A disputa pela Presidência da República ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (18). Ronaldo Caiado reagiu aos ataques de Flávio Bolsonaro, feitos na última semana (15), após declarações de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD e candidato a vice na chapa de Caiado.
Flávio afirmou que Kassab teria “entregado o jogo” e associado o PSD ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração aumentou a tensão entre os dois candidatos que disputam espaço no campo da direita.
Questionado pelo NC News sobre o assunto na manhã desta terça-feira (18), em São Paulo, durante o anúncio de seu plano de governo voltado à saúde, Caiado respondeu em tom duro e classificou a reação de Flávio como uma demonstração de desespero.
“É bater o desespero nele, tá nítido o desespero. Eles têm pesquisas e estão vendo que, realmente, por não ter capacidade de chegar lá, querem criar uma versão mentirosa do fato. Porque quem sabe português interpreta as palavras, não existe hora nenhuma esse apoio. Então, essa é uma versão mentirosa de um fato.”
O que Flávio Bolsonaro disse sobre Kassab?
A reação de Flávio veio depois de declarações feitas por Kassab durante um encontro com empresários em São Paulo, na última sexta-feira (15).
O presidente nacional do PSD afirmou que, na avaliação dele, os partidos do chamado Centrão estão, na prática, ao lado de Lula. Kassab também declarou que Flávio teria “chance zero” de vencer a eleição presidencial.
A declaração provocou reação da campanha do candidato do PL.
Em uma publicação nas redes sociais, Flávio afirmou:
“Kassab entregou o jogo: PSD é Lula. São todos eles contra o Brasil!”
O senador também criticou candidatos que se apresentam como nomes de direita e afirmou que sua disputa seria para “resgatar o Brasil do cativeiro”. (Poder360).
A campanha de Flávio passou então a questionar a posição de Caiado, já que Kassab é presidente nacional do PSD e candidato a vice na chapa do ex-governador de Goiás.
Caiado nega que Kassab tenha declarado apoio a Lula
Caiado rejeitou a interpretação de que as declarações de Kassab representem apoio a Lula.
Para o candidato do PSD, Flávio estaria tentando transformar uma avaliação sobre as pesquisas e o cenário eleitoral em uma declaração de apoio ao presidente.
“O Kassab simplesmente disse: ‘Olha, o que está aí é o que as pesquisas estão demonstrando’. E, chegando ao segundo turno, quem tem essa capacidade para poder ter um enfrentamento e não ter que explicar seus problemas de ordem pessoal e ter condições de bater o Lula no debate. É isso”, afirma Caiado.
Caiado afirmou que sua candidatura é justamente uma alternativa para enfrentar Lula em um eventual segundo turno. A estratégia também vem sendo adotada pelo candidato desde o início oficial da campanha, quando passou a se apresentar como uma opção de direita fora da polarização entre Lula e o bolsonarismo.
“Sempre fui oposição ao Lula e ao PT”, diz Caiado
Ao ser questionado sobre sua própria posição política, Caiado citou a trajetória de quatro décadas na política para afirmar que não pretende mudar sua postura em relação ao PT.
“Agora, quanto a mim, eu vou lhe responder com a minha história de vida. São 40 anos, você não conhece nenhum político que tem a minha trajetória e que sempre foi oposição ao Lula e ao PT. E, como tal, não seria agora que eu daria espaço, porque eu o combati quando ele era o modismo.”
Caiado também voltou a criticar os governos petistas e associou o período a problemas como corrupção e narcotráfico.
“Quando ele era o sinal de ‘olha, agora nós teremos o socialismo do Brasil, que vai resolver o problema da pobreza’, que está aí o resultado depois de 20 anos. Só o que cresceu no Brasil, corrupção e narcotráfico. Isso é o que realmente prevaleceu em 20 anos do PT.”
Kassab continua como vice na chapa
Apesar da pressão provocada pelas declarações, Caiado reafirmou que Kassab continua sendo seu candidato a vice-presidente.
