Juiz Sergio Moro hoje promete tabela SUS no Paraná para 2026

Senador pelo PL aparece na liderança das pesquisas, enquanto Sandro Alex e Requião Filho disputam a segunda posição na eleição de outubro.
Redação NC News
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O candidato ao governo do Paraná Sérgio Moro (PL) anuncia neste domingo (23) que pretende criar uma “tabela SUS paranaense” para complementar pagamentos do Sistema Único de Saúde a hospitais e profissionais. A proposta entra no centro de sua plataforma para a saúde em meio à corrida eleitoral estadual.

Proposta mira previsibilidade e menos influência política

Moro apresenta a ideia durante compromissos de campanha em Guarapuava, Campo Largo, Colombo e Curitiba. Em cada parada, reforça o argumento de que a saúde paranaense precisa de um modelo de financiamento menos sujeito a decisões individuais do governo.

Segundo o candidato, a “tabela SUS paranaense” se inspira na experiência paulista. O estado passaria a usar recursos do próprio Tesouro para complementar, de forma sistemática, os valores pagos pelo SUS conforme o tipo de procedimento e a qualidade do atendimento.

“São Paulo criou a tabela SUS Paulista. É um complemento do Tesouro, mas pago de maneira universal. Você prestou o serviço, é de qualidade, você vai receber. Não fica dependente da boa vontade do secretário de Saúde em atender ao hospital X e ao hospital Y”, afirma Moro.

O desenho proposto difere do modelo atual, em que repasses extras muitas vezes dependem de convênios específicos, emendas ou negociações pontuais entre hospitais e a Secretaria de Estado da Saúde. Ao prometer uma regra válida para todos, o candidato tenta associar sua imagem a previsibilidade e transparência na gestão.

Inspiração paulista e disputa eleitoral no Paraná

A campanha eleitoral deste ano começa em 16 de agosto, e Moro aproveita a primeira semana de rua para apresentar uma promessa concreta em uma área sensível ao eleitor. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro e um eventual segundo turno para 25 de outubro, em disputa que reúne oito candidatos ao governo do Paraná.

No discurso, o ex-juiz e ex-ministro destaca que o complemento estadual seria universal, condicionado apenas à efetiva prestação do serviço e ao cumprimento de critérios de qualidade. O desenho é semelhante ao modelo de tabela complementar criado em São Paulo, que busca reduzir a defasagem histórica entre o valor pago pelo SUS e o custo real de muitos procedimentos.

O plano de Moro prevê que hospitais públicos e privados que atendem pelo SUS, além de profissionais vinculados a essas unidades, passem a ter acesso a um fluxo estável de recursos adicionais. Na prática, o governo estadual assumiria parte da conta para aliviar o subfinanciamento da rede e, ao mesmo tempo, incentivar a melhoria de indicadores assistenciais.

Quem ganha, quem perde e o desafio do caixa

A proposta tende a ser bem recebida por administradores hospitalares, que cobram há anos mais previsibilidade nos repasses. Para eles, uma tabela estadual clara facilita o planejamento de investimentos, ampliação de leitos e contratação de equipes, sem depender de negociações permanentes com o governo de plantão.

Profissionais de saúde também podem se beneficiar, já que parte dos repasses complementares costuma ser usada para reforçar remunerações, plantões e gratificações por desempenho. Um modelo ligado à qualidade abre espaço para bonificações atreladas a metas, como redução de filas, melhora na taxa de ocupação e maior resolutividade em pronto-atendimentos.

O ganho de previsibilidade, porém, tem custo elevado para o caixa estadual. Para funcionar, a “tabela SUS paranaense” exigirá que o governo reserve, todos os anos, uma fatia estável do orçamento da saúde para custear a complementação. Em um cenário de demandas crescentes em segurança, educação e infraestrutura, a disputa por recursos tende a se acirrar.

Adversários de Moro devem explorar justamente esse ponto. A crítica esperada mira a falta de detalhamento sobre o volume de recursos necessário, as fontes de financiamento e os eventuais cortes em outras áreas para abrir espaço à nova despesa. A viabilidade fiscal da medida promete entrar no centro do debate nos próximos dias.

Burocracia menor e critérios de qualidade em discussão

Moro argumenta que, além de reduzir a influência política sobre os repasses, o modelo pode simplificar a rotina administrativa de hospitais e da própria Secretaria de Estado da Saúde. Uma tabela clara de complementação, aplicada de forma automática a cada procedimento realizado, tenderia a substituir parte da atual burocracia de convênios e aditivos.

A proposta, porém, ainda carece de detalhamento técnico. Faltam definições sobre parâmetros de qualidade, mecanismos de auditoria, metas por tipo de serviço e critérios para evitar fraudes ou distorções. Também não há, por ora, um desenho fechado para a integração entre a tabela estadual e a tabela nacional do SUS.

Especialistas em financiamento da saúde costumam defender modelos que ligam uma parcela do pagamento ao desempenho, para estimular boas práticas sem punir quem atende regiões mais vulneráveis. A equipe de Moro ainda terá de mostrar como pretende equilibrar esse desafio em um estado com grandes diferenças regionais no acesso a serviços de alta complexidade.

Em ano eleitoral, a promessa surge como tentativa de marcar posição em uma área que costuma decidir votos. Ao focar em uma medida concreta, com impacto direto em hospitais e no atendimento diário da população, o candidato busca se diferenciar em meio aos oito nomes na disputa pelo Palácio Iguaçu.

Caberá ao eleitor avaliar, até o dia 4 de outubro, se a “tabela SUS paranaense” é um passo realista para melhorar a rede de saúde ou uma promessa difícil de fechar nas contas do orçamento. Se Moro for eleito, o primeiro teste virá na elaboração do próximo orçamento estadual, quando a ideia terá de sair do discurso e ocupar uma rubrica específica no Tesouro.

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