Fernando Haddad, candidato do PT ao governo de São Paulo, participou de uma sabatina na rádio CBN manhã desta quarta-feira (19). Durante a entrevista, o Haddad falou sobre a concessão da Enel, a disputa estadual e o cenário nacional, com críticas diretas à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
Renovação da Enel
Ao comentar a possibilidade de renovação da concessão da Enel em São Paulo, Haddad defendeu que o contrato não seja simplesmente prorrogado nas condições atuais. O candidato afirmou que é preciso estabelecer garantias para proteger os consumidores e não descartou uma mudança no controle da empresa.
“Você não pode, simplesmente, renovar um contrato de 30 anos que não tenha as salvaguardas necessárias para garantir o direito da população à energia elétrica, na maior capital do país. Então, se isso implicar uma mudança de controlador, tem que ser feita uma mudança de controlador. Então eu sou a favor de ser muito rigoroso com a Enel, porque nós não podemos contratar, por mais 30 anos, por mais 20 anos, o que quer que seja, o mesmo tipo de serviço que a gente contratou”, comenta Haddad.
Flávio Bolsonaro
Haddad também afirmou que o Brasil vive um “grave risco institucional” ao comentar a disputa presidencial. Na sequência, fez uma crítica direta a Flávio Bolsonaro e disse que não considera possível uma eventual chegada do senador à Presidência.
“Eu não sei se todo mundo conhece o Flávio Bolsonaro como eu conheço o Flávio Bolsonaro, mas esse rapaz é um risco para o país, tanto do ponto de vista econômico, social, internacional. Ele é um problema muito grande e eu não posso conceber a hipótese dele assumir a presidência da República”, declarou.
Como Haddad vê a disputa em São Paulo?
Ao falar sobre a eleição estadual, Haddad afirmou que está inserido em um projeto que envolve tanto São Paulo quanto o cenário nacional. Como candidato de oposição, disse considerar seu papel apresentar à população informações sobre sua avaliação do estado e da atual gestão.
“Então, eu estou num projeto nacional e estou num projeto estadual. Projeto estadual é para levar para a população o conhecimento do que eu estudei. É um dever cívico meu, como candidato de oposição, esclarecer a opinião pública. A opinião pública pode dar de ombros para o que eu vou dizer. Como a pessoa vai se comportar diante dos fatos, eu não sei. Mas um direito dela de ter acesso aos fatos, ela tem que ter”, declarou.
Entenda o contexto
A entrevista acontece durante a disputa pelo governo de São Paulo, em que Haddad tenta voltar ao Palácio dos Bandeirantes após perder a eleição de 2022 para Tarcísio de Freitas. Ao mesmo tempo, o petista mantém o discurso conectado à disputa nacional e aproveita a campanha estadual para fazer críticas aos adversários do PT.