O candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro reservou esta quarta-feira (19) para as gravações do seu programa eleitoral para a TV e rádio. Essa ausência nas ruas não é por acaso. É o primeiro grande passo da nova estratégia desenhada pelo seu novo marqueteiro, Duda Lima. Mas o que, de fato, vai sair de dentro desse estúdio de gravação para a televisão da sua casa?
O Roteiro das Gravações: O Que Esperar na TV?
Duda Lima é o marketeiro que fez a campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022 e do prefeito Ricardo Nunes em São Paulo, em 2024. Ele sabe que, para ganhar uma eleição majoritária, não basta falar só com quem já é fã. Tem que falar com o eleitor que está no meio do caminho, aquele que decide a eleição e que, muitas vezes, é o trabalhador que está mais preocupado com a feira do mês do que com brigas políticas no WhatsApp.

Aqui está o que as câmeras devem captar nessas gravações a portas fechadas:
1. O Flávio “Paz e Amor” (o Bolsonaro que se vacinou)
Esqueça o estilo inflamado dos palanques. A ordem no estúdio é mostrar um Flávio Bolsonaro mais calmo, com postura de líder e foco em gestão. A propaganda na TV tem uma linguagem diferente da internet; ela entra na sala de estar das pessoas e precisa passar segurança.
O marqueteiro vai tentar “suavizar” a imagem dele, mostrando que ele está pronto para governar para todos, e não apenas para um grupo.
2. A Economia no Centro do Palco
A campanha sabe que a principal dor do eleitorado, especialmente nas classes C e D, é a economia: o preço do alimento, a dificuldade de aumentar renda e o endividamento. O roteiro do programa eleitoral deve bater muito nessa tecla.
Flávio deverá usar os números da economia do governo atual (do PT) para fazer críticas e, em seguida, prometer estabilidade e controle da inflação. O discurso será menos sobre ideologia e muito mais sobre “como melhorar a sua vida financeira”.
3. O Pai como ‘Sombra’, Não como Protagonista Principal
Jair Bolsonaro, claro, vai aparecer. Ele é o grande cabo eleitoral. A grande dúvida é como, visto que o Bolsonaro está em prisão domiciliar e não pode receber visitas de Flávio, nem sequer gravar vídeos ou usar a internet. A campanha até que tentou usar IA para reproduzir o ex-presidente, mas o TSE barrou. O que sobra é usar áudios e vídeos antigos em edições.

A aposta é que Duda Lima tente construir uma imagem própria para Flávio, mostrando que ele tem luz própria e não é apenas “o filho do presidente”. Isso é arriscado, porque a base mais fiel quer ver o ex-presidente o tempo todo, mas é necessário para atrair quem não é bolsonarista raiz, mas não quer votar no atual governo.
4. A Terceirização da Briga
Se Flávio vai aparecer “comportado” na TV, quem vai fazer o trabalho pesado de atacar os adversários? Esse papel deve ficar para as redes sociais, com vídeos paralelos e falas de aliados, não necessariamente no programa eleitoral oficial.
O tempo de TV é caro (o PL tem muito tempo, mas cada segundo vale ouro) e será usado para tentar conquistar o eleitor indeciso com propostas e uma imagem de moderação.
O Resumo da Ópera
As gravações de hoje fazem parte do grande teste do casamento entre Flávio Bolsonaro e o marqueteiro do PL. O evento de lançamento da campanha no Rio de Janeiro foi considerado morno. Agora, a campanha tenta dar a volta por cima usando a máquina partidária e o horário eleitoral gratuito para chegar à casa do trabalhador.
A estratégia é clara: embalar o candidato em um formato mais profissional, focar nos problemas do dia a dia (economia) e tentar furar a bolha dos apoiadores radicais para chegar ao eleitor comum. Se vai funcionar, os próximos meses vão dizer.