Casas Bahia fecha 298 lojas e demite 3 mil; veja cidades afetadas

Rede varejista reduz significativamente sua presença física e realiza cortes expressivos de pessoal para focar no comércio digital.
Redação NC News
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A Casas Bahia começa a encerrar 298 lojas físicas em todo o país e promove até 3 mil demissões, em uma das maiores reestruturações já vistas na rede.

O movimento atinge quase 30% das pouco mais de mil unidades do grupo, que também controla Pontofrio, Bartira e o site Extra.com.br. As demissões ganham força entre ontem e hoje, com efeitos imediatos sobre funcionários, fornecedores e consumidores.

Demissões em massa e portas fechadas

Relatos de diversas cidades indicam que funcionários encontram as lojas fechadas ao chegar para trabalhar, sem aviso prévio para o público. O grupo não detalha oficialmente a lista de unidades desativadas, mas confirma internamente um plano agressivo de corte de despesas e enxugamento da operação física.

Na quinta-feira, cerca de 600 empregados são desligados. Para hoje, a estimativa fica entre 1,3 mil e 1,4 mil cortes adicionais, o que pode levar o total de demissões a até 3 mil pessoas. “Trata-se de uma das maiores reduções de quadro feita na história recente da Casas Bahia”, descreve a Gazeta do Povo.

As dispensas atingem principalmente lojas de rua e pontos com desempenho fraco, segundo pessoas próximas às negociações. Em muitas cidades menores, essas unidades funcionam como principal referência local para compra de eletrodomésticos, móveis e eletrônicos, o que amplia o impacto social do fechamento.

Prejuízos bilionários e pressão financeira

A decisão vem na esteira de prejuízos bilionários recorrentes e de um cenário de crédito mais apertado, com famílias endividadas e menos dispostas a parcelar compras de maior valor. Só no primeiro trimestre, o grupo registra prejuízo próximo de 1,1 bilhão de reais, mais que o dobro do verificado um ano antes. Em todo o ano anterior, a perda líquida gira em torno de 3 bilhões de reais.

VEJA resume o contexto: “A nova rodada de cortes ocorre em meio à reestruturação financeira da companhia”. A rede já havia reduzido 26 lojas nos 12 meses encerrados em março, entre unidades das bandeiras Casas Bahia e Pontofrio, e fecha o ano passado com 1.042 pontos físicos, contra 1.064 no ano anterior.

O grupo passa por recuperação extrajudicial recentemente, envolvendo cerca de 4 bilhões de reais em obrigações. Parte dessas dívidas é convertida em títulos, com 1,56 bilhão de reais antecipado em uma das séries, enquanto outro bloco é reescalonado para aliviar o caixa. A reestruturação em curso aprofunda esse movimento de ajuste.

Do balcão para a tela: aposta no digital

Enquanto reduz a presença nas ruas, a Casas Bahia tenta acelerar a migração para o comércio eletrônico. No primeiro trimestre, as vendas digitais de produtos próprios crescem 26%, enquanto o faturamento das lojas físicas encolhe 1,8%. A receita bruta consolidada sobe 6,4%, para 8,8 bilhões de reais, com margem bruta de 30,3%.

A empresa reforça plataformas como o marketplace, que reúne lojistas parceiros, e serviços complementares como Casas Bahia Pay e a estrutura logística CBfull. O site Extra.com.br segue integrado a essa estratégia, assim como a fabricante de móveis Bartira, que abastece parte do sortimento vendido tanto nas lojas físicas quanto na internet.

Para sustentar a virada digital e ganhar fôlego, a companhia vem alongando prazos de pagamento a fornecedores e atrasando repasses a lojistas do marketplace. As negociações envolvem também ajustes em pagamentos via Pix, numa tentativa de melhorar o chamado ciclo financeiro, período entre a compra do estoque e o recebimento do cliente.

Consumidores, cidades e mercado em alerta

O fechamento das 298 lojas redesenha o mapa do varejo físico de eletrodomésticos no Brasil. Em diversas regiões, sobretudo fora dos grandes centros, a saída da Casas Bahia reduz a concorrência e limita o acesso do consumidor ao crediário tradicional, ainda importante para famílias com pouco acesso a cartão de crédito e bancos.

