presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escolheu ficar fora do primeiro debate presidencial de 2026 na TV e, na mesma noite, apareceu em uma entrevista exclusiva na Record. Gravada no domingo (23), no Palácio da Alvorada, a conversa com a jornalista Mariana Godoy foi exibida às 20h30, meia hora depois do início do confronto entre candidatos na Band.
Na prática, Lula ficou fora do embate direto com os adversários, mas conseguiu falar com os eleitores em rede nacional no mesmo período em que a disputa eleitoral começava oficialmente na televisão.

Lula aproveita a TV para falar sem confronto
Na entrevista, Lula criticou candidatos que, segundo ele, preferem fazer “pirotecnia” em vez de apresentar números e dados.
O presidente usou indicadores de inflação e desemprego para defender o desempenho de seu governo e tentar rebater as críticas feitas durante a campanha.
A entrevista permitiu a Lula apresentar sua visão sobre temas que estarão no centro da eleição sem a dinâmica de confronto direto, na qual candidatos podem questionar uns aos outros e explorar contradições em tempo real.
Lulinha entra no centro da entrevista
Um dos trechos mais sensíveis foi a fala de Lula sobre as investigações envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
O presidente afirmou que não interfere no trabalho das instituições e defendeu que qualquer pessoa investigada deve responder às acusações.
“Se meu filho errou, vai ser punido”, afirmou Lula.
Segundo o presidente, cabe a ele garantir liberdade para que as instituições atuem, sem interferir como juiz, procurador ou delegado.
Lula também declarou que orienta o filho a apresentar sua própria versão dos fatos.
“Ninguém está acima da lei se cometer erro”, disse.
Ataque indireto a Bolsonaro
Durante a entrevista, Lula também procurou se diferenciar de seu antecessor, Jair Bolsonaro, sem citar diretamente o ex-presidente.
“Eu não sou um presidente que tenta proibir investigação. Eu não ameaço mandar ministro embora. Eu não ameaço punir delegado. Investigue-se”, declarou.
A fala foi usada para reforçar uma das principais linhas de defesa de Lula durante a campanha: a imagem de um governo que, segundo ele, preserva a autonomia das instituições.
Segurança pública e combate ao crime
A violência também ocupou espaço importante na conversa.
Lula defendeu o fortalecimento da inteligência policial e maior integração entre os Poderes como caminho para enfrentar o crime organizado.
A declaração ocorre em um momento em que segurança pública se tornou um dos temas centrais da disputa presidencial, com candidatos da oposição cobrando respostas mais duras contra facções criminosas.
Lula promete fim da escala 6×1
Outro tema abordado foi a jornada de trabalho.
Lula afirmou que o Congresso deverá aprovar medidas consideradas importantes pelo governo, entre elas o fim da escala 6×1. Também citou a retirada da chamada “taxa das blusinhas” e a aprovação da PEC da Segurança Pública.
A declaração transforma o tema trabalhista em uma das bandeiras que o presidente pretende levar para a campanha.
Pressão sobre feminicídio
Questionado por Mariana Godoy sobre a violência contra as mulheres, Lula defendeu uma atuação conjunta entre os Três Poderes para combater o feminicídio.
O presidente afirmou que seu governo já adotou medidas legais voltadas à proteção das mulheres e destacou a necessidade de enfrentar também o machismo por meio da educação.
Trump e a relação com os Estados Unidos
A relação com o presidente americano Donald Trump também apareceu na entrevista.
Lula afirmou que considera positivo manter diálogo direto com Trump, mas criticou medidas adotadas posteriormente por integrantes do governo americano, que, segundo ele, prejudicam a relação entre os dois países.
A fala ocorre em meio às tensões comerciais e diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.
Uma escolha política
Ao optar por não participar do debate da Band e aparecer na Record praticamente no mesmo horário, Lula adotou uma estratégia diferente dos candidatos que decidiram enfrentar o primeiro grande confronto televisivo da campanha.
Sem adversários para rebater suas declarações em tempo real, o presidente teve uma hora de televisão para apresentar resultados, defender seu governo e responder a temas delicados como as investigações sobre Lulinha.
A escolha também deixa um recado para a campanha: Lula prefere, neste primeiro momento, controlar o ambiente em que conversa com o eleitor em vez de entrar diretamente no ringue com os adversários