Colar de R$ 2 milhões dado por Buzeira a Neymar levou polícia a investigar rede de joias roubadas

Presente entregue ao jogador chamou atenção dos investigadores e ajudou a revelar uma suposta cadeia de receptação, derretimento e revenda de alianças e outras peças de ouro em São Paulo
Redação NC News
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Um colar de ouro avaliado em cerca de R$ 2 milhões, dado pelo influenciador Buzeira a Neymar, acabou se tornando uma peça importante no início de uma investigação da Polícia Civil de São Paulo sobre uma suposta rede de receptação de alianças e outras joias roubadas.

A joia foi entregue ao jogador durante o cruzeiro Ney em Alto Mar, em dezembro de 2023. A repercussão do presente nas redes sociais chamou a atenção dos investigadores, que passaram a buscar informações sobre quem havia produzido a corrente e sobre a procedência do ouro utilizado.

Um ponto é fundamental: Neymar não é investigado no caso. O jogador aparece na apuração apenas porque recebeu o colar. Também não há comprovação de que o ouro utilizado especificamente na fabricação da corrente presenteada ao atleta tenha origem criminosa.

Como um presente para Neymar chamou atenção da polícia?

Buzeira presenteou Neymar com a corrente durante o cruzeiro realizado em dezembro de 2023.

Segundo o próprio influenciador, a peça, feita de ouro e pedras preciosas, era avaliada em aproximadamente R$ 2 milhões. Imagens do momento em que Neymar recebeu o presente ganharam grande repercussão nas redes sociais.

A partir dessas publicações, investigadores identificaram Douglas Bonetti Rocha, conhecido como “Jimmy”, como o responsável pela fabricação do colar.

Douglas foi ouvido pela polícia em janeiro de 2024 e afirmou que comprava ouro de diferentes fornecedores e também participava de leilões da Caixa Econômica Federal. Ele apresentou uma nota fiscal de R$ 720 mil, mas a polícia decidiu aprofundar a investigação sobre a procedência do material.

O que a polícia descobriu depois?

As diligências passaram a analisar possíveis relações entre pessoas que atuavam no comércio de ouro em São Paulo.

A investigação identificou uma suposta estrutura que atuaria em diferentes etapas: joias roubadas ou furtadas seriam repassadas para intermediários e, posteriormente, vendidas para estabelecimentos especializados na compra e processamento de ouro.

Entre as peças investigadas estão alianças, correntes e outras joias.

Segundo a apuração, parte desse material seria derretida, dificultando a identificação das peças originais e o rastreamento de onde o ouro havia saído.

Colar de R$ 2 milhões dado a Neymar ajudou a polícia a chegar a um suposto esquema de receptação de joias.

O que é a Operação Ouro Reverso?

A investigação deu origem à Operação Ouro Reverso, realizada pela Polícia Civil de São Paulo.

Na primeira fase, deflagrada em maio de 2025, foram apreendidos aproximadamente R$ 2,7 milhões em ouro e joias, além de R$ 157 mil em dinheiro. Celulares, computadores e documentos também foram recolhidos.

A polícia também recuperou 16 alianças em estabelecimentos do Centro de São Paulo.

Nesta segunda-feira (24), a Polícia Civil deflagrou a segunda fase da operação.

São cumpridos 28 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão na capital paulista e em Guarulhos, na Grande São Paulo.

Justiça determinou bloqueio milionário

Além das prisões e buscas, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 34,6 milhões em contas relacionadas aos investigados.

A segunda fase é coordenada pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).

Além dos policiais, a operação conta com participação de auditores da Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo e avaliadores da Caixa Econômica Federal.

O objetivo é avançar na identificação das pessoas que teriam participado das diferentes etapas do suposto esquema.

Como funcionaria a rede de receptação?

Segundo a linha de investigação, o esquema teria diferentes personagens.

Primeiro, alianças e outras joias seriam obtidas por meio de roubos ou furtos. Depois, esses objetos chegariam a intermediários e comerciantes dispostos a comprar o material.

O ouro poderia então ser derretido e transformado.

Esse processo é importante para entender a investigação porque, depois que uma aliança ou corrente é derretida, fica muito mais difícil reconhecer visualmente a peça roubada.

O metal pode posteriormente retornar ao mercado em uma nova joia ou em outra forma, dificultando a identificação de sua origem.

Neymar tem relação com o suposto esquema?

Não há indicação de participação de Neymar na rede investigada.

O jogador não é alvo da Operação Ouro Reverso e aparece na história porque recebeu o colar que despertou o interesse inicial dos investigadores.

Também não foi comprovado que o ouro utilizado naquela corrente específica tenha sido obtido por meio de crime.

A investigação avançou a partir das perguntas levantadas sobre a fabricação da joia e chegou posteriormente a outras pessoas e empresas.

E Buzeira?

Buzeira, nome pelo qual é conhecido o influenciador Bruno Alexssander Souza da Silva, ganhou projeção nas redes sociais exibindo carros, joias, viagens e outros itens de luxo.

O episódio envolvendo Neymar aconteceu em 2023, quando o influenciador entregou a corrente milionária ao jogador.

A investigação da Operação Ouro Reverso, porém, precisa ser diferenciada de outros casos policiais envolvendo o influenciador. A apuração sobre as joias busca esclarecer a cadeia de obtenção, receptação, processamento e comercialização do ouro.

O que acontece agora?

A Polícia Civil continua analisando documentos, equipamentos, movimentações e materiais apreendidos durante a segunda fase da Operação Ouro Reverso.

O objetivo é identificar a participação de cada suspeito e reconstruir todo o caminho percorrido pelas joias, desde os roubos ou furtos até a possível revenda do ouro.

Os investigados têm direito à defesa, e as suspeitas levantadas durante a investigação ainda precisam ser analisadas dentro do processo judicial.

ENTENDA O CONTEXTO

A investigação começou a ganhar forma depois que um presente milionário viralizou nas redes sociais.

Em dezembro de 2023, Buzeira entregou a Neymar um colar que, segundo o influenciador, valia aproximadamente R$ 2 milhões.

A repercussão fez a polícia buscar informações sobre a fabricação da peça e a origem do ouro.

As diligências avançaram e levaram os investigadores a uma suposta rede especializada em receber alianças e outras joias roubadas, processar o ouro e recolocar o metal no mercado.

A investigação resultou na Operação Ouro Reverso, que chegou à segunda fase nesta segunda-feira (24), com quatro mandados de prisão, 28 de busca e apreensão e bloqueio de cerca de R$ 34,6 milhões.

Neymar não é investigado e não há comprovação de que o ouro do colar recebido pelo jogador tenha origem criminosa.

 

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