Uma operação que reuniu Polícia Civil, Polícia Militar, Guarda Civil Municipal e Ministério Público de São Paulo colocou o Jardim Itatinga, em Campinas, no centro de uma grande fiscalização nesta quinta-feira (20).
Conhecido popularmente como “bairro da prostituição”, o local foi alvo da Operação Submundo, que mobilizou cerca de 90 agentes para combater uma série de crimes e irregularidades. Mais de 20 estabelecimentos foram vistoriados e alguns acabaram interditados.
Mas a história do bairro chama atenção por outro motivo: a região foi planejada pelo próprio poder público, ainda na década de 1960, para concentrar atividades ligadas à prostituição.
O que a operação foi investigar?
Segundo as autoridades, a ação teve como alvo crimes contra a dignidade sexual, extorsão, tráfico de drogas, exploração de jogos de azar e falsificação ou adulteração de bebidas e alimentos.
A fiscalização também contou com a participação da Vigilância Sanitária de Campinas e apoio de agentes da Associação Brasileira de Bebidas.
Durante as inspeções, foram identificados casos de adulteração de bebidas e comercialização de medicamentos em estabelecimentos que não tinham autorização para vender esses produtos. Vários locais foram interditados por causa das condições encontradas.
Por que o Jardim Itatinga ficou conhecido como “bairro da prostituição”?
Não se trata apenas de um apelido. O Jardim Itatinga foi deliberadamente projetado pelo poder público na década de 1960, durante a Ditadura Militar, para concentrar atividades relacionadas à prostituição em uma área específica de Campinas.
O bairro fica em uma região periférica da cidade, cercada por rodovias, entre as rodovias dos Bandeirantes e Santos Dumont.
A ideia era afastar a atividade do restante da cidade e concentrá-la em um único território.
A iniciativa seguia uma lógica de urbanismo e controle social que também encontrou inspiração no modelo regulamentarista francês, que tratava a prostituição como uma atividade a ser controlada e confinada.
Um bairro criado para concentrar a atividade
O planejamento não ficou apenas no desenho das ruas. Foram construídas casas de diferentes portes para receber trabalhadores e clientes do sexo. Ao longo do tempo, a região acabou desenvolvendo uma identidade própria ligada à atividade.
A institucionalização também envolveu medidas de controle das trabalhadoras do sexo. Entre as práticas adotadas naquele período estavam o registro das mulheres na delegacia e a exigência de exames ginecológicos.
A intenção era manter a atividade concentrada e distante de outras regiões da cidade.
O que foi encontrado durante a operação?
A fiscalização desta quinta-feira encontrou irregularidades sanitárias e comerciais, além das suspeitas criminais que motivaram a operação.
Entre os problemas identificados pelas equipes estão a adulteração de bebidas e a venda de medicamentos em locais não autorizados.
Mais de 20 estabelecimentos passaram pela fiscalização, e alguns foram interditados devido às condições encontradas.
Por que a operação recebeu o nome de “Submundo”?
O nome da operação faz referência ao histórico de atividades ilícitas associadas à região, segundo as autoridades.
A ação, porém, não teve como foco apenas a prostituição. O trabalho das forças de segurança envolveu diferentes tipos de crimes, incluindo tráfico de drogas, extorsão, jogos de azar e delitos relacionados à exploração sexual.
Essa distinção é importante: a operação buscou combater crimes e irregularidades, e não simplesmente a existência da prostituição no bairro.
ENTENDA O CONTEXTO
O Jardim Itatinga tem uma história incomum dentro de Campinas. Na década de 1960, o poder público criou uma área isolada para concentrar atividades relacionadas à prostituição. A medida fazia parte de uma lógica de confinamento territorial, com o objetivo de afastar esse tipo de atividade de outras áreas da cidade.
Décadas depois, o bairro continua associado à prostituição, mas também passou a ser alvo de ações de segurança e fiscalização por causa de outros problemas.
A Operação Submundo, realizada em 20 de agosto de 2026, reuniu diferentes forças de segurança e o Ministério Público.
Foram cerca de 90 agentes mobilizados e mais de 20 estabelecimentos fiscalizados. Houve interdições e identificação de irregularidades, como adulteração de bebidas e venda irregular de medicamentos.
As autoridades ainda não divulgaram, nas informações disponíveis, um balanço de eventuais prisões ou apreensões decorrentes da operação.