Uma médica foi denunciada pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) pela morte de seis crianças e recém-nascidos internados em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica de um hospital em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba.
A médica era diretora técnica da unidade. A denúncia foi recebida pelo Judiciário na segunda-feira (17).
Segundo o Ministério Público, as mortes ocorreram entre maio e julho de 2024, após uma grave contaminação intra-hospitalar por bactérias multirresistentes.
Crianças morreram após choque séptico
De acordo com a denúncia, as vítimas morreram em decorrência de choque séptico e falência múltipla de órgãos.
O MP-PR afirma que a contaminação ocorreu dentro da própria unidade e aponta que a médica teria deixado de fiscalizar e garantir o cumprimento de protocolos considerados básicos para a prevenção de infecções hospitalares.
A acusação sustenta que a conduta teria contribuído para a criação de um ambiente favorável à contaminação cruzada entre pacientes.
Denúncia aponta falhas de higiene
Entre as condutas citadas pelo Ministério Público estão a reutilização de luvas de procedimento entre pacientes diferentes, falhas na higiene e a falta de banhos em pacientes internados.
A denúncia também aponta suposto manuseio inadequado de tubos utilizados em procedimentos de intubação e de acessos venosos.
Segundo o MP, essas práticas teriam aumentado o risco de transmissão de bactérias entre pacientes que estavam internados na UTI pediátrica.
Promotor fala em grave negligência
O promotor de Justiça Éder Teodorovicz afirmou que a investigação apontou uma série de falhas atribuídas à médica na fiscalização dos protocolos de segurança.
“Do que se apurou na investigação, a agora ré agiu com grave negligência técnica ao se omitir da fiscalização e aplicação de protocolos básicos de assepsia e biossegurança, permitindo que surgisse um ambiente de contaminação cruzada através de práticas inaceitáveis”, disse o promotor.
MP pede indenização às famílias
Além da responsabilização criminal, o Ministério Público do Paraná pediu que seja determinada uma indenização de R$ 50 mil para cada família afetada.
O valor solicitado é destinado aos familiares das seis crianças que morreram durante o período investigado.
A denúncia agora será analisada no curso do processo judicial, no qual a médica terá direito à defesa e ao contraditório.