O ex-governador de Goiás e candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) elevou o tom contra o PT nesta sexta-feira (21) ao criticar os resultados de mobilidade social no Brasil. Em agenda de campanha, o candidato afirmou que o país fracassou em garantir que filhos de famílias pobres consigam melhorar de vida e classificou o resultado como um “atestado de incompetência” dos governos petistas.
O principal ataque de Caiado veio ao falar sobre a chamada mobilidade social — a possibilidade de uma pessoa que nasce em uma família pobre alcançar, ao longo da vida, uma condição econômica mais confortável.
Segundo o candidato, apenas 2,9% dos filhos de famílias pobres chegam à faixa de renda média alta.
“Isso não é mobilidade, isso é um colapso completo. Isso é um atestado de incompetência que realmente não soube, em 20 anos, transferir da população o que a população deseja”, afirmou.
Caiado criticou a forma como o PT apresenta seus programas sociais e defendeu que o objetivo das políticas públicas deve ser permitir que as famílias deixem a pobreza, e não apenas receber benefícios.
“Tirar as pessoas da pobreza”
Durante a fala, o candidato afirmou que programas sociais precisam ter como objetivo a emancipação econômica das famílias.
“É você tirar as pessoas da condição de pobreza e de extrema pobreza no Brasil”, disse.
Para Caiado, a melhoria da renda e das oportunidades deve ser acompanhada por avanços na educação, na geração de empregos e na capacidade de as famílias aumentarem seu patrimônio.
O candidato também citou a alfabetização na idade certa e a redução da evasão escolar como prioridades para melhorar as oportunidades das próximas gerações.
Ataque à política econômica de Lula
Caiado também direcionou críticas à política econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo ele, o aumento dos gastos públicos pressiona os juros e, como consequência, pesa sobre trabalhadores, comerciantes e empresários.
“Governo Lula faz um gasto irresponsável e quem paga a conta? A população, o comerciante e o empresário”, afirmou.
O candidato disse ainda que o país pode entrar em um processo de “depressão na economia” caso a trajetória não seja modificada.
PEC da escala 6×1
Questionado sobre o fim da escala 6×1, Caiado afirmou ser favorável à proposta, mas criticou a forma como o tema foi apresentado pelo governo.
Segundo ele, mudanças desse porte deveriam ser debatidas com trabalhadores e empregadores antes de avançarem no Congresso.
“Eu não vou criar uma emenda à Constituição Brasileira sem ouvir as partes interessadas”, afirmou.
Segurança e combate ao crime
No mesmo compromisso, Caiado também falou sobre segurança pública e citou o uso de drones por organizações criminosas como exemplo do avanço da estrutura do narcotráfico.
Segundo ele, facções estariam usando a tecnologia para atacar outros grupos criminosos e policiais.
“É o máximo da sofisticação do narcotráfico hoje, utilizando drones para poder atingir pessoas e policiais no Brasil”, declarou.
O candidato também cobrou a presença de todos os concorrentes nos debates e afirmou que não considera aceitável que candidatos evitem os confrontos eleitorais.
Caiado tenta se apresentar como alternativa
Ao longo da agenda, Caiado buscou reforçar a imagem de gestor com experiência administrativa e discurso voltado a economia, segurança, educação e redução da pobreza.
Ele também lembrou que chegou a 88% de aprovação durante sua gestão em Goiás e usou o resultado para defender sua capacidade de entregar serviços públicos à população.
“As pessoas que me conhecem sabem que eu realmente faço o serviço do Estado chegar ao cidadão”, afirmou.