O Grupo Toky, controlador das varejistas de móveis e decoração Tok&Stok e Mobly, registrou prejuízo líquido de R$ 232,7 milhões no segundo trimestre de 2026. O resultado representa uma forte piora em relação ao mesmo período do ano passado, quando a companhia havia registrado prejuízo de R$ 88,8 milhões.
O resultado ocorre em um momento delicado para o grupo, que entrou com pedido de recuperação judicial em maio deste ano para tentar reorganizar suas dívidas e preservar as operações das empresas.
A recuperação judicial foi deferida pela Justiça em junho e passou a fazer parte da estratégia do grupo para enfrentar a crise financeira.
Receita despenca no trimestre
Além do prejuízo maior, o Grupo Toky registrou uma queda significativa na receita.
A receita operacional líquida foi de R$ 207,1 milhões, uma redução de 37,3% em comparação com o segundo trimestre de 2025. O volume bruto de mercadorias comercializadas, conhecido como GMV, também caiu.
No período, o GMV consolidado ficou em R$ 295,2 milhões, uma queda de 31,9% na comparação anual.
Segundo a companhia, um dos principais fatores para a redução das vendas foi a dificuldade de abastecimento enfrentada após o pedido de recuperação judicial.
Falta de produtos afetou as vendas
De acordo com o grupo, o processo de recuperação judicial provocou inicialmente uma perda de confiança por parte de fornecedores e parceiros comerciais.
Isso acabou afetando o abastecimento das lojas e dos canais digitais, provocando rupturas de estoque e dificultando a disponibilidade de produtos para os consumidores.
Com menos produtos disponíveis, a empresa registrou aumento no número de pedidos cancelados e dificuldades para converter as vendas realizadas em receita efetivamente reconhecida.
A companhia informou que os fluxos de compras e os níveis de estoque começaram a apresentar melhora após medidas adotadas com fornecedores e parceiros estratégicos.
Ebitda também fica negativo
Outro indicador que chamou atenção no balanço foi o Ebitda.
O indicador, utilizado para avaliar o desempenho operacional de uma empresa antes de juros, impostos, depreciação e amortização, ficou negativo em R$ 156,2 milhões no segundo trimestre.
No mesmo período do ano passado, o Ebitda havia sido positivo em R$ 19,4 milhões.
Quando são retirados os efeitos considerados não recorrentes, o Ebitda ajustado ficou negativo em R$ 7,6 milhões.
A empresa registrou ainda R$ 148,5 milhões em efeitos não recorrentes, relacionados principalmente à reestruturação organizacional, adequação do parque de lojas e provisões ligadas ao processo de recuperação judicial.
Recuperação judicial tenta evitar agravamento da crise
O Grupo Toky entrou com pedido de recuperação judicial em 12 de maio de 2026.
O objetivo do processo é reorganizar as obrigações financeiras da companhia e criar condições para que o grupo consiga manter suas operações enquanto negocia suas dívidas com credores.
A recuperação judicial foi deferida em 15 de junho.
Segundo a empresa, o processo é considerado necessário para reconstruir uma estrutura de capital mais adequada à capacidade de geração de caixa do grupo.
Estoques começam a ser reorganizados
Mesmo diante dos números negativos, a administração afirma que algumas medidas já começaram a apresentar resultados.
Entre as iniciativas estão a integração das operações de Mobly e Tok&Stok, a consolidação de estoques no centro de distribuição de Cajamar e mudanças relacionadas à unidade de Extrema.
O grupo também informou que houve recuperação gradual no fluxo de abastecimento após negociações com parceiros estratégicos.
A empresa busca, com essas medidas, reduzir as rupturas de estoque e melhorar a capacidade de atendimento aos consumidores.
Grupo tenta atravessar período de crise
O resultado do segundo trimestre mostra a dimensão dos desafios enfrentados pelo Grupo Toky.
Além da queda nas vendas e do aumento do prejuízo, a empresa precisa lidar com o processo de recuperação judicial e com a necessidade de recuperar a confiança de fornecedores e consumidores.
Apesar do cenário, a companhia afirma que continua trabalhando na integração das marcas e na reorganização financeira e operacional.
A recuperação dos estoques e a redução dos cancelamentos de pedidos serão pontos importantes para determinar se o grupo conseguirá melhorar seu desempenho nos próximos trimestres.