TRE-RJ muda 268 locais de votação e afeta 610 mil em 2026

TRE-RJ altera locais de votação para garantir segurança e acessibilidade a mais de 600 mil eleitores no estado.
Redação NC News
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O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) amplia para 268 o número de locais de votação alterados no estado e atinge diretamente 610 mil eleitores. As mudanças redesenham a geografia da votação em 20 municípios e miram, sobretudo, a saída de seções eleitorais de áreas sob domínio do crime organizado.

Segurança dita realocação em 20 municípios

O novo balanço é divulgado nesta semana pelo TRE-RJ, após atualizações feitas entre o último fim de semana e o início de agosto. O tribunal consolida decisões tomadas por motivos de segurança, acessibilidade, fechamento de estabelecimentos e problemas estruturais, num movimento considerado interno como o mais amplo redesenho recente da malha de votação no estado.

No começo do mês, o TRE-RJ já havia decidido transferir 66 locais de votação por causa da violência, em 20 municípios. Essas primeiras mudanças se baseiam em relatórios de inteligência das polícias Militar, Civil e Federal, além de informações do Ministério Público e do Judiciário, e retiram seções de áreas classificadas como de alto risco, dominadas por facções, tráfico ou milícias.

Agora, os 66 endereços ligados diretamente à segurança se somam a outros casos de escolas fechadas, prédios com problemas estruturais e locais sem acessibilidade adequada. O total chega a 268 locais de votação redesenhados em relação ao último pleito, o que obriga centenas de milhares de eleitores a reverem seu trajeto até a urna.

Novos endereços fora de áreas de risco

As seções retiradas de territórios conflagrados migram para pontos fora de áreas de confronto, mas em geral permanecem próximas dos endereços originais. A estratégia busca equilibrar dois objetivos: reduzir a interferência do crime organizado na rotina eleitoral e evitar que o eleitor tenha de atravessar a cidade para votar.

O movimento tem impacto direto na segurança pública, na administração eleitoral e no dia a dia das comunidades envolvidas. Em regiões onde a circulação depende da autorização de grupos armados, o deslocamento até a seção pode significar exposição ao fogo cruzado, barreiras ilegais ou constrangimentos na escolha do candidato. Ao levar as urnas para fora desses perímetros, o TRE-RJ tenta blindar o ato de votar.

Ao mesmo tempo, moradores de áreas de vulnerabilidade social correm o risco de enfrentar trajetos mais longos ou confusos, sobretudo quem não acompanha de perto a comunicação oficial. O risco de chegar ao antigo colégio e encontrar os portões fechados, num domingo de votação, preocupa juízes eleitorais e áreas técnicas do tribunal.

TRE-RJ pede consulta prévia para evitar filas e abstenção

Para reduzir esse risco, o tribunal insiste na consulta antecipada. O presidente do TRE-RJ, desembargador Claudio de Mello Tavares, reforça a orientação para que o eleitor confirme não só o endereço, mas também o número da seção onde vota. “A consulta permite que o eleitor se planeje melhor para votar e evite dificuldades no dia da eleição”, afirma.

A verificação pode ser feita pelo site oficial da Justiça Eleitoral, pelo aplicativo e-Título e pelo Disque TRE-RJ, no telefone (21) 3436-9000. Técnicos da corte relatam aumento nas buscas nas plataformas digitais desde o anúncio das primeiras 66 mudanças, mas ainda veem espaço para ampliar o alcance da informação, sobretudo em periferias e áreas com acesso limitado à internet.

O calendário pressiona. O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro. Até lá, o TRE-RJ promete intensificar campanhas em rádio, TV, redes sociais e ações em parceria com prefeituras e lideranças comunitárias para avisar quem teve o local de votação alterado.

Quem ganha, quem perde e o que pode virar modelo

Na prática, a principal aposta é que a segurança e a liberdade de voto saiam fortalecidas, mesmo às custas de algum desconforto logístico. Para boa parte dos 610 mil eleitores impactados, a mudança pode significar apenas algumas ruas a mais de caminhada, mas para quem vive em territórios de conflito, a nova rota pode representar a diferença entre votar ou ficar em casa.

Entidades da sociedade civil que monitoram a integridade do processo eleitoral veem na medida um sinal de que o Judiciário se antecipa a possíveis tentativas de coação ou interferência de grupos armados. Especialistas também apontam que o redesenho dos locais de votação ajuda a reduzir o risco de operações policiais próximas às seções, tema sensível em eleições recentes no Rio.

O plano, porém, tende a enfrentar críticas de eleitores que dependem de transporte público escasso ou caro para chegar ao novo endereço. Abrir escolas em áreas neutras, mas distantes de comunidades onde o voto sempre ocorreu, pode reforçar a sensação de afastamento do Estado. O desafio será calibrar essa equação e evitar que o remédio da segurança produza o efeito colateral da abstenção involuntária.

Nos bastidores, integrantes da Justiça Eleitoral avaliam que a experiência fluminense pode servir de referência para outros estados que enfrentam problemas parecidos com facções e milícias. Se o redesenho dos 268 locais resultar em um dia de votação mais seguro e com índices estáveis de comparecimento, a tendência é que modelos semelhantes sejam discutidos em regiões metropolitanas de outros grandes centros urbanos.

Até a abertura das urnas, o teste é de comunicação e logística. O TRE-RJ promete monitorar o impacto das mudanças e ajustar rotas e sinalização dos novos locais, numa corrida contra o relógio para garantir que, em outubro, ninguém deixe de votar simplesmente por aparecer no endereço errado.

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