Debate da Band tem tom moderado, troca de acusações e foco na situação fiscal de Minas

Primeiro encontro entre os candidatos ao Governo de Minas reuniu cinco postulantes; após o debate, candidatos avaliaram a discussão e falaram sobre os próximos passos da campanha
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O primeiro debate entre os candidatos ao Governo de Minas, realizado pela Band Minas neste domingo (16), terminou com avaliação de tom moderado, apesar de alguns momentos de tensão e troca de acusações entre os participantes.

Participaram do encontro Flávio Roscoe (PL), Mateus Simões (PSD), Alexandre Kalil (PDT), Cleitinho Azevedo (Republicanos) e Gabriel Azevedo (MDB). O candidato do PT, Patrus Ananias, não participou porque esteve em São Paulo no lançamento da candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição.

O primeiro bloco teve como tema central a dívida de Minas Gerais com a União. Os candidatos responderam a uma pergunta do mediador, o jornalista Lucas Catta-Prêta, e depois participaram de confrontos diretos, com assuntos como feminicídio, saúde, isenções fiscais, mineração, privatização da Cemig, rodovias, população carcerária e salários do funcionalismo.

No segundo bloco, os candidatos puderam escolher os adversários que seriam questionados. Entraram em discussão temas como IPVA, trabalhadores de aplicativos, corrupção, descentralização da saúde e educação.

Alexandre Kalil avaliou o primeiro debate entre os candidatos ao Governo de Minas durante entrevista coletiva após o encontro. | Foto: Pedro Corsini/NC News

Kalil diz que debate faz parte da democracia

Alexandre Kalil (PDT) avaliou que o debate transcorreu dentro do esperado em uma disputa eleitoral. O ex-prefeito de Belo Horizonte reconheceu que houve divergências e críticas entre os candidatos, mas afirmou que o eleitor é quem deve fazer a avaliação final sobre os nomes que disputam o Governo de Minas.

Kalil disse que, na avaliação dele, os candidatos conseguiram apresentar suas posições e que as divergências fazem parte do processo democrático. O pedetista, no entanto, fez uma ressalva ao citar o que classificou como mentira durante o debate.

“Tirando a mentira, acho que todo mundo se expressou da melhor forma e faz parte da democracia e no final o povo vai escolher”, disse Kalil ao comentar o debate.

O ex-prefeito também foi questionado sobre o confronto com Gabriel Azevedo, que continuou depois que a transmissão terminou. Os dois discutiram ainda no estúdio, quando os microfones já estavam desligados. Kalil minimizou o episódio e afirmou que o assunto ficou restrito ao ambiente do debate.

“Faz parte, meu amigo, isso é igual futebol, ficou lá em baixo. Vão bora”, afirmou.

Gabriel diz que política não é futebol

Gabriel Azevedo (MDB) apresentou uma avaliação diferente sobre o episódio com Kalil. O candidato afirmou que o ambiente de um debate eleitoral deve ser pautado pelo respeito e disse que outros candidatos teriam presenciado as ofensas que, segundo ele, foram feitas pelo ex-prefeito depois que os microfones foram desligados.

Gabriel afirmou que o confronto não deve ser tratado como uma partida de futebol, em que adversários podem deixar as diferenças de lado depois do jogo. Para ele, a disputa eleitoral exige equilíbrio mesmo diante das divergências.

“Gente, política não é futebol. Debate é lugar onde se deve ter respeito. Todos os candidatos viram na hora em que o outro candidato, Alexandre Kalil, me xingou fora do ar, usou palavras para me dar um soco. Equilíbrio é fundamental”, afirmou.

Gabriel Azevedo falou com a imprensa após o debate e comentou o confronto com Alexandre Kalil, ocorrido ainda no estúdio depois do fim da transmissão. | Foto: Pedro Corsini/NC News

Na sequência, Gabriel fez uma distinção entre adversários políticos e inimigos e defendeu que a campanha seja conduzida dentro do campo das propostas.

“Deixa eu aqui fazer um manifesto: não tem inimigo no debate, tem adversário”, disse.