O candidato afirmou que o presidente do PSD será uma peça importante para o projeto de governo e para a tentativa de superar a polarização política.
“Eu vou governar o Brasil e o Kassab vai ser o nosso vice-presidente e vai ser peça fundamental para que? Para acabar com a polarização. Qualquer governante dos dois não tem maioria para poder construir reformas no Congresso Nacional.”
Na avaliação de Caiado, um candidato que esteja fora da disputa entre os dois polos terá melhores condições de construir uma base política no Congresso para aprovar reformas.
Caiado reforça discurso contra a polarização
O discurso de Caiado é de que sua candidatura pode representar uma alternativa à disputa entre Lula e o grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O candidato afirmou que a polarização prejudica a convivência entre os brasileiros e defendeu uma agenda voltada para políticas estruturantes.
Entre as áreas citadas por Caiado estão saúde, segurança pública, educação e combate à pobreza.
“Só um candidato que não esteja nessa polarização, que está destruindo a convivência entre os brasileiros, é que poderá construir um outro Brasil com aprovação de novas reformas, de um Brasil voltado para políticas estruturantes de saúde, de combate ao crime, de educação de qualidade e de combate às pessoas hoje que vivem na situação de miséria até hoje.”
Na sequência, Caiado resumiu a estratégia da campanha:
“Nós vamos derrotar a polarização e vamos pacificar o Brasil. Essa é a verdade.”
Disputa entre Caiado e Flávio ganha força
A troca de acusações ocorre justamente no início da campanha presidencial. Caiado passou a adotar uma postura mais direta contra Flávio, enquanto o candidato do PL também ampliou as críticas ao ex-governador de Goiás. (Folha de S.Paulo)
O episódio envolvendo Kassab colocou o PSD no centro da disputa.
De um lado, Flávio tenta consolidar a candidatura do PL e o apoio do eleitorado ligado ao bolsonarismo. Do outro, Caiado procura ocupar o espaço de uma direita capaz de chegar ao segundo turno sem estar diretamente vinculada à polarização.
A declaração de Kassab acabou funcionando como combustível para esse confronto.
Enquanto Flávio usa a fala para questionar a candidatura de Caiado e associá-la a Lula, o candidato do PSD tenta mostrar que a declaração do seu vice foi apenas uma análise do cenário eleitoral.
O que acontece agora?
A tendência é que a disputa entre os dois candidatos continue durante a campanha.
Caiado deve manter o discurso de que é o nome capaz de enfrentar Lula em um eventual segundo turno, enquanto Flávio busca apresentar sua candidatura como a principal alternativa de direita ao atual presidente.
Nesse cenário, Kassab permanece como uma figura central.
Além de comandar nacionalmente o PSD, ele é o candidato a vice na chapa de Caiado. Por isso, cada declaração do dirigente pode ter impacto direto na estratégia eleitoral da chapa e ser explorada pelos adversários.
O próprio Caiado, porém, tenta encerrar a discussão reforçando que sua posição em relação ao PT não mudou.
ENTENDA O CONTEXTO
A polêmica começou após Gilberto Kassab avaliar o cenário da eleição presidencial e afirmar que, na visão dele, o Centrão está com Lula. O presidente do PSD também disse que Flávio Bolsonaro teria “chance zero” de vencer a eleição. (UOL Notícias)
Flávio reagiu e afirmou que Kassab havia “entregado o jogo”, associando diretamente o PSD ao presidente Lula. (Poder360)
A declaração atingiu diretamente Caiado porque Kassab é candidato a vice na chapa do PSD. Questionado nesta terça-feira (18), em São Paulo, Caiado negou que exista qualquer apoio a Lula e afirmou que Flávio criou uma “versão mentirosa” das declarações.
O candidato também reforçou sua trajetória de oposição ao PT e disse que pretende chegar ao segundo turno para enfrentar Lula.