O servidor público federal Pablo Silva Santiago, preso desde maio de 2025 sob acusação de filmar mulheres nuas e trocar os registros por vídeos de necrofilia, continuou recebendo a remuneração do cargo que ocupava no Ministério da Cultura durante o período em que permaneceu detido.
Segundo dados disponíveis no Portal da Transparência do Governo Federal, Santiago recebeu aproximadamente R$ 34,7 mil entre janeiro e junho de 2026. Em junho, os vencimentos chegaram a cerca de R$ 7,7 mil, valor que inclui a gratificação natalina.
Não há, contudo, informações públicas disponíveis no portal sobre os pagamentos recebidos pelo servidor entre maio, quando foi preso, e dezembro de 2025.
Servidor foi afastado pelo Ministério da Cultura
À época das denúncias, Pablo Santiago era servidor do Ministério da Cultura e era conhecido na cidade onde atuava por seu envolvimento com atividades culturais.
Após as acusações contra o funcionário virem a público, o Ministério da Cultura informou ter aberto um procedimento para apurar administrativamente o caso e afirmou que o servidor havia sido afastado de suas funções.

Em nota, a pasta informou que a investigação administrativa aguardava o resultado de uma perícia realizada pela Polícia Civil do Distrito Federal. Segundo o ministério, após a conclusão das diligências, caso os indícios fossem confirmados, poderiam ser adotadas novas providências, incluindo a abertura de um processo administrativo disciplinar e a aplicação de sanções, inclusive com possibilidade de expulsão do serviço público.
A continuidade do pagamento, portanto, ocorre enquanto a situação funcional do servidor ainda é analisada administrativamente.
STJ revoga prisão preventiva
No início de agosto, Santiago conseguiu no Superior Tribunal de Justiça (STJ) uma decisão favorável a um pedido de habeas corpus.
O ministro Reynaldo Soares da Fonseca revogou a prisão preventiva do investigado, mas determinou o cumprimento de uma série de medidas cautelares. Entre elas estão o acompanhamento psiquiátrico e psicológico e a proibição de aproximação das vítimas.

Ao analisar o caso, o ministro considerou que a manutenção da prisão preventiva havia se tornado desproporcional diante do período já cumprido pelo investigado em regime cautelar e da pena prevista para o crime pelo qual ele responde.
Segundo a decisão, a pena estabelecida para o delito é de um ano, e o período de prisão preventiva já havia alcançado tempo considerado suficiente para que a manutenção da custódia se tornasse desproporcional.
Qual é a acusação contra Pablo Santiago
Pablo responde pelo crime de registro não autorizado da intimidade sexual, em contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher.
As investigações apontam que ele teria realizado gravações de mulheres nuas sem autorização e utilizado esse material em negociações envolvendo vídeos de necrofilia.

A acusação ainda está sendo discutida na Justiça, e a decisão que concedeu liberdade ao servidor não representa absolvição. Com a revogação da prisão preventiva, Santiago permanece submetido às medidas cautelares determinadas pelo STJ enquanto o processo segue seu curso.
Quanto o servidor recebeu
Os dados públicos de remuneração mostram que o servidor continuou tendo pagamentos registrados em 2026, mesmo durante o período em que estava preso.
Até junho, o total informado é de aproximadamente R$ 34,7 mil. O valor de junho, de cerca de R$ 7,7 mil, inclui a gratificação natalina.
O Portal da Transparência, porém, não apresenta informações públicas sobre os vencimentos recebidos por Santiago entre maio e dezembro de 2025. Por isso, não é possível afirmar, com base nos dados disponíveis, quanto ele recebeu durante todo o período em que permaneceu detido.
A situação funcional definitiva do servidor dependerá da conclusão da apuração administrativa conduzida pelo Ministério da Cultura e dos desdobramentos do processo judicial.
A defesa de Pablo Silva Santiago não foi localizada para comentar as acusações, a decisão do STJ ou a manutenção dos pagamentos. O espaço permanece aberto para manifestação.