O Datafolha registra uma nova pesquisa eleitoral em São Paulo para medir o fôlego de candidatos ao governo, Senado e Presidência, em meio ao início oficial da campanha.
Levantamento testa forças após largada da campanha
O registro no Tribunal Superior Eleitoral, sob o número BR-02037/2026, coloca a disputa paulista no centro do tabuleiro político nacional. A pesquisa, contratada pela Globo Comunicação e Participações S.A., prevê 1.610 entrevistas presenciais em todo o estado, com margem de erro máxima de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.
A coleta de dados está programada para ocorrer entre 18 e 20 de agosto, com divulgação dos resultados prevista para 21 de agosto. O calendário empurra os números para o coração da primeira semana de campanha nas ruas, quando marqueteiros e partidos ainda testam mensagens e prioridades.
O questionário mede intenção de voto para governador, duas vagas ao Senado e Presidência da República, além de avaliar o governo federal. O desenho do estudo dá ao eleitorado paulista papel central: os resultados tendem a orientar a estratégia de quem disputa tanto o Palácio dos Bandeirantes quanto o Planalto.
Embate Tarcísio x Haddad sob nova lupa
O ponto mais aguardado do levantamento é o confronto direto entre o atual governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, e o petista Fernando Haddad. Será o primeiro teste Datafolha desse embate após o início oficial da campanha, em cenário já marcado por forte polarização.
Na rodada anterior do instituto, Tarcísio aparecia com 53% das intenções de voto em um eventual segundo turno para governador, contra 37% de Haddad. A distância numérica vinha acompanhada de diferença relevante na rejeição:
“Tarcísio de Freitas (Republicanos) tinha 53% das intenções de voto para governador no segundo turno, contra 37% de Fernando Haddad (PT). Tarcísio era rejeitado por 29%, enquanto Haddad tinha 47% de rejeição”.
A nova pesquisa verifica se essa vantagem se sustenta depois que programas de TV, redes sociais e atos de rua entram em ritmo de campanha. A rejeição de 47% a Haddad funciona como alerta para o PT, que precisa reduzir resistência para torná-lo competitivo numa reta final acirrada. Tarcísio, por sua vez, tenta consolidar a dianteira sem inflar sua própria taxa negativa de 29%.
O Datafolha também inclui outros nomes na disputa pelo governo, como Carlos Machado (PCB), Izadora Dias (PCO), Policial Edjane (Agir), Vera Lúcia (PSTU) e Vivian Mendes (UP). Esses candidatos tendem a disputar nichos específicos da esquerda e da direita, mas podem influenciar a migração de votos em um possível segundo turno.
Senado fragmentado e disputa por duas vagas
Na corrida ao Senado, os eleitores paulistas escolhem duas vagas, o que torna a disputa mais complexa. A pesquisa pergunta primeiro em quem o eleitor pretende votar para a primeira cadeira e, depois, para a segunda. O desenho favorece cenários fragmentados e acordos cruzados.
O questionário traz nomes como Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB), Ricardo Salles (Novo), André do Prado (PL), Guilherme Derrite (PP) e Paulinho da Força (Solidariedade), além de outras candidaturas de partidos médios e pequenos. Na aferição anterior do Datafolha, Marina liderava com 18%, seguida por Simone Tebet com 16% e Ricardo Salles com 13%. André do Prado tinha 11%, Guilherme Derrite, 10%, e Paulinho da Força, 8%.
O novo levantamento mostra quem consegue transformar recall e exposição nacional em voto real em São Paulo. Marina e Tebet disputam o eleitorado de centro e centro-esquerda, enquanto Salles, Derrite e André do Prado brigam por espaços na direita. O desempenho de cada um pode redefinir alianças, investimentos de campanha e prioridades regionais dos partidos.
Presidência e avaliação do governo em jogo
A pesquisa também mira a eleição presidencial, com potencial de irradiar impacto para além de São Paulo. O Datafolha começa com uma pergunta espontânea sobre em quem o eleitor pretende votar para presidente e, depois, apresenta uma lista estimulada com 13 nomes.
Entre eles estão Lula (PT), Flavio Bolsonaro (PL), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Zema (Novo), além de outras candidaturas de siglas menores, como Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Augusto Cury (Avante), Hertz Dias (PSTU), Leonardo Avalanche (PRTB), Rui Costa Pimenta (PCO), Samara (UP) e Wilson Grassi (Democrata). O instituto ainda testa quatro cenários de segundo turno: Lula contra Flavio Bolsonaro, Lula contra Ronaldo Caiado, Lula contra Zema e Lula contra Renan Santos.
Os números paulistas são estratégicos porque o estado concentra o maior colégio eleitoral do país. Um desempenho robusto ou frágil em São Paulo pode redefinir prioridades de viagem, discursos e alianças na campanha presidencial. Partidos avaliam se vale ampliar palanques regionais ou concentrar esforços em poucos redutos.
O questionário também mede a avaliação do governo federal, classificando a administração Lula como ótima, boa, regular, ruim ou péssima, e pergunta se o eleitor aprova ou desaprova o trabalho do presidente. A combinação entre intenção de voto e aprovação do governo fornece um mapa fino de onde o lulismo avança ou recua entre os paulistas.
Estratégias em pausa à espera dos números
A divulgação prevista para 21 de agosto tende a sacudir o tabuleiro. Nas campanhas de Tarcísio e Haddad, equipes de comunicação e marketing aguardam os dados para redesenhar roteiros, ajustar discursos e redefinir alvos de propaganda. O PT pode ser pressionado a ampliar sua base de alianças ou a suavizar o tom em temas de maior rejeição, enquanto Tarcísio busca manter a vantagem sem desperdiçar capital político.
Candidatos ao Senado, como Marina Silva, Simone Tebet, Ricardo Salles, André do Prado, Guilherme Derrite e Paulinho da Força, também devem usar o retrato Datafolha para calibrar presença em regiões específicas, fortalecer vínculos com candidatos a governador e presidente e avaliar apoios cruzados. Para partidos menores, o levantamento indica se vale insistir em candidaturas próprias ou negociar composições.
No plano presidencial, os quatro cenários de segundo turno ajudam Lula, Flavio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Zema e Renan Santos a medir vulnerabilidades específicas em São Paulo. Um resultado abaixo do esperado pode forçar recuos táticos, troca de coordenadores ou guinadas de discurso. Um desempenho acima da média, ao contrário, tende a atrair apoios locais e recursos adicionais.
O TSE acompanha o processo a partir do registro da pesquisa, mas o protagonismo, nos próximos dias, fica nas campanhas e no eleitorado. Quando o Datafolha divulgar os números, a disputa entra em uma nova fase, com menos achismo e mais dados na mesa. A partir daí, a campanha em São Paulo e no país se reorganiza em torno de uma pergunta central: quem consegue crescer até o dia da votação.