Idoso cai de telhado e morre no bairro Marilândia, em Juiz de Fora

Homem de 70 anos sofre queda fatal em telhado no bairro Marilândia, em Juiz de Fora.
Redação NC News
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Um idoso de 70 anos morreu após cair de um telhado de aproximadamente 3 metros no Bairro Marilândia, na Zona Oeste de Juiz de Fora. A equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) tenta reanimá-lo por cerca de 30 minutos, mas ele não resiste e é declarado morto no local.

Acidente em bairro residencial expõe falta de proteção

O acidente ocorreu na tarde desta quarta-feira(19), em uma área residencial de Juiz de Fora, cidade da Zona da Mata mineira próxima à divisa com o Rio de Janeiro. Vizinhos chamam o socorro depois de perceber a queda do idoso do telhado, em uma altura estimada em 3 metros.

Quando a ambulância chega, o homem já está em parada cardiorrespiratória. Profissionais iniciam manobras de reanimação logo na calçada, diante de familiares e moradores, que acompanham a tentativa de salvamento em silêncio.

De acordo com a equipe do Samu, “os procedimentos de reanimação foram feitos por cerca de 30 minutos, mas o idoso foi a óbito no local do acidente”. O corpo permaneceu na cena até a chegada dos serviços periciais e funerários.

Samu atua sozinho e morte reacende alerta sobre idosos em risco

O Corpo de Bombeiros informou que não foi acionado para essa ocorrência. A ausência da corporação, responsável por resgates em altura e apoio em cenários de risco estrutural, expõe uma fragilidade na coordenação do atendimento emergencial. A Polícia Militar é procurada, mas não detalha as circunstâncias da queda até o momento.

O caso reforça um problema recorrente em cidades médias como Juiz de Fora, que tem população superior a 500 mil habitantes e densidade urbana crescente. Telhados baixos, lajes sem guarda-corpo e improvisos em reformas domésticas criam um ambiente cotidiano de risco, muitas vezes negligenciado por famílias e pelo poder público.

No Bairro Marilândia, referência da Zona Oeste no mapa de Juiz de Fora, moradores relatam que é comum ver pessoas subindo em telhados para pequenos reparos, como troca de telhas e limpeza de calhas, quase sempre sem qualquer equipamento de proteção. Em casas antigas e geminadas, como é típico da região, uma escada encostada no muro ainda é o recurso mais usado.

Fragilidade física e rotina doméstica ampliam perigo

Entre idosos, o risco é maior. A perda de massa muscular, o equilíbrio mais instável e doenças crônicas tornam qualquer desequilíbrio potencialmente fatal, mesmo em quedas de pequenas alturas. Uma diferença de 3 metros, que pode ser enfrentada por um adulto mais jovem com ferimentos moderados, se transforma em trauma grave em corpos mais frágeis.

Em Juiz de Fora, onde muitas famílias vivem em casas próprias construídas ao longo de décadas, idosos costumam assumir tarefas de manutenção por hábito ou por falta de dinheiro para contratar profissionais especializados. Nessa rotina, subir ao telhado para trocar uma telha quebrada ou limpar a caixa d’água ainda parece, para muitos, algo corriqueiro.

Profissionais de saúde que atuam na rede de urgência apontam que acidentes domésticos com queda figuram entre as principais causas de internação de idosos. Em bairros afastados do Centro, a distância até as unidades hospitalares agrava o quadro, já que cada minuto entre o trauma e o atendimento qualificado é decisivo.

Pressão por respostas e possíveis mudanças nas políticas locais

A morte no Marilândia tende a pressionar o poder público municipal a adotar medidas mais diretas de prevenção. A Prefeitura de Juiz de Fora costuma atuar em campanhas sazonais sobre segurança no trânsito e prevenção de quedas dentro de casa, mas raramente aborda com ênfase o risco específico de trabalhos em telhados e lajes.

Especialistas em saúde do idoso defendem que ações educativas foquem em orientações simples: evitar que pessoas com mais de 60 anos subam em estruturas elevadas, priorizar a contratação de profissionais, usar cintos e cordas de segurança e nunca trabalhar sozinhos em altura. Para eles, a tragédia atual pode ser o ponto de partida para campanhas mais constantes em postos de saúde e centros de referência.

No campo administrativo, o caso pode levar a ajustes nos protocolos de atendimento do Samu e na articulação com Corpo de Bombeiros e Polícia Militar. A ideia é reduzir falhas de comunicação e garantir que, em qualquer queda de altura, equipes aptas a resgate e estabilização da vítima atuem em conjunto, principalmente em bairros periféricos.

Investigações formais sobre as circunstâncias do acidente ainda podem ser abertas, mesmo se a conclusão for de queda acidental. A apuração ajuda a mapear fatores de risco, como falta de corrimão, telhas frágeis ou improvisos estruturais, que podem servir de base para futuras ações de fiscalização e orientação técnica nas comunidades.

Na prática, a morte do idoso em Marilândia soma mais um capítulo à discussão sobre como proteger uma população que envelhece rápido, vive majoritariamente em áreas urbanas adensadas e ainda recorre a soluções informais para problemas domésticos. A resposta que Juiz de Fora der agora, em políticas, atendimento e informação, tende a indicar o padrão de cuidado com seus moradores mais velhos nos próximos anos.

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