A investigação sobre o furto de amostras de vírus da Unicamp, em Campinas (SP), ganhou um novo elemento. A Polícia Federal encontrou 291 microtubos com material biológico de origem ainda não esclarecida dentro do congelador da casa de Soledad Palamenta Miller e Michael Edward Miller, investigados no caso.
As amostras foram apreendidas em março de 2026, durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão. Segundo documentos do processo, o material estava guardado em caixas plásticas dentro do refrigerador doméstico do casal.
As amostras apresentavam marcações feitas à mão e foram encaminhadas ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para análise. Até o momento, não foi informado se a perícia conseguiu identificar todos os materiais.
291 microtubos estavam dentro de um freezer doméstico
A localização das amostras chama atenção porque, inicialmente, a Polícia Federal havia informado que todo o material relacionado ao caso havia sido recuperado dentro da própria Unicamp.
Os documentos analisados agora acrescentam uma nova informação à investigação: parte do material estava na residência dos dois investigados.
Ao todo, foram encontrados 291 microtubos, contendo substâncias cuja origem ainda precisa ser determinada. As amostras tinham identificações manuscritas e foram recolhidas pelos investigadores para análise especializada.
O resultado da perícia poderá esclarecer o que exatamente estava armazenado no imóvel, de onde veio o material e se existe relação entre as amostras encontradas na residência e aquelas retiradas dos laboratórios da universidade.

Outros materiais também foram encontrados na universidade
A investigação identificou materiais em pelo menos outros dois pontos da Unicamp: a Faculdade de Engenharia de Alimentos e o Instituto de Biologia.
Um dos achados ocorreu em 24 de março de 2026, quando estudantes encontraram um tubo identificado à mão como H1N1 dentro de um freezer.
Segundo a apuração, o equipamento estava operando em temperatura considerada inadequada.
O H1N1 está entre as amostras que teriam sido levadas do Laboratório de Virologia da universidade, aumentando a importância do material localizado.

PF ainda precisa descobrir o que havia nos tubos
A identificação dos 291 microtubos será uma das etapas fundamentais para esclarecer o caso.
O material foi encaminhado para análise do Ministério da Agricultura e Pecuária. A perícia deverá determinar a natureza das amostras e verificar se elas correspondem a materiais que deveriam estar armazenados nos laboratórios da Unicamp.
Até a última atualização, o ministério não havia informado se os exames já haviam sido concluídos.
Por isso, a existência dos tubos na casa dos investigados não permite, por si só, concluir qual era a origem ou a finalidade do material.
Universidade abriu investigação interna
A Unicamp informou que concluiu uma sindicância sobre o episódio e instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar possíveis infrações.
A universidade também afirmou que adotou novas medidas de segurança após o caso.
Entre as providências estão o bloqueio do acesso dos investigados aos laboratórios e o reforço dos procedimentos de controle.
A instituição afirmou ainda que continua colaborando com a Polícia Federal, o Ministério da Agricultura e a Anvisa.
O que aconteceu com os vírus da Unicamp?
A investigação começou após o desaparecimento de amostras do Laboratório de Virologia da universidade. A apuração passou a envolver diferentes órgãos e levou a Polícia Federal a cumprir mandados de busca em março.
A descoberta de material biológico na residência dos investigados acrescenta uma nova frente ao caso.
Agora, os investigadores precisam estabelecer se as amostras encontradas no congelador doméstico têm relação direta com o material desaparecido da universidade e, principalmente, qual era o conteúdo dos microtubos.
O resultado das análises será decisivo para esclarecer essa parte da investigação.

Entenda o contexto
O caso envolve o desaparecimento de amostras biológicas do Laboratório de Virologia da Unicamp, em Campinas. A investigação da Polícia Federal levou ao cumprimento de mandados de busca em março de 2026 e à localização de materiais em diferentes pontos.
A descoberta de 291 microtubos na residência de dois investigados acrescentou uma nova peça ao inquérito, já que as amostras estavam armazenadas em um freezer doméstico e ainda precisam ser identificadas.
Dentro da própria universidade, também foram encontrados materiais em outros locais, incluindo um tubo marcado como H1N1. A Unicamp instaurou processo administrativo para apurar possíveis irregularidades, enquanto PF, Ministério da Agricultura e Anvisa continuam envolvidos na apuração.