Quem é a “Madrinha da Cidade Alta”, apontada como braço-direito de Peixão e presa no Complexo de Israel

Luana Rosa de Araújo, de 32 anos, é investigada por homicídios, tráfico de drogas e participação na estrutura financeira do TCP; segundo a polícia, ela tinha posição de liderança e respondia diretamente ao chefe da facção
Redação NC News
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Uma das prisões realizadas durante a operação das polícias Civil e Militar no Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio, nesta terça-feira (25), atingiu uma mulher apontada pelas investigações como uma das peças importantes da estrutura do Terceiro Comando Puro (TCP).

Luana Rosa de Araújo, de 32 anos, conhecida como “Madrinha da Cidade Alta”, foi presa na região. Segundo a polícia, ela seria braço-direito de Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, apontado como chefe do tráfico no território.

Contra Luana havia quatro mandados de prisão em aberto: dois relacionados a homicídios e outros dois por tráfico de drogas.

A prisão chamou atenção dos investigadores porque, além de atuar na liderança de comunidades ligadas ao TCP, Luana é apontada como responsável por funções dentro da estrutura financeira da organização criminosa.

Madrinha da Cidade Alta era procurada pela polícia | Foto: Reprodução

Quem é a “Madrinha da Cidade Alta”?

Luana Rosa de Araújo, de 32 anos, ganhou o apelido de “Madrinha da Cidade Alta” por sua atuação dentro da estrutura criminosa que domina comunidades da Zona Norte do Rio.

Segundo o delegado Bruno Ciniello, titular da 38ª DP (Brás de Pina), ela exercia uma posição de liderança e teria ligação direta com Peixão.

“Ela exercia uma atuação de relevância, de liderança de comunidades que também são ligadas ao Terceiro Comando Puro”, afirmou o delegado.

Ainda segundo Ciniello, dois dos mandados de prisão contra Luana são relacionados a homicídios ocorridos na comunidade do Massapê, em Duque de Caxias.

A investigação aponta que ela teria participado diretamente dessas ações e que, na época, estaria armada com um fuzil.

O fuzil rosa que teria sido dado por Peixão

Um dos detalhes que mais chamam atenção nas investigações é a relação de confiança entre Luana e Peixão. Segundo a polícia, como símbolo dessa proximidade, ela teria recebido do traficante um fuzil de cor rosa.

A arma teria se tornado uma espécie de marca da posição ocupada por Luana dentro da estrutura criminosa. Além da atuação armada, os investigadores afirmam que ela teria assumido funções relacionadas à administração do tráfico.

Peixão é um dos traficantes mais procurados do Rio | Foto: Reprodução

Polícia aponta participação na contabilidade da facção

De acordo com o delegado Bruno Ciniello, Luana também atuaria na contabilidade do TCP.

A função, segundo a investigação, colocaria a mulher em uma posição estratégica dentro da organização, já que envolveria o controle de recursos e movimentações relacionadas à atividade criminosa.

“Ela, inclusive, atua na contabilidade da facção. Então, é um baque, com certeza, de uma engrenagem de relevância no funcionamento dessa organização criminosa”, afirmou Ciniello.

A polícia considera a prisão relevante justamente por atingir alguém que, segundo as investigações, não estaria apenas na linha de frente do tráfico, mas também participaria da estrutura de comando e administração.

Expulsão de moradores e pontos de venda

As investigações também atribuem a Luana uma atuação na ocupação de imóveis em áreas dominadas pelo grupo.

Segundo a polícia, ela teria participado da expulsão de moradores de um condomínio no Massapê, em Duque de Caxias.

Os imóveis, conforme a investigação, teriam sido posteriormente utilizados como pontos de venda de drogas e esconderijos.

Ela também é investigada por supostamente ordenar ataques a ônibus na região de Caxias.

As acusações ainda são objeto de investigação e não representam condenação definitiva.

Quatro mandados de prisão estavam em aberto

A situação de Luana já era conhecida pelas autoridades antes da operação desta terça-feira.

Segundo o delegado, havia quatro mandados de prisão contra ela.

Dois deles estão relacionados a homicídios e outros dois a crimes ligados ao tráfico de drogas.

“Os homicídios foram praticados à época na comunidade do Massapê, em Duque de Caxias. Ela era liderança da comunidade, portando fuzil, inclusive, de frente nesse homicídio e respondia diretamente ao Peixão”, disse Ciniello.

A polícia afirma que a prisão foi possível em meio à ocupação realizada na região.

Por que o Complexo de Israel virou alvo da operação?

A operação acontece em uma região considerada estratégica na disputa territorial entre facções criminosas no Rio.

O Complexo de Israel reúne cinco comunidades: Cidade Alta, Vigário Geral, Parada de Lucas, Cinco Bocas e Pica-pau.

O território é apontado pelas autoridades como área de influência do Terceiro Comando Puro, grupo rival do Comando Vermelho.

Segundo as investigações, a região está diretamente ligada à estrutura comandada por Peixão.

A presença das forças de segurança nesta terça-feira teve como um dos objetivos cumprir mandados de prisão e atingir integrantes da organização.

Complexo de Israel, Rio de Janeiro | Foto: Reprodução

Outras prisões foram realizadas

Além de Luana, outras duas pessoas haviam sido presas até o início da manhã, segundo as autoridades.

O delegado Bruno Ciniello afirmou que a ocupação policial criou uma oportunidade para o cumprimento dos mandados.

“A ocupação da Polícia Militar proporcionou um momento favorável para o ingresso e o cumprimento destes mandados de prisão.”

Segundo ele, a atuação das forças de segurança deve continuar.

“Não vai parar, vai continuar esse combate, como já vinha sendo feito.”

O que é o Complexo de Israel?

O nome Complexo de Israel passou a ser utilizado para identificar o conjunto de comunidades sob influência de Peixão.

Segundo as investigações, o traficante utiliza símbolos associados a Israel e à tradição judaico-cristã em sua área de domínio, incluindo a Estrela de Davi.

Peixão também é conhecido pelo apelido “Arão”, em referência ao personagem bíblico considerado irmão de Moisés.

A estrutura criminosa ligada a ele chegou a ser chamada de “Tropa do Arão”.

As autoridades também investigam denúncias de perseguição religiosa em áreas dominadas pelo grupo, incluindo episódios de expulsão de moradores e ataques ou depredações de espaços religiosos.

Entenda o contexto

O Complexo de Israel é uma área formada por cinco comunidades da Zona Norte do Rio — Cidade Alta, Vigário Geral, Parada de Lucas, Cinco Bocas e Pica-pau — e é apontado pelas autoridades como território de influência do Terceiro Comando Puro.

A região ganhou notoriedade pela atuação de Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão, apontado como liderança do grupo. A operação desta terça-feira ocorre em meio à disputa territorial entre facções criminosas no Rio e busca cumprir mandados de prisão e atingir integrantes da estrutura do TCP.

Entre os presos está Luana Rosa de Araújo, a “Madrinha da Cidade Alta”, que, segundo a investigação policial, ocupava uma posição de liderança, tinha ligação direta com Peixão e participava da administração financeira da organização.

Ela é investigada por homicídios, tráfico de drogas e outros crimes. As acusações ainda serão analisadas pela Justiça e Luana não foi condenada pelos crimes investigados.

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