Presidenciáveis debatem segurança, Trump, escala 6×1 e ataques a Lula

Caiado defende 40 novos presídios federais e endurecimento contra facções; Cury fala em relação de igual para igual com os EUA, enquanto Renan Santos critica o fim da escala 6x1
Redação NC News
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O segundo bloco do primeiro debate presidencial das eleições de 2026, realizado pela Band na noite deste domingo (23), foi marcado por segurança pública, relações do Brasil com os Estados Unidos, fim da escala 6×1 e novos ataques ao governo Lula.

Participaram do debate Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão). O bloco também teve perguntas feitas por jornalistas da emissora, além dos comentários dos próprios candidatos.

Caiado promete endurecer combate às facções

Ronaldo Caiado foi questionado sobre como pretende utilizar o poder do governo federal no combate ao crime organizado sem retirar a autonomia dos governadores.

O candidato afirmou que segurança pública é condição para garantir a governabilidade e classificou o cenário brasileiro como um
O candidato afirmou que segurança pública é condição para garantir a governabilidade e classificou o cenário brasileiro como um

“clima de guerra”.

Caiado defendeu investimentos em inteligência, treinamento das forças de segurança e integração entre os estados.

O candidato também afirmou que pretende ampliar a autonomia dos governadores para legislar sobre determinadas questões de segurança, respeitando as diferenças entre as regiões do país.

Entre as propostas apresentadas, Caiado voltou a defender a construção de 40 novos presídios federais.

Segundo ele, a medida seria necessária porque integrantes de facções criminosas ocupam atualmente unidades penitenciárias estaduais, embora o combate ao crime organizado também envolva crimes de competência federal.

“Eu vou confiscar os bens de todos os faccionais e vou garantir a segurança pública aos juízes, desembargadores, governadores, todos no Ministério Público que tiveram a coragem de enfrentar o crime”, afirmou.

Caiado também disse que pretende levar Lincoln Gakiya para o Ministério da Segurança Pública e declarou que considera classificar as facções criminosas brasileiras como terrorismo doméstico.

Renan Santos critica proposta de Lula para segurança

Durante o comentário, Renan Santos afirmou que o governo federal não deveria concentrar o controle das polícias estaduais.

O candidato criticou uma proposta de mudança na legislação sobre segurança pública apresentada pelo governo Lula e disse que o projeto poderia ampliar o poder da União sobre as forças estaduais.

Renan defendeu que estados que não adotarem políticas consideradas efetivas contra o crime organizado sejam submetidos a medidas mais duras por parte do governo federal.
Renan defendeu que estados que não adotarem políticas consideradas efetivas contra o crime organizado sejam submetidos a medidas mais duras por parte do governo federal.

Ele citou como exemplos Rio de Janeiro, Ceará e Bahia.

“Estados e governos estaduais que não aplicarem políticas efetivas de destruição do crime organizado serão alvo de intervenção”, declarou.

A fala ampliou a discussão sobre os limites entre a atuação federal e a autonomia dos estados no combate à criminalidade.

Relação com os Estados Unidos entra no debate

Na sequência, a jornalista Thaís Freitas, da Rádio Bandeirantes, perguntou a Augusto Cury sobre a relação diplomática e comercial entre Brasil e Estados Unidos.

A pergunta citou o atual momento de tensão entre os dois países, incluindo tarifas comerciais, declarações dos presidentes e a classificação de organizações criminosas brasileiras como terroristas pelos Estados Unidos.

Cury defendeu uma relação próxima com os americanos, mas afirmou que o Brasil não pode assumir uma posição de submissão.

O candidato citou a dívida pública dos Estados Unidos e afirmou que o tarifaço também estaria relacionado a problemas econômicos enfrentados pelo país.

“O Brasil deve ter as melhores relações com os Estados Unidos”, afirmou Cury.

Ao mesmo tempo, defendeu uma diplomacia brasileira mais ativa e disse que pretende transformar as embaixadas brasileiras em estruturas voltadas à promoção de tecnologia, inovação, biotecnologia e produção de conhecimento.

“As relações serão ótimas com os Estados Unidos, as relações também serão ótimas com a China”, declarou.

Para Cury, o Brasil precisa negociar de igual para igual com as grandes potências.

Caiado acusa Lula de provocar Trump

No comentário, Ronaldo Caiado criticou a condução da política externa pelo governo Lula.

