França negocia parque temático de Dragon Ball com investidores sauditas durante visita de príncipe

França busca fortalecer laços com a Arábia Saudita por meio da criação de um parque temático inspirado em Dragon Ball.
Redação NC News
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A França tenta avançar nesta segunda-feira (24) nas negociações para a criação de um parque temático inspirado em Dragon Ball na região de Paris. O projeto é apoiado por investidores sauditas e pode entrar na lista de acordos discutidos durante a visita oficial do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman ao país.

A iniciativa ainda não está oficialmente fechada. Segundo autoridades da região de Île-de-France, uma reunião no Palácio do Eliseu pode resultar na assinatura de um acordo nesta segunda-feira. O projeto vem sendo discutido há cerca de 18 meses e é descrito pela presidente regional, Valérie Pécresse, como uma atração de escala comparável à Disneyland.

Dragon Ball pode ganhar parque nos arredores de Paris

O projeto prevê a instalação de um grande parque de diversões dedicado ao universo criado pelo mangaká japonês Akira Toriyama. A área estudada fica em Courdimanche, no Val-d’Oise, a noroeste de Paris, no terreno onde funcionou o antigo parque Mirapolis, fechado em 1991.

O local tem dezenas de hectares e permanece parcialmente sem uso desde o encerramento do antigo parque. A proposta de reaproveitamento da área transformaria um espaço marcado pelo fracasso de um empreendimento do passado em uma nova atração turística de grande escala.

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A possibilidade de utilizar o antigo terreno do Mirapolis, porém, ainda faz parte das negociações. Não há, até o momento, confirmação oficial de que o parque será definitivamente construído no endereço.

A presidente da Île-de-France afirmou que a região trabalha no projeto há aproximadamente um ano e meio e espera que a visita do príncipe saudita acelere sua concretização. “Estamos à espera da assinatura”, declarou Pécresse em entrevista à TF1.

Projeto é tratado como atração de escala semelhante à Disney

Embora poucos detalhes tenham sido divulgados, autoridades regionais classificam a iniciativa como um empreendimento de grande porte. Pécresse afirmou que o projeto teria “a amplitude da Disney” e poderia reforçar significativamente a atratividade turística da região parisiense.

O valor do investimento ainda não foi oficialmente divulgado. Informações publicadas pela imprensa francesa apontam, porém, para um empreendimento que pode envolver bilhões de euros e investimentos privados sauditas.

A escala imaginada também coloca o futuro parque em uma disputa direta pelo mercado internacional de entretenimento. A região de Paris já concentra atrações como Disneyland Paris e Parc Astérix, e um novo complexo baseado em uma das maiores franquias japonesas do mundo ampliaria ainda mais a oferta de parques temáticos nos arredores da capital.

Para a França, o interesse é econômico e turístico. Um empreendimento desse porte pode gerar empregos, movimentar hotéis, restaurantes, transporte e comércio e criar um novo polo de atração para visitantes estrangeiros.

Arábia Saudita está por trás do investimento

O projeto está ligado a investidores sauditas e faz parte de uma estratégia mais ampla do reino para ampliar sua atuação internacional em entretenimento, turismo e cultura.

A Arábia Saudita vem utilizando grandes investimentos em esporte, videogames, eventos e entretenimento como parte de sua estratégia de diversificação econômica. O objetivo é reduzir a dependência do petróleo e transformar o país em um polo global de turismo e lazer.

O próprio Mohammed bin Salman preside o Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF), que tem ampliado sua presença em diferentes segmentos da economia mundial.

Mohammed bin Salman Fast Facts | CNN

O interesse saudita por Dragon Ball não surgiu agora. Em 2024, a Qiddiya Investment Company anunciou um projeto de parque dedicado à franquia na futura cidade de Qiddiya, perto de Riad. O empreendimento saudita foi planejado com cerca de 500 mil metros quadrados, sete áreas temáticas, aproximadamente 30 atrações, além de hotéis e restaurantes.

O eventual parque francês poderia seguir uma lógica semelhante, embora não exista confirmação de que terá as mesmas dimensões, atrações ou estrutura do projeto saudita.

Por que Dragon Ball foi escolhido?

A escolha da franquia japonesa não é casual. Dragon Ball está entre as propriedades de entretenimento japonesas mais populares do mundo e possui uma base de fãs distribuída por diferentes continentes.

O mangá começou a ser publicado em 1984 e posteriormente deu origem a séries de televisão, filmes, videogames, produtos licenciados e uma gigantesca indústria de merchandising.

A força internacional da marca torna o personagem Goku e seu universo particularmente adequados para um empreendimento turístico. Em vez de depender exclusivamente de visitantes locais, um parque baseado na franquia poderia explorar o turismo internacional e transformar fãs em visitantes dispostos a viajar especificamente para conhecer a atração.

Para a Arábia Saudita, a estratégia também se encaixa na tentativa de aproximar o país da indústria japonesa de entretenimento. Para a França, representa a oportunidade de incorporar a cultura pop global ao tradicional circuito turístico baseado em monumentos, museus e patrimônio histórico.

França e Arábia Saudita ampliam parceria econômica

A discussão sobre o parque ocorre durante uma visita oficial de Mohammed bin Salman à França. O príncipe herdeiro e Emmanuel Macron participam nesta segunda-feira da primeira reunião do Conselho de Parceria Estratégica entre os dois países, em uma agenda que inclui diferentes acordos econômicos.

Transportes, energia, saúde e investimentos estão entre os temas tratados pelos governos. O parque de Dragon Ball aparece nesse contexto como um possível símbolo da aproximação econômica entre Paris e Riad.

O Palácio do Eliseu, entretanto, mantém cautela sobre o empreendimento. A presidência francesa afirmou que não comenta projetos e negociações enquanto eles não forem oficialmente confirmados.

Por isso, a situação nesta segunda-feira é de expectativa de assinatura, e não de acordo definitivamente fechado.

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Projeto também enfrenta questionamentos

Apesar do entusiasmo das autoridades regionais, a proposta já provoca questionamentos em Courdimanche e na região do antigo Mirapolis.

Representantes locais cobram maior participação das comunidades nas decisões e alertam para questões relacionadas à infraestrutura, transporte e impacto ambiental. Um dos problemas históricos do antigo Mirapolis foi justamente a dificuldade de acesso e a baixa capacidade de atrair visitantes em quantidade suficiente.

A implantação de um parque de escala internacional exigiria, portanto, investimentos não apenas na atração, mas também na infraestrutura de acesso, transporte público e circulação de veículos.

A discussão também envolve o futuro do terreno e os impactos de um empreendimento de grande porte sobre a região.

O que acontece agora

O próximo passo depende da reunião prevista no Eliseu nesta segunda-feira. Caso um acordo seja assinado, deverão começar as etapas técnicas de definição do projeto, incluindo localização definitiva, licenciamento, modelo de financiamento, cronograma e desenho das atrações.

Até lá, não existe data oficial para inauguração, valor definitivo do investimento ou lista confirmada de atrações.

O que já está claro é que Dragon Ball deixou de ser apenas uma possibilidade distante. O projeto avançou ao ponto de entrar na agenda das negociações entre França e Arábia Saudita durante uma visita de Estado de alto nível.

Se o acordo sair do papel, a região de Paris poderá ganhar um novo gigante do entretenimento — construído sobre uma das franquias japonesas mais reconhecidas do planeta e financiado por um país que transformou grandes projetos culturais e turísticos em uma das vitrines de sua nova estratégia econômica.

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