Ibovespa acumula nove quedas e dólar sobe: veja o que pode mexer com o mercado

Semana terá dados econômicos no Brasil, ata do Fed e balanços no radar dos investidores
Redação NC News
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O Ibovespa oscila nesta segunda-feira na B3 em um pregão marcado por dados fracos de atividade no Brasil, tensão crescente entre Estados Unidos e Irã e ajustes em grandes empresas locais.

Investidores alternam compras e vendas enquanto tentam decifrar o quadro para juros, câmbio e crescimento, com reflexos diretos sobre ações de varejo, bancos, commodities e renda fixa.

Crescimento fraco, juros em foco e pressão sobre o varejo

O pano de fundo doméstico segue moderado. O Produto Interno Bruto brasileiro cresce 0,3% no segundo trimestre em relação aos três meses anteriores, 1,7% na comparação anual, e acumula alta de 1,8% em 12 meses, segundo o Instituto Brasileiro de Economia.

Os números confirmam desaceleração da economia após o início de ano mais forte e reforçam a atenção do mercado ao IBC-Br e ao relatório Focus, que ajudam a calibrar apostas para a Selic. Projeções de inflação e juros alimentam a pergunta central do pregão: até onde o Banco Central pode ir sem reacender pressões de preços.

No Ibovespa Brasil, empresas mais sensíveis ao crédito sentem o peso desse debate. O Itaú BBA avalia que “a tese de sensibilidade às taxas de juros permanece difícil de sustentar” no caso de Casas Bahia, em plena reestruturação e recuperação judicial.

O banco calcula que cada variação de 100 pontos-base na Selic altera o fluxo de caixa livre anual da varejista em cerca de R$ 200 milhões, o que torna qualquer mudança de juros determinante para o valor da companhia. Rating, preço-alvo e estimativas estão em revisão até que haja clareza sobre a nova estrutura da empresa.

Casas Bahia, Cosan e Santander Brasil na mira do investidor

A leitura sobre Casas Bahia vai além do resultado contábil. Júlio Moretti, CEO da NEOT, diz que o prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre “assusta, mas engana quem o lê como um resultado de loja”, atribuindo a maior parte a baixas contábeis, não a saída de caixa.

Moretti aponta o aperto de crédito como peça-chave da crise. Segundo ele, a empresa recorre à recuperação judicial porque não consegue rolar dívidas, após fracassar em operações de captação no exterior. O diagnóstico ecoa na B3 e deixa o investidor mais seletivo com papéis de varejo dependentes de financiamento ao consumo.

Na outra ponta, o conglomerado Cosan tenta mostrar disciplina financeira. O CEO Marcelo Martins afirma que “falar em IPO da Moove neste momento não é adequado” e descarta vender a participação na empresa de lubrificantes agora. A mensagem é de que o grupo prefere “construção de valor” antes de qualquer abertura de capital.

A Cosan negocia venda de ativos, inclusive na área de logística, para reduzir endividamento. Esse tipo de ajuste costuma ser bem recebido em um Ibovespa B3 que hoje premia balanços mais leves e foco em retorno ao acionista, mas também aumenta a incerteza de curto prazo sobre o portfólio do grupo.

No setor financeiro, a oferta do Santander espanhol para comprar as ações em circulação do Santander Brasil ganha tração. Com a valorização da matriz, o valor implícito da troca sobe de R$ 29,04 para cerca de R$ 31,21 por unit, tornando a proposta “ligeiramente mais atraente” para minoritários, segundo o Citi.

Tensão EUA-Irã e dólar alimentam volatilidade

No exterior, o impasse entre Washington e Teerã volta a pesar no humor global. Em entrevista por telefone, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirma que o Irã deveria se render para encerrar a guerra. “Eles deveriam hastear a bandeira branca da rendição”, diz.

O prazo de 60 dias do memorando de entendimento entre os dois países se esgota nesta segunda-feira, sem acordo definitivo. O texto que previa o fim imediato das operações militares está suspenso, e não há sinal de retomada rápida das negociações. O mercado passa a trabalhar com a hipótese de conflito prolongado, o que tende a pressionar petróleo, dólar e ativos de risco.

Na prática, o Ibovespa dólar hoje reflete essa tensão, com maior aversão ao risco em moedas emergentes e em ações de empresas ligadas a commodities. Para conter movimentos mais bruscos no câmbio, o Banco Central vende US$ 1 bilhão em leilão de linha, operação em que se compromete a recomprar os dólares mais à frente.

A taxa de corte da operação fica em 5,093000%, e os recursos servem para rolar um vencimento de 2 de setembro. O BC tenta, assim, suavizar oscilações num ambiente em que qualquer frase de Trump ou nota do Ministério das Relações Exteriores do Irã pode mexer no apetite estrangeiro por ativos brasileiros.

Renda fixa em alta, Blue3 Future e debate fiscal

Com a Bolsa instável, parte dos investidores volta a olhar com mais carinho para a renda fixa atrelada à inflação. Cálculos do Inter mostram que o Tesouro IPCA+ supera o CDI com folga desde 2016, com vantagem de até 92 pontos percentuais no período, mesmo após o Imposto de Renda.

O desempenho renova o interesse por títulos públicos de prazo mais longo e ajuda a explicar movimentos de migração parcial de recursos da Bolsa para o Tesouro Direto, sobretudo entre investidores que começaram no Ibovespa tradingview e hoje buscam carteira mais equilibrada.

No front micro, o mercado de capitais também se movimenta em recursos humanos. O programa Blue3 Future lança uma nova turma com meta de formar 30 assessores de investimentos, oferecendo remuneração fixa, variável e bônus de até R$ 100 mil entre 12 e 18 meses.

O projeto mira profissionais de setores tradicionais em transição de carreira e reforça um movimento de profissionalização da assessoria financeira, com impacto indireto sobre a forma como o investidor pessoa física se relaciona com o Ibovespa Vale, fundos e títulos públicos.

Na política econômica, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, diz que o país precisa tratar “com a mesma intolerância” a irresponsabilidade fiscal e a inflação alta. O recado, dado em conferência com investidores, busca acalmar o mercado num momento em que o Congresso discute gastos e receitas extras.

A combinação de freio no PIB, disputa fiscal e incerteza internacional mantém o Ibovespa futuro instável ao longo do dia, com variações rápidas diante de qualquer nova informação sobre guerra, eleições ou indicadores.

Operadores veem um mercado sem direção clara, em que notícias pontuais geram ralis curtos e correções igualmente rápidas. Para o investidor, o recado é que a volatilidade tende a persistir enquanto não houver definição mais sólida sobre o rumo dos juros no Brasil, o desfecho do impasse EUA-Irã e os contornos finais do ciclo eleitoral.

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