Influencer e irmão são presos em operação que investiga esquema milionário

Investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro, associação criminosa e exploração ilegal de loterias em Mato Grosso do Sul
Redação NC News
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O influenciador digital Eduardo Rezende da Silva Razuk e o irmão dele, Rafael Rezende da Silva Razuk, são presos na manhã desta terça-feira em Campo Grande, durante uma operação que mira lavagem de dinheiro, associação criminosa e exploração ilegal de loterias. A ação apreende cerca de 30 veículos de luxo, avaliados em mais de R$ 20 milhões.

Carros exibidos em rede social vão parar em pátio policial

A ofensiva é coordenada pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC), com apoio de outras delegacias especializadas. Os policiais cumprem mandados de busca e prisão em endereços ligados aos irmãos na Vila Carlota, no bairro Vilas Boas e no Jardim Cruzeiro.

Os veículos apreendidos são levados para a Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos (Defurv). Entre eles estão modelos de marcas como Porsche, BMW, Volkswagen e Audi, usados por Razuk como vitrine de um estilo de vida luxuoso nas redes sociais.

Um dia antes da operação, o influenciador publica nos stories do perfil Razuk Backstage um vídeo em que mostra a organização dos carros no galpão que se torna alvo da polícia. Nas imagens, ele passeia entre os veículos, comenta a disposição da frota e antecipa um sorteio marcado para a quarta-feira.

“Deixei o Arteon de frente para eu mexer nele também. Vou trocar só o Golf, colocar o Golf de ré. Vai ficar todo mundo de bunda para trás. Legal né? Será que a gente coloca até o Arteon de bunda pra fora ou não? Sim ou não? É isso aí, galera do backstage” diz Razuk na gravação, enquanto filma o depósito repleto de carros esportivos.

Frota de luxo sob suspeita de lavar dinheiro

Os investigadores enxergam na frota de luxo o indício de um esquema de ocultação de patrimônio. Carros de alto valor funcionam, na prática, como cofres sobre rodas: concentram grandes quantias, podem ser revendidos com relativa facilidade e circulam com aparência de legalidade.

No vídeo divulgado por Razuk, aparecem um Porsche 911 Turbo S avaliado em R$ 1,7 milhão, uma BMW M5 Competition de R$ 700 mil, uma BMW M2 Coupé de R$ 600 mil e uma BMW M4 Coupé de R$ 680 mil. O influenciador exibe ainda um Volkswagen Golf R de R$ 530 mil, um Volkswagen Arteon Shooting Brake de R$ 500 mil e um Volkswagen ID. Buzz, a chamada “Kombi elétrica”, de R$ 570 mil. Somados, esses modelos específicos chegam a cerca de R$ 5,28 milhões.

No pátio da Defurv, policiais apresentam também duas caminhonetes de grande porte, uma Silverado e uma RAM 1500, avaliadas em R$ 475 mil cada. Um Audi S3 de R$ 230 mil e um Golf GTI vermelho de R$ 350 mil completam parte da coleção agora sob custódia do Estado.

A investigação tenta rastrear a origem do dinheiro usado para montar esse patrimônio. A principal linha de apuração aponta para exploração ilegal de loterias e sorteios na internet, prática que movimenta grandes valores fora do radar dos órgãos de controle. O inquérito também examina possíveis vínculos com outros crimes financeiros cometidos em ambiente digital.

Influência digital sob escrutínio policial

O caso atinge um segmento em expansão no país: o de influenciadores que promovem sorteios, rifas e “backstage” de prêmios de alto valor. O perfil Razuk Backstage, vitrine dos carros apreendidos, opera justamente nesse universo de promoções e engajamento pago, em que cada post pode significar milhares de reais em vendas de bilhetes digitais.

Ao exibir carros de luxo em série e anunciar sorteios recorrentes, Razuk alimenta a imagem de sucesso rápido e fortuna fácil, principalmente entre seguidores jovens. A prisão expõe o risco de um modelo de negócio que mistura entretenimento, marketing agressivo e operações financeiras de difícil rastreio.

Um dia antes da ação policial, o influenciador chega a publicar em outro perfil que está em Angra dos Reis. Horas depois, aparece no depósito em Campo Grande organizando a frota e falando diretamente com a “galera do backstage”, na tentativa de inflar o apelo do próximo sorteio. As mesmas cenas agora reforçam o material probatório da investigação.

Para a polícia, a operação demonstra que a vitrine digital não blinda ninguém do escrutínio criminal. A presença ostensiva de bens de luxo nas redes deixa um rastro público que pode ser confrontado com declarações de renda, contratos e movimentação bancária.

Impacto no mercado de luxo e nas apostas digitais

A apreensão de aproximadamente 30 veículos de alto padrão, concentrados em uma única operação, provoca efeito imediato no mercado de automóveis de luxo em Campo Grande. Revendas, oficinas especializadas e empresas de transporte de veículos sentem o impacto da retirada súbita de ativos avaliados em mais de R$ 20 milhões, agora travados em um processo que pode se estender por anos.

No setor de apostas e loterias, a operação funciona como alerta. A repressão mira não apenas os organizadores de esquemas ilegais, mas também intermediários que emprestam contas, plataformas digitais e publicidade para campanhas sem autorização. A mensagem é clara: sorteios com prêmios milionários, sem lastro jurídico, entram definitivamente na mira das investigações.

O universo dos influenciadores digitais também sai abalado. Marcas e patrocinadores tendem a rever contratos com criadores de conteúdo que baseiam sua popularidade em ostentação extrema e promessas de enriquecimento rápido. A prisão de Razuk pressiona o setor a profissionalizar a gestão financeira, formalizar parcerias e dar transparência a promoções.

Os irmãos Razuk devem ser ouvidos em inquérito policial, que vai detalhar o fluxo de dinheiro, identificar eventuais sócios ocultos e mapear contas e empresas ligadas ao grupo. Novas buscas, bloqueios de bens e outras prisões não são descartados.

Os próximos capítulos ocorrem no Judiciário, que decidirá sobre a manutenção das prisões, eventuais denúncias do Ministério Público e possível sequestro definitivo dos veículos. A sociedade acompanha à espera de respostas concretas: de onde vem a fortuna por trás dos carros reluzentes e quem, de fato, ganha quando a roleta das apostas gira fora da lei.

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