A relação política entre Marcelo Aro (PP) e Cleitinho Azevedo (Republicanos) esfriou durante a formação das alianças para as eleições de 2026 em Minas Gerais. O distanciamento entre os dois passou a ser tratado como um “rompimento” político, embora a assessoria de Cleitinho negue que tenha existido, de fato, um compromisso formal de apoio à candidatura de Aro ao Senado.
A mudança interfere no cenário de Aro, que tenta construir uma candidatura para uma das duas vagas que Minas Gerais terá no Senado a partir da próxima eleição. Ao mesmo tempo, diferentes nomes do campo político de direita se movimentam para ocupar os mesmos espaços.
A relação entre Aro e Cleitinho vinha sendo acompanhada durante as articulações eleitorais justamente pela possibilidade de o candidato ao governo apoiar o ex-secretário na corrida ao Senado. Com a definição das chapas, entretanto, esse cenário deixou de estar colocado da mesma forma.
Assessoria de Cleitinho nega que tenha havido rompimento
A assessoria de Cleitinho faz uma ressalva sobre a interpretação de que houve rompimento.
Segundo a equipe do candidato ao governo, não existia apoio formal a nenhum dos nomes que disputam o Senado. Republicanos e Podemos, partidos que integram a coligação de Cleitinho, não lançaram candidato próprio para as duas vagas.
A equipe também afirma que a Federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, está em uma coligação diferente, que tem seu próprio candidato ao governo.
Por isso, o grupo de Cleitinho sustenta que não seria correto falar em retirada de um apoio que nunca teria sido formalizado.
Apesar da divergência sobre o termo, o fato político é que Aro não conta, neste momento, com o apoio declarado de Cleitinho para a disputa pelo Senado.

Histórico de atritos pesa no distanciamento entre Aro e aliados de Cleitinho
O afastamento entre Marcelo Aro e o grupo de Cleitinho não começou com a definição das candidaturas para 2026. As divergências remontam às eleições de 2022, quando os dois disputaram a mesma vaga ao Senado por Minas Gerais. Naquele pleito, Cleitinho foi eleito, enquanto Aro terminou a disputa em terceiro lugar.
Apesar do histórico de divergências, na semana passada, em entrevista exclusiva ao NC News, Cleitinho afirmou que havia feito as pazes com Marcelo Aro e que os dois haviam superado os atritos do passado. A declaração ocorreu durante as articulações que antecederam a definição das candidaturas para 2026. Segundo o senador, as críticas de Aro foram constantes durante a campanha de 2022, mas ele decidiu perdoar depois que o adversário pediu desculpas.
“Eu não tenho problema nenhum de mudar de opinião”, afirmou Cleitinho. Segundo ele, a aproximação aconteceu depois de um pedido de perdão feito por Marcelo Aro. “Eu sigo o mandamento que Jesus ensinou, de perdoar. Ele me pediu perdão, eu perdoei. Segue o jogo”, declarou.
Nos dias seguintes, porém, o cenário político mudou e integrantes do grupo de Cleitinho passaram a falar em distanciamento e independência em relação à candidatura de Aro ao Senado. Entre os principais pontos de tensão estão as divergências com o vice e coordenador de campanha, Luís Eduardo Falcão, e com o presidente estadual do Republicanos, Euclydes Pettersen.
Cenário ficou mais disputado
A mudança acontece em uma eleição na qual Minas Gerais escolherá dois senadores. A presença de vários candidatos do mesmo campo político pode aumentar a pulverização dos votos.
Entre os nomes que aparecem na disputa está Carlos Viana (PSD), que recebeu apoio do governador Mateus Simões. Viana deixou o Podemos e se filiou ao PSD em abril, passando a integrar o grupo político do governador.
Também estão no cenário Marco Antonio Costa (Novo) e Domingos Sávio (PL), além de Aro.
Com diferentes candidaturas, o eleitorado de direita poderá ter mais opções para a escolha das duas vagas.
Aro mudou de estratégia durante as articulações
O caminho de Aro até a candidatura ao Senado também passou por mudanças durante o período pré-eleitoral. Em determinado momento, o ex-secretário chegou a avaliar uma candidatura ao governo de Minas. A possibilidade ganhou espaço quando Cleitinho ainda não havia confirmado se entraria na disputa pelo Palácio Tiradentes.
Aro, entretanto, voltou a concentrar esforços na candidatura ao Senado depois que Cleitinho confirmou a entrada na corrida pelo governo e o PL lançou Flávio Roscoe para o mesmo cargo.
A reorganização também ocorreu em meio ao aumento da distância política entre Aro e o governador Mateus Simões.
Federação apoia Simões
A situação ganhou outro elemento com a decisão da Federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, de integrar a aliança que apoia a reeleição de Mateus Simões.
Aro e Simões já protagonizaram divergências políticas públicas ao longo das articulações.
Mesmo com o PP integrado à composição que apoia o governador, Aro segue com uma candidatura própria ao Senado. Na prática, ele terá que disputar votos inclusive com nomes que pertencem a partidos aliados dentro do mesmo campo político.
A configuração reduz a possibilidade de uma candidatura única ou concentrada entre os partidos de direita e amplia a disputa interna pelas duas cadeiras.

Apoio de prefeitos é apontado como estratégia
Ao longo das articulações, Aro tem destacado o apoio de prefeitos e lideranças municipais como uma das bases de sua campanha. A estratégia busca transformar a presença de aliados no interior de Minas em estrutura eleitoral para a disputa pelo Senado.
O tamanho desse apoio, porém, será medido nas urnas. Até lá, as alianças municipais e estaduais ainda podem sofrer alterações. A eleição de 2026 terá uma característica diferente para o Senado: duas cadeiras estarão em disputa em Minas Gerais, o que aumenta a importância da formação das chapas e da capacidade de cada candidato de consolidar uma base eleitoral.
Cleitinho fala em respeito aos candidatos
Em nota, a assessoria de Cleitinho afirmou que não considera ter havido rompimento com nenhum candidato ao Senado.
“Não podemos falar em rompimento com nenhum candidato ao Senado, pois nunca houve apoio formal a qualquer um deles. Republicanos e Podemos, partidos que compõem a coligação, não lançaram candidato ao Senado.”, disse
A equipe também destacou a situação da federação que reúne PP e União Brasil.
“A Federação União Progressista integra outra coligação, com seu próprio candidato ao governo.”, afirma em nota
Por fim, a assessoria afirmou que Cleitinho mantém diálogo com os demais concorrentes.
“Mantemos uma relação de respeito e diálogo com todos os candidatos ao Senado. Nosso compromisso é seguir construindo um projeto para Minas Gerais com equilíbrio, diálogo e respeito às diferentes forças políticas.”, finaliza
A reportagem procurou Marcelo Aro para comentar o distanciamento político em relação a Cleitinho, as articulações para o Senado e a atual configuração das alianças, mas não recebeu retorno até a publicação.