O candidato afirmou que o presidente estaria provocando Donald Trump e utilizando conflitos internacionais para desviar a atenção das eleições brasileiras.

Caiado também criticou a atuação do Itamaraty e defendeu que a diplomacia brasileira volte a priorizar acordos comerciais e estratégicos.

“O Itamaraty no Brasil, em vez de ser aquilo que a chancelaria noticia, o Brasil nos grandes debates, passou a ser simplesmente porta-voz do PT”, afirmou.

Caiado disse ainda que pretende recuperar o protagonismo internacional do Brasil e destacou recursos naturais, produção agrícola e potencial energético do país.

Cury fala em potência agrícola

Na resposta, Augusto Cury aproveitou o tema internacional para apresentar propostas voltadas ao agronegócio.

O candidato citou as terras raras, o potencial de geração de energia renovável e a produção brasileira de grãos.

Cury afirmou que pretende aumentar a produção agrícola e criticou o custo do crédito para os produtores.

Segundo ele, a produção brasileira poderia chegar a 700 milhões de toneladas de grãos nos próximos dez anos.

Na avaliação do candidato, o aumento da produção permitiria ao Brasil ampliar seu peso nas negociações internacionais e fortalecer a posição do país diante de Estados Unidos, China e Índia.

“O Brasil cada vez mais vai ter notoriedade e grandeza”, afirmou Cury.

O terceiro tema do bloco foi o fim da escala 6×1.

Renan Santos foi questionado sobre sua posição e sobre os possíveis impactos da mudança para empresas, inflação e empregos.

O candidato se posicionou contra a ideia de que os trabalhadores simplesmente passariam a trabalhar menos e ganhar mais.

Renan criticou políticos que, segundo ele, apresentam a proposta sem explicar os efeitos econômicos.

“Não acredite nesses políticos que estão dizendo para você que você vai trabalhar menos e ganhar mais”, afirmou.

O candidato defendeu reformas para aumentar a competitividade das empresas e facilitar contratações.

Também falou em mudanças na legislação trabalhista para permitir maior flexibilidade na contratação por hora.

Cury defende mais qualidade de vida para trabalhadores

Augusto Cury, que participou como comentarista, apresentou uma posição diferente.

O candidato afirmou que parte dos trabalhadores brasileiros enfrenta problemas relacionados ao excesso de trabalho e citou sintomas como estresse profissional, dores de cabeça e dores musculares.

Cury defendeu a escala 5×2 como alternativa para determinados setores e afirmou que mais tempo de descanso poderia melhorar a qualidade de vida e, consequentemente, a produtividade.

Ao mesmo tempo, reconheceu que a escala 6×1 pode ser necessária em alguns setores da economia.

Para ele, a solução seria buscar um modelo capaz de equilibrar as necessidades dos trabalhadores e das empresas.

Renan volta a atacar Lula e Record

Na réplica, Renan Santos voltou a criticar o governo Lula e também direcionou críticas à Record, emissora que, segundo ele, estaria dando espaço ao presidente em meio à campanha eleitoral.

O candidato questionou a emissora sobre a ausência de determinadas perguntas em entrevistas com Lula e fez acusações relacionadas a escândalos de corrupção.

As declarações foram feitas durante o debate e não foram acompanhadas, no trecho analisado, de comprovação das acusações apresentadas por Renan.

O candidato encerrou sua participação defendendo a criação de empregos e o aumento da produtividade.

“Eu não topo enganar você que está assistindo”, afirmou Renan.

ENTENDA O CONTEXTO

O segundo bloco ampliou a disputa entre os três candidatos e trouxe temas diretamente ligados à agenda econômica e internacional do próximo governo.

Na segurança pública, Caiado apresentou uma proposta de forte endurecimento contra as facções, incluindo novos presídios federais, confisco de bens e ampliação da atuação federal.

Na política externa, Cury defendeu uma relação de igual para igual com Estados Unidos e China, enquanto Caiado criticou a condução da diplomacia brasileira durante o governo Lula.

Já a discussão sobre a escala 6×1 mostrou uma diferença clara entre os candidatos: Renan Santos priorizou os possíveis impactos sobre empresas e empregos, enquanto Cury destacou saúde, descanso e qualidade de vida dos trabalhadores.

O bloco também foi marcado por novos ataques a Lula e pelo esforço dos candidatos de se apresentarem como alternativas aos dois principais polos políticos que dominaram as últimas eleições.

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