Durante o debate, Gabriel e Kalil já haviam protagonizado um dos principais confrontos da noite. O candidato do MDB questionou o ex-prefeito sobre a relação da administração municipal com os trabalhadores de aplicativos. Kalil rebateu e relembrou medidas adotadas durante sua gestão para discutir a situação de motoristas de aplicativos e taxistas.

Cleitinho defende debate com propostas

O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) avaliou que o primeiro debate deve servir principalmente para apresentar propostas ao eleitor. Para ele, um encontro eleitoral precisa manter o respeito entre os candidatos e evitar que o confronto se transforme em uma sequência de ataques pessoais.

Cleitinho Azevedo avaliou o debate durante entrevista coletiva e defendeu uma campanha com propostas e foco nos problemas de Minas Gerais. | Foto: Pedro Corsini/NC News

Cleitinho também afirmou que o eleitor que acompanha o debate é, na prática, quem sustenta o funcionamento do Estado por meio do pagamento de impostos. Por isso, segundo ele, os candidatos deveriam concentrar a discussão nos problemas de Minas Gerais.

“Eu acho que o debate tem que ser desse jeito, respeitoso. Imagina ficar até 22h vendo televisão, vem baixaria e sem proposta? Até porque, quem tá vendo ali é pegador de imposto. Então assim, temos que ter proposta falando de Minas Gerais”, disse.

O senador também foi questionado sobre a relação com Flávio Bolsonaro e sobre o fato de o ex-presidente apoiar Flávio Roscoe, candidato do PL ao Governo de Minas. Cleitinho afirmou que sua posição de apoio a Flávio Bolsonaro é antiga e que já havia declarado publicamente essa preferência antes mesmo da confirmação de sua candidatura ao governo estadual.

Ele negou ainda que o período de indefinição sobre sua candidatura tenha sido utilizado para mantê-lo neutro na disputa presidencial.

“Tem uma conversa, que a demora da minha candidatura foi pra eu ficar neutro. Isso é uma mentira. Eu fui o primeiro candidato, que desde janeiro, quando Flávio Bolsonaro estava oficializando sua pré-candidatura à presidência, eu já deixei claro publicamente em tribuna, em entrevista, que eu ia apoiá-lo.”, declarou

Cleitinho também comentou a possibilidade de Flávio Bolsonaro estar ao lado de Roscoe em Minas e citou, em tom descontraído, a situação envolvendo os dois palanques.

“Agora, ele vai em Juiz de Fora agora, que clima que fica? Vai ser igual aquele seriado ‘Dona Flor e seus dois maridos’”, afirmou.

Simões destaca oportunidade de se apresentar como governador

Mateus Simões (PSD), atual governador de Minas, avaliou que o debate teve uma importância específica para ele: apresentar-se ao eleitor como chefe do Executivo estadual. Simões assumiu o governo após a saída de Romeu Zema, que deixou o cargo para disputar a Presidência da República.

O governador afirmou que, embora Zema tenha sido uma figura conhecida dos mineiros durante os anos à frente do Estado, parte do eleitorado ainda não teve a mesma oportunidade de conhecer sua atuação como governador.

“Acho também que foi, para mim, uma oportunidade pra mostrar o rosto. Dar a cara de quem é o governador do Estado neste momento. Muitos mineiros já perceberam que o ex-governador Romeu Zema renunciou, mas a maioria não entende quem foi o governador que assumiu. Foi uma oportunidade de me apresentar”, disse Simões.

Mateus Simões falou com a imprensa após o debate e destacou a oportunidade de se apresentar ao eleitor como governador de Minas. | Foto: Pedro Corsini/NC News

Durante o debate, Simões também concentrou parte dos ataques no governo federal ao tratar da dívida de Minas Gerais com a União e do Propag, programa de renegociação dos débitos dos estados. O governador questionou as condições do acordo e afirmou que Minas terá um custo financeiro maior.

