TRF5 abre concurso para juiz com salário de R$ 37,7 mil; veja quem pode participar

Edital prevê 11 vagas imediatas e cadastro de reserva; inscrições começam no fim de agosto e prova objetiva está marcada para novembro
Redação NC News
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O Tribunal Regional Federal da 5ª Região publica hoje o edital do XVI concurso para juiz federal substituto, com 11 vagas imediatas, cadastro de reserva e salário inicial de R$ 37.765,55.

Concurso mira reforço na magistratura do Nordeste

O certame, organizado pela Fundação Getulio Vargas, mira o reforço da magistratura federal em seis estados do Nordeste. O TRF5 abrange Alagoas, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe, região que enfrenta alta demanda por ações previdenciárias, fiscais e causas ligadas a políticas públicas.

O tribunal reserva 10% das vagas para pessoas com deficiência e 30% para negros, indígenas e quilombolas, divididos em 25%, 3% e 2%, respectivamente. A decisão insere a Justiça Federal da 5ª Região em um movimento de ampliação da diversidade na magistratura, ainda marcada por forte concentração de perfis brancos e de maior renda.

O edital fixa o subsídio inicial do cargo em “R$ 37.765,55”, valor que coloca a magistratura federal entre as carreiras mais disputadas do serviço público. O pacote de estabilidade, remuneração e prestígio deve atrair milhares de bacharéis em Direito que já atuam em carreiras jurídicas, escritórios e órgãos públicos.

Inscrições on-line e filtro prévio pelo ENAM

As inscrições ocorrem exclusivamente pela internet, no site da FGV, entre 28 de agosto e 28 de setembro de 2026, até as 16h, no horário de Brasília. A taxa custa R$ 350, com possibilidade de isenção para determinados perfis, em pedidos que poderão ser apresentados entre 28 de agosto e 1º de setembro.

O edital exige que todos os candidatos apresentem certificado de habilitação no Exame Nacional da Magistratura (ENAM) já na inscrição preliminar. Essa exigência funciona como filtro prévio: só quem passou por uma seleção nacional específica para a carreira poderá disputar as vagas do TRF5.

Para concluir a inscrição, o candidato deve preencher o formulário eletrônico, anexar documento de identidade, fotografia 3×4 e o certificado do ENAM, além de pagar a Guia de Recolhimento da União gerada ao final do processo. O pagamento poderá ser feito até 29 de setembro de 2026.

Prova objetiva em novembro e provas escritas em fevereiro

A primeira etapa será a prova objetiva seletiva, marcada para 29 de novembro de 2026, das 13h às 18h, com 100 questões de múltipla escolha. As avaliações serão aplicadas simultaneamente em Aracaju, Fortaleza, João Pessoa, Maceió, Natal e Recife, o que facilita a participação de candidatos de todos os estados da 5ª Região.

As questões se distribuem em três blocos de disciplinas que cobrem o núcleo duro da atuação de um juiz federal: Direito Constitucional, Administrativo, Civil, Processual Civil, Penal, Processual Penal, do Trabalho, Processual do Trabalho, Tributário, Previdenciário e Empresarial. O edital determina que “para ser habilitado, o candidato deverá obter pelo menos 12 acertos no Bloco I, 9 no Bloco II e 9 no Bloco III, além de alcançar pelo menos 60 acertos no total”.

Em concursos com mais de 1.500 inscritos, apenas os 300 candidatos com maiores notas, além dos empatados na última posição, seguirão para a fase seguinte, respeitadas as reservas de vagas. O desenho torna a prova objetiva uma etapa altamente eliminatória, voltada a selecionar um grupo reduzido para as fases escritas.

Etapas escritas, investigação e prova oral

A segunda etapa, em fevereiro de 2027, será inteiramente escrita. No dia 21, pela manhã, os candidatos farão a prova discursiva; à tarde, enfrentarão a prova prática de sentença civil. No dia 22, à tarde, será aplicada a prova prática de sentença criminal, simulando o dia a dia da função.

A prova discursiva trará uma dissertação e quatro questões, somando 10 pontos. A dissertação valerá quatro pontos e cada questão, 1,5 ponto. Só seguirá adiante quem alcançar pelo menos seis pontos no conjunto. As sentenças civil e criminal buscarão avaliar a capacidade de fundamentar decisões complexas em pouco tempo.

Durante as provas escritas, o candidato poderá consultar apenas legislação “seca”, sem comentários, anotações ou remissões a jurisprudência. Códigos comentados, súmulas, doutrina, anotações pessoais e materiais impressos da internet estarão proibidos, em tentativa de nivelar o acesso à informação e focar na capacidade de interpretação.

Quem passar pelas provas escritas ainda enfrentará sindicância da vida pregressa, investigação social, exame de sanidade física e mental e exame psicotécnico. Só então virá a prova oral, de caráter eliminatório e classificatório, com nota mínima de 6 pontos para aprovação. A fase final será a análise de títulos acadêmicos e profissionais, apenas para efeito de classificação.

Curso de formação e impacto na Justiça Federal

O edital prevê que, após a homologação do resultado, o concurso terá validade de dois anos, prorrogável uma vez por igual período. Durante esse prazo, o TRF5 poderá chamar aprovados para preencher vagas abertas ou criadas por lei, respeitando o cadastro de reserva e as cotas.

Depois da posse, os novos juízes passarão por um período de formação concentrada na Escola de Magistratura Federal da 5ª Região. Segundo o edital, “o Curso de Formação Inicial (CFI) não constitui etapa do concurso. O curso será realizado após a posse pela Escola de Magistratura Federal da 5ª Região (ESMAFE5)”. Os magistrados permanecerão à disposição da escola até o término da preparação.

Concluído o curso, os juízes serão lotados nas seis seções judiciárias vinculadas ao TRF5, de acordo com a ordem de classificação e as necessidades do serviço. A expectativa interna é que a chegada dos novos magistrados ajude a reduzir acervos, acelerar sentenças e reforçar varas com maior sobrecarga, especialmente nas capitais e polos regionais.

O desenho do concurso, com alto grau de exigência técnica e inclusão de políticas afirmativas, tende a alimentar dois debates paralelos. De um lado, a seletividade intensa e o filtro prévio do ENAM podem ser vistos como barreira de entrada. De outro, a reserva de vagas para minorias deve ser comemorada por entidades de direitos humanos como avanço na composição da magistratura federal.

Até o fim do prazo de inscrições, o TRF5 e a FGV acompanharão o ritmo de adesão e poderão ajustar detalhes logísticos das provas. A partir da prova objetiva de novembro, o calendário entra em contagem regressiva para a chegada de uma nova geração de juízes federais à 5ª Região, com impacto direto na velocidade e qualidade das decisões que afetam milhões de pessoas.

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