Kassab diz que Centrão apoia Lula e vê Flávio com chance zero

Gilberto Kassab comenta o apoio do Centrão a Lula e avalia as chances eleitorais de Flávio Bolsonaro.
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Gilberto Kassab, presidente do PSD e candidato a vice na chapa de Ronaldo Caiado, afirma que o Centrão está com Lula e que Flávio Bolsonaro tem “chance zero” de chegar à Presidência. O dirigente projeta um forte desgaste do senador quando a campanha entrar em fase mais agressiva.

Kassab mira Flávio e reposiciona o Centrão

A declaração ocorre em plena corrida eleitoral e mexe com o tabuleiro em Brasília. Kassab sustenta que, apesar do silêncio público de parte dos caciques, o bloco conhecido como Centrão já se alinha ao projeto de reeleição de Lula, esvaziando o espaço de Flávio Bolsonaro.

Na quinta-feira (13), em entrevista durante agenda de campanha, Kassab disse que o desempenho atual de Flávio se apoia em uma blindagem momentânea.

“Na hora em que o jogo começar, em que o PT mostrar quem é o Flávio, as pessoas no entorno dele, ele vai desabar”, afirma o presidente do PSD.

Gilberto Kassab é vice de Caiado nas Eleições de 2026

O Centrão reúne partidos médios e grandes, com bancadas robustas na Câmara e no Senado, historicamente decisivos em votações e formação de maioria. Qualquer movimento coordenado desse grupo altera a correlação de forças, sobretudo em uma disputa presidencial acirrada.

Blindagem artificial e cálculo eleitoral

Para Kassab, a candidatura de Flávio Bolsonaro só se sustenta porque ainda não sofreu o bombardeio que costuma marcar as semanas mais quentes de campanha. Ele fala em “preservação artificial” e prevê que o PT vai concentrar esforços em expor o passado do senador e de seus aliados mais próximos.

Esse cálculo embute mais do que rivalidade pessoal. Kassab opera como articulador veterano, com trânsito em praticamente todos os campos políticos; foi ministro, comanda um partido de porte médio e agora se apresenta como vice em uma chapa competitiva, a de Ronaldo Caiado. Ao apontar o Centrão ao lado de Lula, ele tenta desenhar um cenário de isolamento progressivo para Flávio.

Kassab espera pelo bombardeio petista e queda brusca de Flávio às vésperas

O discurso também serve para valorizar o próprio PSD, que busca consolidar espaço na negociação por ministérios, emendas e presidências de comissões. Se o diagnóstico de Kassab se confirmar, partidos que hoje flertam com a candidatura de Flávio podem acelerar a migração para a base governista, em troca de influência em um eventual próximo mandato de Lula.

Impacto nas alianças e na campanha

A fala de que a chance de vitória de Flávio é “zero” funciona como recado direto ao mercado político. Prefeitos, governadores e empresários que ainda testam cenários passam a considerar o risco de apostar em um candidato sem apoio do Centrão, bloco que controla bilhões de reais em emendas e cargos estratégicos.

Esse movimento tende a reforçar o entorno de Lula e a de Ronaldo Caiado, que disputa o Planalto com o apoio de Kassab. A aproximação de lideranças do Centrão com o PT pode facilitar votações importantes no Congresso durante a campanha, em temas como orçamento, obras de infraestrutura e programas sociais.

Entre aliados de Flávio Bolsonaro, o discurso é outro. A avaliação inicial é que Kassab tenta criar um fato político para desidratar o senador antes do horário eleitoral e pressionar indecisos. A tendência é de reação: intensificação de viagens, aparições em programas de TV e redes sociais e ataques dirigidos ao histórico de Lula e de figuras do Centrão, apontadas como símbolos da velha política.

Quem ganha e quem perde com o Centrão pró-Lula

Na prática, um Centrão alinhado ao governo fortalece partidos como PT e PSD, que ampliam acesso a recursos e tempo de TV. Prefeitos em busca de verbas para obras e programas locais também tendem a se beneficiar, ao se conectar a uma base governista mais ampla e estável.

Flávio Bolsonaro perde lastro e capacidade de formar uma coligação robusta. Sem o respaldo de bancadas numerosas, enfrenta mais dificuldades para mobilizar palanques estaduais e financiar uma campanha nacional competitiva. A aposta passa a ser na força do sobrenome e na memória do bolsonarismo, hoje pressionado por novas alianças em formação.

Centrão não oficializa, mas a bússula dos bastidores aponta para o horizonte petista

Setores econômicos que apostavam na repetição da polarização direta entre Lula e o bolsonarismo precisam recalibrar estratégias. Um cenário com Lula fortalecido pelo Centrão e um Flávio fragilizado pode abrir espaço para negociações mais previsíveis no Congresso, mas também aumentar a dependência do governo em relação a chefes partidários acostumados a trocar apoio por cargos e orçamento.

Disputa atual desenha o próximo Congresso

A disputa pelo apoio do Centrão não se limita à eleição presidencial. O bloco mira a composição do próximo Congresso e a fatia de poder que terá em um eventual novo governo. Cada movimento em direção a Lula ou a outras candidaturas pesa na escolha de lideranças da Câmara e do Senado, no comando da pauta legislativa e na repartição de comissões estratégicas.

Para Kassab, anunciar hoje o alinhamento do Centrão a Lula ajuda a empurrar indecisos e acelerar adesões. Para Flávio Bolsonaro, o desafio imediato é provar o contrário: mostrar força em eventos de campanha, apresentar apoios de peso e resistir ao desgaste quando, como prevê Kassab, “o jogo começar”. O ritmo dessa batalha define não só quem chega ao segundo turno, mas como será a governabilidade a partir do próximo mandato.

Carregar Comentários