O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (24) que o Irã está “completamente colapsado”. A declaração foi publicada por ele nas redes sociais horas antes de o governo americano anunciar novas sanções econômicas contra Teerã, aumentando ainda mais a pressão sobre o país.
A fala acontece em um momento de forte deterioração da economia iraniana e de tensão militar e diplomática. O governo americano prepara uma nova ofensiva financeira, enquanto autoridades iranianas ameaçam reagir contra países que aderirem às medidas.
A declaração de Trump
Trump publicou uma mensagem curta e contundente em sua plataforma Truth Social:
“O IRÃ ESTÁ TOTALMENTE EM COLAPSO!!!”
A afirmação foi feita sem que o presidente apresentasse, na própria publicação, uma explicação detalhada sobre quais indicadores sustentariam a avaliação.
O comentário, porém, veio acompanhado de uma movimentação concreta do governo americano: Washington se prepara para ampliar as sanções econômicas contra o Irã e atingir também empresas e países que mantenham relações comerciais com Teerã.
Por que a pressão aumentou?
O governo dos Estados Unidos pretende ampliar o alcance das chamadas sanções secundárias. Na prática, isso significa que empresas e instituições de outros países que continuarem fazendo determinados negócios com o Irã também podem sofrer punições americanas.
A estratégia busca dificultar ainda mais o acesso de Teerã ao sistema financeiro internacional e reduzir sua capacidade de comercializar petróleo.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, classificou a nova ofensiva como uma espécie de “Dia D econômico”. A medida faz parte de uma campanha para aumentar o isolamento financeiro do regime iraniano.
A economia iraniana sente o impacto
Os sinais de deterioração econômica são fortes. Nesta segunda-feira, o rial iraniano atingiu uma nova mínima histórica, chegando a cerca de 2,02 milhões de riais por dólar no mercado. A inflação também pressiona o cotidiano da população, com aumentos expressivos nos preços de alimentos.
O cenário econômico ajuda a explicar por que Washington aposta agora em uma ofensiva financeira.
Mas há um ponto importante: dizer que o Irã está “completamente colapsado” é uma avaliação política de Trump, e não significa que o país tenha deixado de funcionar ou perdido completamente sua capacidade de reação.
Teerã continua controlando estruturas de Estado, possui forças militares e mantém instrumentos de pressão sobre uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.
O Estreito de Ormuz virou peça central
Um dos principais pontos de tensão é o Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde circula uma parcela significativa do petróleo transportado por via marítima.
O conflito e as restrições impostas ao tráfego na região já provocaram impactos sobre as exportações de petróleo e aumentaram a preocupação nos mercados internacionais.
O Irã, por sua vez, tem usado o estreito como instrumento de pressão contra os Estados Unidos e seus aliados.
Irã ameaça países que aderirem às sanções
A nova ofensiva americana também pode abrir uma frente diplomática.
Autoridades iranianas advertiram que países que colaborarem com as novas sanções poderão sofrer consequências. A ameaça aumenta a pressão principalmente sobre parceiros comerciais importantes de Teerã. Ao mesmo tempo, países como China, Índia e Rússia estão no centro das atenções porque qualquer endurecimento das restrições pode afetar suas relações comerciais com o Irã.
É justamente nesse ponto que a crise deixa de ser apenas uma disputa entre Washington e Teerã.
As novas sanções podem atingir empresas, bancos, transportadores e governos de outros países.
O que acontece agora?
O próximo passo está nas mãos do governo americano, que deve detalhar as novas medidas econômicas contra o Irã.
A expectativa é que as sanções ampliem o cerco financeiro e dificultem ainda mais as formas encontradas por Teerã para manter relações comerciais com outros países.
Do lado iraniano, a resposta pode envolver medidas econômicas, diplomáticas e relacionadas ao tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.
Por isso, a declaração de Trump não deve ser analisada isoladamente. Ela ocorre justamente no momento em que os Estados Unidos preparam uma nova etapa da pressão econômica contra o Irã.
Entenda o contexto
A crise entre Estados Unidos e Irã combina confronto militar, sanções econômicas, disputa pelo petróleo e tensão em torno do Estreito de Ormuz.
Agora, Washington tenta aumentar o custo econômico para Teerã e para empresas que mantenham negócios com o país.
O Irã, por outro lado, afirma que não aceitará passivamente a pressão e ameaça reagir contra governos que participarem da ofensiva americana.
O cenário ainda pode mudar rapidamente, principalmente se as novas sanções provocarem uma resposta de Teerã ou afetarem de forma significativa o mercado internacional de petróleo.