Uma batida frontal entre um micro-ônibus da Prefeitura de Imbituva e um caminhão deixou 23 pessoas mortas e cinco feridas na madrugada desta quarta-feira (19), na BR-373, em Ipiranga, nos Campos Gerais do Paraná. O acidente aconteceu por volta das 3h30 e provocou comoção em Imbituva, cidade de onde partiu o veículo que transportava pacientes e acompanhantes para atendimento médico em Curitiba.
“A cidade inteira está em choque”, afirmou Ana Maria Araújo, moradora de Imbituva que acompanhou uma família até o hospital em Ponta Grossa.
Ela também conhecia o motorista do micro-ônibus, que morreu na tragédia.
Como aconteceu o acidente
A colisão ocorreu no km 209 da BR-373, no município de Ipiranga. Segundo informações preliminares da Polícia Rodoviária Federal (PRF), há indícios de que o caminhão tenha invadido a pista contrária e atingido o micro-ônibus de frente.
O caminhão estava sem carga no momento da batida. A PRF informou ainda que o tacógrafo do veículo, equipamento utilizado para registrar informações como velocidade e tempo de condução, não estava funcionando plenamente.
A possibilidade de o motorista ter dormido ao volante também está sendo considerada pelos investigadores, principalmente por causa do horário do acidente. No entanto, a hipótese ainda não foi confirmada e depende dos laudos periciais.
“Só após os laudos periciais teremos uma conclusão sobre o motivo do acidente.” declarou o coronel Hudson Teixeira.
A declaração foi dada pelo secretário estadual de Segurança Pública do Paraná, coronel Hudson Teixeira, durante entrevista coletiva.
Vítimas estavam a caminho de hospitais
O micro-ônibus pertencia à Secretaria Municipal de Saúde de Imbituva e fazia um trajeto utilizado por moradores que precisam de atendimento médico em Curitiba e na região metropolitana.
Entre os passageiros estavam pacientes e acompanhantes. Treze mulheres, oito homens e duas crianças morreram na colisão. O motorista do caminhão também está entre as vítimas.

Cinco pessoas sobreviveram e foram encaminhadas para hospitais de Ponta Grossa. Entre elas está uma criança de seis anos.
Uma das vítimas que sobreviveu é Assis Cabreira, de 62 anos. Ele estava no micro-ônibus para uma consulta no Hospital do Trabalhador, em Curitiba, e precisou passar por cirurgia após sofrer ferimentos no acidente.
Imbituva tenta lidar com a tragédia
A dimensão da colisão atingiu diretamente uma comunidade de cerca de 30 mil habitantes.
Familiares começaram a seguir para Ponta Grossa, onde os corpos foram encaminhados para a unidade da Polícia Científica responsável pela perícia e identificação das vítimas.
A Prefeitura de Imbituva organiza um velório coletivo para as vítimas.
A Defensoria Pública do Paraná também enviou uma equipe multidisciplinar para prestar assistência jurídica e psicológica aos familiares, enquanto a Polícia Militar mobilizou profissionais para oferecer apoio às famílias.

O que a investigação apura agora?
A investigação reúne equipes da PRF, Polícia Civil e Polícia Científica. Os peritos trabalham na análise do local, dos veículos e das circunstâncias que levaram à colisão.
A principal linha apontada até o momento é a de que o caminhão teria saído da própria faixa e atingido o micro-ônibus. Ainda assim, as autoridades reforçam que as causas definitivas só poderão ser determinadas após a conclusão dos laudos.
O acidente é tratado como um dos mais graves registrados nas rodovias federais do Paraná nos últimos anos. A tragédia também levou o governo estadual a decretar luto oficial.
Entenda o contexto
A BR-373 é uma das principais rodovias que atravessam os Campos Gerais do Paraná e é utilizada diariamente por moradores que se deslocam entre municípios da região.
No caso de Imbituva, o transporte de pacientes para consultas e procedimentos médicos em centros maiores faz parte da rotina de muitas famílias. Por isso, a tragédia atingiu diretamente uma parcela significativa da comunidade.
Agora, além da identificação das vítimas e do atendimento aos sobreviventes, a prioridade das autoridades é esclarecer por que o caminhão teria invadido a pista contrária e quais fatores contribuíram para a colisão.