Em bairros populares, a loja de rua faz mais do que vender geladeiras e televisores: funciona como ponto de referência, porta de entrada para serviços financeiros e até espaço de convivência. O desligamento de até 3 mil trabalhadores pressiona o desemprego local e tende a aumentar a demanda por programas sociais e recolocação profissional.

Concorrentes do varejo físico, como redes regionais e lojas independentes, podem ganhar espaço nas cidades onde a companhia sai de cena. No comércio eletrônico, porém, a disputa permanece acirrada, com gigantes do setor e plataformas estrangeiras avançando sobre o consumidor brasileiro.

Silêncio oficial e expectativa por explicações

A companhia mantém silêncio público até o momento, apesar de questionamentos de veículos como Gazeta do Povo e VEJA. A divulgação dos resultados do segundo trimestre, adiada para esta sexta-feira à tarde, torna-se o principal momento esperado pelo mercado para entender o alcance do plano e seu cronograma.

“O prejuízo no primeiro trimestre de 2026 foi de quase 1,1 bilhão de reais, mais que o dobro do registrado um ano antes”, lembra VEJA, ao destacar a gravidade da situação financeira. A teleconferência com analistas, marcada para a próxima segunda-feira, deve detalhar metas de redução de custos, novas rodadas de renegociação com credores e o plano para as lojas que permanecem abertas.

Sindicatos e entidades trabalhistas preparam reações, com expectativa de mobilizações e tentativas de negociação para minimizar o impacto social dos cortes. Fornecedores e lojistas parceiros avaliam o risco de calotes e atrasos mais longos, enquanto investidores observam se a reestruturação consegue deter a sequência de prejuízos.

A maneira como a Casas Bahia conduz essa transição, entre o balcão físico e o carrinho virtual, tende a servir de termômetro para todo o varejo brasileiro. Se o plano conseguir estabilizar o caixa sem destruir relações com clientes, funcionários e parceiros, pode virar referência. Se falhar, reforçará o alerta de que a pressão sobre as grandes redes ainda está longe do fim.

Quantas lojas a Casas Bahia fechou recentemente?

A Casas Bahia fecha 298 lojas físicas em todo o Brasil, movimento que representa quase 30% de uma rede de pouco mais de mil unidades e configura a maior redução de pontos de venda da companhia em um único ciclo, concentrada em poucos dias e com impacto imediato no varejo de eletrodomésticos.

Quantos funcionários foram demitidos com o fechamento das lojas Casas Bahia?

Até 3 mil funcionários podem ser demitidos com o fechamento de 298 lojas da Casas Bahia, incluindo cerca de 600 desligamentos registrados na quinta-feira e entre 1,3 mil e 1,4 mil cortes concentrados nesta sexta-feira, numa das maiores reduções de quadro da história recente da varejista.

Quais estados foram mais afetados pelo fechamento das lojas Casas Bahia?

Os fechamentos atingem unidades da Casas Bahia em todo o território nacional, mas a empresa não divulga a lista detalhada por estado, o que impede apontar oficialmente quais regiões concentram mais cortes; relatos indicam impacto forte em cidades menores e em bairros populares de grandes centros.

Por que a Casas Bahia decidiu fechar 298 lojas?

A decisão de fechar 298 lojas vem da combinação de prejuízos bilionários recorrentes, com perda de quase 1,1 bilhão de reais só no primeiro trimestre, alto endividamento do grupo, consumo enfraquecido por famílias muito endividadas e a necessidade de reduzir custos fixos e ajustar o fluxo de caixa.

Como o fechamento das lojas Casas Bahia impacta os consumidores?

O fechamento de 298 lojas reduz a oferta de pontos físicos para compra de eletrodomésticos, móveis e eletrônicos, especialmente em cidades menores, limita o acesso ao crediário tradicional, obriga parte dos clientes a migrar para o canal digital e diminui a concorrência local, o que pode pressionar preços e prazos.

O que a Casas Bahia informou sobre o futuro das lojas restantes?

Até o momento, a Casas Bahia não detalha publicamente um plano específico para as lojas que permanecem abertas, mas indica, por seus movimentos, foco em fortalecer a operação digital, renegociar dívidas, reduzir despesas e concentrar a rede física em pontos considerados mais rentáveis, tema que deve ser explicado na teleconferência com o mercado.


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