Flávio Bolsonaro (PL) decidiu ficar fora do primeiro debate presidencial de 2026 na televisão, neste domingo (23) e, no mesmo horário do confronto realizado pela Band, publicou um vídeo de cerca de cinco minutos nas redes sociais. A escolha teve um recado político claro: para o candidato, os adversários que estavam no estúdio não são o principal alvo de sua campanha.
“Os que vão debater hoje não são meus adversários. Eu respeito todos eles, mas eles definitivamente não são meus adversários”, afirmou.
Na sequência, Flávio apontou diretamente para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“O meu adversário é quem está no poder e está destruindo o Brasil.”
A estratégia coloca Lula no centro da campanha de Flávio e tenta transformar a eleição em uma disputa direta entre os dois grupos políticos, mesmo antes de um eventual confronto entre os principais candidatos.
“Eu quero debater com quem está destruindo o Brasil”
Logo no início do vídeo, Flávio disse que quer participar de debates, mas estabeleceu uma condição: enfrentar quem, segundo ele, é responsável pelos problemas econômicos e sociais do país.
O candidato usou exemplos do dia a dia para falar sobre a perda de poder de compra, citando mudanças na quantidade de produtos vendidos nos supermercados.
Ele também afirmou que famílias estão endividadas e que pequenos empresários enfrentam dificuldades para manter seus negócios.
Entre os números apresentados, Flávio citou a saída de mais de 200 indústrias para o Paraguai, mais de 5 mil pedidos de recuperação judicial e o fechamento de mais de 300 lojas das Casas Bahia. Esses números foram apresentados pelo próprio candidato no vídeo e não foram detalhados na fala quanto à fonte.
Ataques a Lula e menções a Lulinha
A partir da metade do vídeo, Flávio mudou o foco para as investigações envolvendo o governo e o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
O candidato afirmou que mensagens encontradas pela Polícia Federal mostrariam uma relação próxima entre empresários e o filho do presidente e citou investigações envolvendo supostos casos de tráfico de influência, corrupção e repasses financeiros.
As declarações foram feitas por Flávio ao citar investigações em andamento. Elas não representam, por si só, uma conclusão judicial sobre os fatos mencionados.
O candidato resumiu a comparação em uma frase:
“O seu presente é parcelar pizza em seis vezes e andar na rua olhando para trás para ver se não tem alguém te seguindo para roubar o seu celular.”
“Tesouraço” no governo
Depois de atacar a gestão Lula, Flávio apresentou a parte econômica de seu discurso.
Segundo ele, sua proposta seria devolver dinheiro ao cidadão por meio de redução de impostos e corte de despesas e burocracias.
“Menos impostos sobre quem produz. Menos peso do governo sobre quem emprega.”
O candidato chamou a proposta de “tesouraço” e prometeu cortar gastos, corrupção, atos normativos, decretos, portarias e impostos.
Na avaliação de Flávio, o aumento dos gastos públicos pressiona os juros e acaba atingindo diretamente famílias e pequenos negócios.
Segurança com discurso mais duro
A segurança pública também ocupou espaço importante no vídeo.
Flávio defendeu que facções criminosas sejam tratadas como organizações terroristas e propôs medidas mais rígidas contra criminosos violentos.
Entre as propostas, afirmou que presos deveriam trabalhar para pagar parte dos custos de permanência no sistema penitenciário e defendeu maior respaldo jurídico aos policiais.
“Os nossos policiais vão ter respaldo legal para trabalharem, ao invés de terem que responder a processo só porque trabalharam.”
Fé, família e um recado eleitoral
Na parte final do vídeo, Flávio reforçou temas que já fazem parte de seu discurso político: Deus, família, liberdade e patriotismo.
“Deus, pátria, família e liberdade não são slogan de campanha para mim, são fundamentos para a vida.”
O candidato encerrou reforçando a estratégia escolhida para a largada da campanha:
“Você sabe quem ele é, é com ele que eu quero debater.”
E terminou com uma promessa de forte apelo econômico:
“Nós vamos tirar o Brasil do vermelho, vamos tirar as famílias do vermelho.”
Uma escolha calculada
Ao não participar do debate da Band e optar por falar sozinho nas redes sociais, Flávio evitou o confronto direto com Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante), que participaram do programa. Romeu Zema (Novo) também havia desistido horas antes.
Em vez de dividir o tempo com outros candidatos, Flávio teve controle total da mensagem e dedicou o vídeo a um único objetivo: apresentar Lula como o adversário central da eleição.
A decisão também mostra uma aposta clara da campanha: menos espaço para o confronto entre os candidatos e mais esforço para transformar a disputa presidencial em um duelo direto com o governo Lula.