha contato frequente com ele e teria conhecimento de seu paradeiro.
Mensagens teriam revelado contato com o Rio
Segundo os investigadores, mensagens analisadas durante a apuração incluiriam compartilhamento de localização e conversas relacionadas a operações policiais no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.
A polícia também afirma que Rhavenna e Batman mantinham um relacionamento amoroso e que ela teria viajado ao Rio para encontrá-lo.
Ainda de acordo com a investigação, despesas relacionadas a momentos de lazer teriam sido custeadas pelo grupo criminoso.
Um Porsche avaliado em aproximadamente R$ 600 mil, exibido por Rhavenna nas redes sociais, também teria ligação com Batman, segundo os investigadores.
Outras visitantes também são investigadas
A apuração não se restringiu à família.
A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) também investigou outras mulheres que entravam em presídios para prestar assistência religiosa.
Segundo a polícia, algumas delas teriam mantido relacionamentos com traficantes e apresentado informações falsas durante depoimentos.
Algumas suspeitas chegaram a ser indiciadas por falso testemunho, mas as acusações ainda dependem da análise das autoridades competentes e do andamento dos processos.
Investigação busca descobrir extensão do esquema
O caso levanta suspeitas sobre como integrantes de organizações criminosas poderiam utilizar atividades autorizadas dentro do sistema penitenciário para manter comunicação com pessoas do lado de fora.
A investigação tenta identificar quais mensagens teriam sido transmitidas, quais valores foram movimentados e qual seria a participação de cada um dos envolvidos.
Até o momento, as informações divulgadas são baseadas nas apurações da Polícia Civil e não representam uma condenação judicial.
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Entenda O Contexto
A Polícia Civil de Mato Grosso investiga três integrantes de uma família de missionários — Rhavenna Barcelos de Almeida e os pastores Nivaldo e Orminda de Almeida — por suspeita de ligação com o Comando Vermelho. Os três faziam parte de um grupo autorizado a prestar assistência religiosa em unidades prisionais. Segundo os investigadores, esse acesso teria sido utilizado para manter contato com integrantes da facção, transmitir mensagens e realizar movimentações financeiras.
A investigação também aponta uma possível relação entre Rhavenna e Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como Batman e apontado pela polícia como uma das lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso. A apuração afirma que os dois mantinham contato frequente e que Rhavenna teria conhecimento do paradeiro dele após uma fuga do regime semiaberto. Conversas, imagens, vídeos e áudios obtidos com autorização judicial estão entre os materiais analisados pelos investigadores.
Outras mulheres que frequentavam presídios para atividades religiosas também entraram na apuração. Algumas são suspeitas de manter relacionamentos com traficantes e de apresentar informações falsas à polícia. As suspeitas ainda estão sob investigação e deverão ser analisadas pela Justiça.
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