Após o debate, Simões foi questionado pela imprensa sobre as críticas ao governo Lula e explicou que não pretende deixar de cobrar o governo federal em uma questão que, segundo ele, impacta diretamente as contas de Minas.

“A minha pergunta foi feita. Eu não vou passar a mão na cabeça do governo Lula, considerando que eu pago 60 milhões de reais a mais de juros todo o mês, levando em consideração que eles não escolhem quais ativos vão federalizar”, afirmou.

Simões também rebateu a postura dos demais candidatos e disse que cabe ao eleitor questionar aqueles que não tratam do assunto.

“Agora, se os outros candidatos não estão preocupados com isso, você tem que perguntar pra eles por que não estão preocupados em pagar 60 milhões de reais a mais de juros todo mês”, completou.

Roscoe diz que debate serviu para apresentar propostas

Flávio Roscoe (PL) avaliou que o debate teve papel importante para aproximar os candidatos do eleitor. O ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) afirmou que o formato permite que a população conheça não apenas os nomes que disputam a eleição, mas também as propostas apresentadas para o Estado.

“Eu acredito que o debate é extraordinário, porque permite que a população possa ali conhecer um pouquinho dos candidatos e das suas propostas”, disse Roscoe.

Durante o encontro, Roscoe concentrou parte de sua participação em temas ligados à saúde, especialmente na necessidade de descentralizar os atendimentos e ampliar a estrutura hospitalar no interior de Minas. Ele também defendeu investimentos em hospitais regionais e leitos de alta complexidade.

Flávio Roscoe avaliou o primeiro debate e afirmou que o encontro foi importante para apresentar suas propostas aos eleitores mineiros. | Foto: Pedro Corsini/NC News

Após o debate, o candidato foi questionado sobre a pouca quantidade de críticas ao governo federal e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante sua participação. Roscoe negou que tenha adotado uma postura amena e afirmou que o foco do debate deveria ser Minas Gerais.

Segundo ele, as críticas ao governo federal apareceram nas considerações finais, quando teve liberdade para apresentar as razões que o levaram a disputar o Palácio Tiradentes.

“Não teve tom ameno, a pauta não era o Governo Federal. Inclusive, nas minhas considerações finais eu fui bastante contundente em dizer o porquê que eu queria ser candidato ao Governo de Minas, pra mudar essa situação”, afirmou.

Roscoe encerrou a avaliação dizendo que sua candidatura tem como objetivo enfrentar o que classifica como problemas deixados por administrações do PT no Estado.

“Logo, não teve um tom ameno, porque a situação era Minas Gerais. Nas considerações finais, onde eu tive a oportunidade de sair dos temas específicos, eu justamente falei que o motivo pelo qual sou candidato é para combater os desgovernos do PT”, disse.

Diretor da Band avalia debate

Para Murilo Rocha, diretor de Jornalismo da Band Minas, o debate cumpriu o papel de apresentar os candidatos e suas estratégias ao eleitor. Ele destacou que cinco dos seis convidados participaram e avaliou que, de maneira geral, os participantes adotaram uma postura mais defensiva, com apresentação de ideias e poucos ataques diretos.

Diretor de Jornalismo da Band Minas, Murilo Rocha avaliou o primeiro debate entre os candidatos ao Governo de Minas e destacou o tom moderado e a oportunidade de apresentação dos candidatos ao eleitor. | Foto: Pedro Corsini/NC News

Murilo, no entanto, apontou que alguns temas importantes ficaram em segundo plano durante o encontro, entre eles a segurança pública.

“A gente viu hoje cinco candidatos aqui presentes de seis convidados e com estratégias defensivas, se conhecendo, apresentando suas ideias e com poucos ataques diretos. Mas achei que alguns temas foram pouco explorados, como segurança pública.”, afirma

Para o diretor de Jornalismo, apesar das lacunas, o debate também serviu como uma espécie de preparação para os próximos encontros entre os candidatos.

“Mas de toda forma foi uma oportunidade para o eleitor conhecer e para os candidatos usarem como uma calibragem para os próximos confrontos”, avaliou.

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